Economia

Com real fortalecido, brasileiros retomam planos de viajar para fora

10/07/16 - 15h33 - Atualizado em 10/07/16 - 15h37

 Quando viu, em janeiro, uma passagem para Los Angeles por pouco mais de R$ 1.000, o publicitário Edgar Andrade quase comprou. Mas naquela ocasião, o dólar estava na casa de R$ 4,20 e ele desistiu da viagem.

“Não dava para bancar. Pior do que isso, eu não sabia se ia chegar a R$ 5 ou R$ 10. Era muito arriscado, por mais que a passagem estivesse com um preço tentador. Já pensou, chegar na data da viagem e não ter dinheiro suficiente para ir?”

O sentimento dele foi o mesmo de milhões de brasileiros, que viram uma enxurrada de promoções de passagens internacionais no começo do ano, mas não se sentiram confiantes para viajar. Porém, nos últimos meses, o cenário começou a melhorar e o publicitário tomou uma decisão.

“Vi outra promoção para Los Angeles, não tão boa quanto aquela, mas paguei R$ 1.600 na passagem. A diferença é que agora o dólar não está mais R$ 4,20. Já comecei a comprar e estou pagando em torno de R$ 3,50”.

O dólar comercial chegou a atingir R$ 4,16 em janeiro. Seis meses depois, bateu a mínima do ano: R$ 3,21. Esse movimento de valorização do real, que ganhou mais força a partir de março com os desdobramentos do processo de impeachment, fez com que a procura por moeda estrangeira aumentasse nas casas de câmbio por todo o País.

No primeiro semestre deste ano, o real foi a moeda que mais se valorizou ante o dólar: 23%. Em junho, o dólar teve a maior queda mensal frente ao real em 13 anos. 

Uma família que levava US$ 2.500 para uma viagem nos EUA gastava em janeiro R$ 11.290. Agora, para levar a mesma quantia, desembolsa R$ 8.465.

Fernando Pavani, sócio-diretor da Bee Câmbio, constatou aumento de oito vezes da demanda de clientes no site da empresa. Ele destaca que não é só a moeda norte-americana que voltou a ser procurada pelos brasileiros.

“A procura por euro subiu em termos de proporcionalidade, porque ficou barato. As coisas lá na Europa estão baratas. Já nos Estados Unidos, a inflação diminuiu o poder de compra do dólar. A gente tem visto uma busca muito mais intensa por euro do que por dólar, em termos relativos".

O superintendente de varejo da Confidence Câmbio, Juvenal dos Santos, conta que as operações cresceram quase 35% em junho, se comparado ao mês anterior.

 “No online, nós tivemos em um mês crescimento de 99,4%. Nas nossas mesas de operações, que é de atendimento telefônico, tivemos crescimento de 35,35%, e nas lojas, algo em torno de 27%”.