Monique Medeiros foi novamente presa após decisão do STF, retornando ao Complexo de Gericinó, onde está acusada de envolvimento na morte de seu filho, Henry Borel, em 2021. Sua prisão preventiva visa garantir a ordem pública e a integridade do processo judicial, que está agendado para julgamento em maio.
A prisão de Monique foi restabelecida após a Procuradoria Geral da República manifestar-se a favor da medida, citando riscos de coação de testemunhas e a gravidade do crime. O ex-padrasto de Henry, Jairo, também é acusado e permanece preso, enquanto Monique aguarda o julgamento.
A defesa de Monique já apresentou pedidos de esclarecimento ao STF e planeja recorrer caso a decisão de prisão seja mantida. O pai de Henry, Leniel Borel, considera a nova prisão uma medida essencial para a proteção das testemunhas e a busca pela verdade no caso.
De volta à cadeia na segunda-feira, após o Supremo Tribunal Federal (STF) estabelecer sua prisão preventiva, Monique Medeiros passou a noite na penitenciária Talavera Bruce, no Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, onde já estava antes de sua soltura, em março. Ela, que é acusada de envolvimento na morte de seu filho, o pequeno Henry Borel, em 2021, está em cela individual, prerrogativa garantida por uma decisão judicial, após "constantes ameaças sofridas no cárcere", explica a defesa.
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Assim como as demais, ela precisa estar acordada entre 7h e 7h30, segundo a Secretaria de Polícia Penal (Seppen), antiga Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). O café da manhã é servido por volta de 8h30; o almoço, mais ou menos às 12h; o lanche, por volta das 15h; e o jantar, em torno das 18h.
No jantar de segunda-feira, por exemplo, foram servidos a Monique Medeiros frango, legumes, arroz e feijão. Já no café da manhã desta terça, pão com manteiga, café e leite. O cardápio é o mesmo para todas as presas. Apesar dos horários de referência, a realização de cada refeição é uma questão individual, já que é feita dentro da própria cela.
— Por conta da rotina da unidade prisional, as refeições podem acontecer em horários completamente distintos dos nossos. Por volta das 10h, por exemplo, começam a distribuir o almoço, porque não tem como entregar para todo mundo ao meio-dia. Às 16h, Monique recebe o jantar e costuma guardar para comer mais tarde. Como ela não está em prisão especial, apesar de estar em uma cela sozinha, é tratada como todas as outras — conta o advogado Hugo Morais.
Acusada de Monique chegou à penitenciária Talavera Bruce por volta das 18h, após se entregar à polícia e passar por uma série de trâmites legais. E permanecerá na unidade até o julgamento do caso, marcado para o dia 25 de maio.
— Nós, ela e os familiares temos a certeza de que será feita justiça. E justiça, neste caso, é a condenação de Jairo, o algoz do pequeno Henry que dormia ao seu lado, bem como a absolvição de Monique, que foi a melhor mãe que seu filho poderia ter. Quanto à sentença, ela já recebeu a pior, que é a de morte, morte de seu filho, com quem ela foi enterrada junto, mas parece que a sociedade, por conta de um machismo estrutural, não vê isso — defende Hugo Morais.
Restabelecimento da prisão preventiva
Monique Medeiros se entregou na 34ª DP por volta das 8h de segunda-feira. A apresentação na unidade foi organizada entre sua equipe de defesa e o delegado Alexandre Netto, após o ministro Gilmar Mendes, do STF, determinar seu retorno à prisão para evitar problemas como a coação de testemunhas no curso do processo.
Por volta das 12h, ela deixou a delegacia para se submeter a um exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal de Campo Grande. Em seguida, pouco antes das 15h, chegou à Central de Audiência de Custódia do Presídio de Benfica, que funciona como triagem no sistema prisional no Rio antes do encaminhamento para uma penitenciária. Por último, foi encaminhada à cadeia onde se encontra no momento.
Prisão, soltura e prisão novamente
Henry Borel morreu aos 4 anos, em março de 2021. Apontado como autor das agressões que levaram à morte do menino, o ex-vereador e então padrasto, Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, responde por homicídio qualificado, tortura e coação. Já Monique é acusada de homicídio por omissão qualificado, tortura e coação.
O julgamento do caso ocorreria no último dia 23 de março, mas, após advogados de Jairinho abandonarem o plenário, foi suspenso e adiado para 25 de maio. Na ocasião, a juíza responsável pelo caso, Elizabeth Louro, determinou ainda o relaxamento da prisão de Monique Medeiros, com expedição de alvará de soltura, ao entender que mantê-la no presídio significaria um “constrangimento legal”, já que a ré não contribuiu para o adiamento. Jairinho, por sua vez, permaneceu preso.
Após a soltura de Monique, Leniel Borel, assistente de acusação no caso e pai do menino, apresentou reclamação constitucional à Procuradoria Geral da República (PGR) contra a medida, que corroborou a queixa. Na quinta-feira, dia 16, a PGR se manifestou ao STF a favor do retorno da ré à prisão preventiva.
De acordo com o parecer do órgão, o Supremo já havia analisado a situação de Monique Medeiros em decisões anteriores e concluído que a prisão preventiva era necessária para garantir a ordem pública, a instrução do processo e a eventual aplicação da lei penal. Ao revogar essa prisão, o juízo de primeira instância teria desrespeitado a autoridade dessas decisões.
Na sexta-feira, o ministro Gilmar Mendes restabeleceu a prisão preventiva. Ao analisar o caso, o decano endossou o argumento de que o STF já havia determinado a prisão preventiva, decisão que depois foi confirmada por unanimidade pela Segunda Turma. De acordo com o ministro, a medida "permanece imprescindível" para garantir a ordem pública e a instrução criminal, diante da gravidade do crime e de episódios de coação de testemunhas.
O ministro ainda ressalta, em seu voto, que, além do crime de coação, os acusados também respondem por fraude processual. E afirma que as condutas “indicam desejo de embaraçar as investigações e, consequentemente, a regular instrução criminal, reforçando a necessidade da prisão para sua garantia”.
No sábado, após recurso da defesa, o magistrado manteve a ordem de prisão de Monique. Nesta terça-feira, a defesa disse que apresentou pedido de esclarecimentos ao magistrado e que ele ainda não respondeu. Caso a decisão seja mantida, afirmou, um novo recurso será apresentado na Segunda Turma do STF.
'Medida essencial'
Pai do menino Henry e assistente de acusação, Leniel Borel disse que a nova prisão de Monique Medeiros representa "uma medida essencial"' para garantir o andamento regular do processo, proteger as testemunhas e resguardar a busca da verdade no caso.
— A decisão do STF é essencial para proteger o julgamento, a segurança das testemunhas e o próprio respeito à Justiça. Não se pode admitir que manobras tentem atrasar o processo, enfraquecer a verdade e colocar em risco a resposta que a sociedade espera diante de um crime tão cruel. O ministro Gilmar Mendes reconheceu com clareza o risco concreto que a soltura de Monique representava e reafirmou a extrema gravidade desse caso — afirmou.
Leniel ressalta ainda que continua incansável na busca por justiça:
— Eu sigo lutando como pai, como vítima e como assistente de acusação. Não vou aceitar retrocessos, não vou me calar e não vou desistir em nenhuma hipótese. Essa é uma luta pela memória do meu filho Henry, pelo respeito à Justiça e por uma resposta firme do Estado diante de crimes praticados contra crianças. Quem ama um filho não abandona a busca por Justiça. E eu vou até o fim.
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