Sede excessiva, cansaço frequente e vontade de urinar mais vezes podem estar associados ao aumento da glicose no sangue
Sede constante, cansaço, visão embaçada e feridas que demoram a cicatrizar nem sempre recebem a devida atenção na correria do dia a dia. Quando persistem ou aparecem juntos, porém, esses sinais merecem um olhar mais cuidadoso, pois podem indicar alterações nos níveis de glicose no sangue.
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A glicose é uma importante fonte de energia para o organismo, e a insulina ajuda a regular sua concentração no sangue. Quando o corpo não produz insulina suficiente ou não consegue utilizá-la adequadamente, a glicemia pode permanecer elevada. A elevação persistente é uma característica do diabetes e, ao longo do tempo, pode causar complicações nos olhos, rins, nervos, coração e artérias.
Segundo Liege Priscila Sledz Reinert, coordenadora do curso de Biomedicina da Faculdade Anhanguera de Joinville, alguns sinais podem ser confundidos com consequências do estresse, do calor, da alimentação ou de uma rotina cansativa.
“Os sintomas nem sempre aparecem com grande intensidade ou todos ao mesmo tempo. Muitas vezes, a pessoa se acostuma com pequenas mudanças no organismo e demora a procurar avaliação. O mais importante é observar a persistência dos sinais, especialmente quando mais de um deles ocorre em conjunto”, explica a coordenadora.
A seguir, confira 7 sinais de alteração na glicemia que podem passar despercebidos!
Sentir mais sede em dias quentes ou após atividades físicas é uma resposta natural do organismo. O sinal de alerta surge quando a necessidade de beber água aumenta sem uma causa evidente e permanece ao longo dos dias. A sede constante está entre os principais sintomas associados ao diabetes e pode aparecer acompanhada do aumento da frequência urinária.
Ir mais vezes ao banheiro, inclusive durante a noite, também pode passar despercebido ou ser relacionado apenas ao aumento do consumo de líquidos. Quando essa mudança se torna recorrente, é importante buscar orientação profissional. “A sede excessiva e o aumento da quantidade de urina podem aparecer juntos. Isoladamente, esses sinais não confirmam uma alteração glicêmica, mas sua persistência justifica uma avaliação de saúde”, orienta Liege Priscila Sledz Reinert.
A sensação constante de falta de energia, mesmo após uma noite adequada de descanso, pode ser confundida com excesso de trabalho ou estresse. Fraqueza e fadiga estão entre os sintomas relacionados às alterações glicêmicas, embora também possam ter diversas outras causas. Por isso, o cansaço deve ser observado em conjunto com outros sinais e com possíveis mudanças recentes na saúde e na rotina.
Dificuldades temporárias para enxergar com nitidez podem ser atribuídas ao uso prolongado de telas, ao cansaço ou à necessidade de atualizar os óculos. No entanto, a visão embaçada também aparece entre os sintomas associados ao diabetes tipo 2. “Alterações visuais recorrentes não devem ser ignoradas. A avaliação é importante tanto para investigar possíveis mudanças na glicemia quanto para identificar outras condições que podem afetar a visão”, destaca a docente.
Pequenos cortes, arranhões ou machucados que levam mais tempo do que o habitual para cicatrizar merecem atenção. A demora na cicatrização consta entre os sinais relacionados ao diabetes tipo 2. Além de observar o tempo de recuperação, é importante acompanhar possíveis alterações na aparência da lesão e procurar um serviço de saúde diante de sinais de infecção.

Episódios frequentes de infecção na bexiga, nos rins ou na pele também podem estar associados ao diabetes tipo 2. “Quando uma infecção reaparece com frequência, o cuidado não deve se limitar ao tratamento de cada episódio. É importante investigar se existe algum fator contribuindo para essa recorrência”, afirma a especialista.
O formigamento nas extremidades pode ser provocado por diferentes condições, desde uma posição mantida por muito tempo até alterações circulatórias ou neurológicas. Quando recorrente, deve ser avaliado por um profissional. O formigamento nos pés e nas mãos está entre os sintomas relacionados ao diabetes tipo 2.
A presença de um ou mais desses sinais não confirma, isoladamente, uma alteração glicêmica ou um diagnóstico de diabetes. Os sintomas podem estar associados a diferentes condições e precisam ser avaliados por um profissional de saúde.
“Não é indicado concluir que a glicose está alta apenas com base nos sintomas. A confirmação depende de avaliação clínica e de exames adequados. Da mesma forma, a ausência de sinais perceptíveis não elimina a necessidade de acompanhamento, principalmente entre pessoas que apresentam fatores de risco”, esclarece a coordenadora.
Entre os fatores de risco estão histórico familiar de diabetes, diagnóstico de pré-diabetes, pressão alta, alterações no colesterol ou nos triglicérides, sobrepeso, diabetes gestacional, síndrome dos ovários policísticos, apneia do sono e uso de glicocorticoides.
A adoção de hábitos saudáveis contribui para a prevenção do diabetes tipo 2 e de outras doenças crônicas. Praticar atividades físicas regularmente, manter uma alimentação equilibrada, evitar o tabaco e moderar o consumo de bebidas alcoólicas estão entre os cuidados recomendados.
“A prevenção envolve constância. Mais do que mudanças radicais por um curto período, é importante construir hábitos que possam ser mantidos no dia a dia e realizar o acompanhamento de saúde indicado para cada pessoa”, conclui Liege Priscila Sledz Reinert. Diante de sintomas persistentes, a orientação é procurar um serviço de saúde para avaliação profissional.
Por Letícia Zuim Gonzalez
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