Orientação e diálogo ajudam no desenvolvimento de uma relação mais consciente com as plataformas digitais
Vídeos curtos, narrativas aceleradas e tendências virais passaram a fazer parte da rotina de crianças e adolescentes que utilizam as redes sociais. A associação entre aparência infantil e conteúdos adultos amplia o alcance, fazendo com que o consumo aconteça de forma contínua e muitas vezes automática. Contudo, isso pode trazer impactos para o comportamento, o aprendizado e a formação crítica dos mais jovens.
LEIA TAMBÉM
“Esse tipo de conteúdo chama atenção porque é fácil de entender, é visualmente atrativo e segue um padrão. O problema está na forma como temas complexos aparecem ali, muitas vezes sem contexto ou reflexão, o que ajuda a naturalizar comportamentos que exigem discussão”, explica Larissa Capito, especialista em Psicologia Escolar e da Educação e orientadora educacional do Colégio Santa Catarina (Mooca/SP).
A exposição recorrente a esse tipo de narrativa pode impactar a forma como crianças e adolescentes interpretam situações do mundo real, especialmente em uma fase na qual a consciência ética e moral ainda está em formação. “Os jovens passam de um vídeo para outro sem elaborar o que viram. Quando temas como violência ou desrespeito aparecem associados ao humor, há um risco de dessensibilização”, afirma.
Diante desse cenário, especialistas reforçam que o foco deve estar menos na proibição e mais na mediação do consumo. “Mais importante do que o tempo de tela é a qualidade do conteúdo e a presença de mediação. É preciso ajudá-los a entender o que estão assistindo, questionar e desenvolver senso crítico”, orienta Larissa Capito.
Na prática, algumas estratégias podem ajudar no dia a dia:

Além das questões relacionadas à formação de valores, o consumo frequente de vídeos curtos pode provocar efeitos comportamentais importantes. Isso acontece porque esses conteúdos operam com estímulos rápidos e recompensas imediatas, reduzindo o contato com experiências cognitivas mais complexas.
“Quando o cérebro se acostuma a esse ritmo, a capacidade de aprender é prejudicada. Há mais dificuldade de lidar com conteúdos que exigem abstração, compreensão e contexto”, reforça Larissa Capito. Ela destaca os principais prejuízos comportamentais associados ao consumo excessivo:
Por Nadja Cortes
+Lidas