Creatina não é para todo mundo: entenda quando o uso do suplemento faz sentido

Especialista em nutrição explica por que eficácia comprovada não significa indicação universal

Publicado em 12/10/2026, às 13h00
A creatina tem eficácia comprovada, mas não é necessária para todos (Imagem: xm4thx | Shutterstock)
A creatina tem eficácia comprovada, mas não é necessária para todos (Imagem: xm4thx | Shutterstock)

Por Redação EdiCase

Vídeos de rotina matinal, dicas de influenciadores e recomendações de amigos: a creatina está por toda parte nas redes sociais. Antes vista como um suplemento restrito ao universo esportivo, ela agora aparece no dia a dia de quem treina pesado, de quem se exercita de vez em quando e até de quem só quer cuidar melhor da saúde.

Entre os jovens da Geração Z, que consomem conteúdos de bem-estar em formato curto, a adesão é ainda mais visível. Diante de tanta popularidade, fica a pergunta: o suplemento é realmente indispensável para todos?

O que é a creatina?

A creatina é uma substância naturalmente presente no organismo e encontrada em alimentos, principalmente de origem animal. Ela participa do fornecimento de energia para os músculos e possui evidências científicas relacionadas à melhora do desempenho em determinados contextos de exercício. O problema, segundo Rafael Barleze, nutrition expert da Fitoway Company, começa quando uma informação verdadeira é transformada em uma recomendação que serve para qualquer pessoa.

“A creatina não virou hype porque não funciona. Ela é um suplemento com evidências científicas. O hype acontece quando os benefícios são generalizados, e a pessoa começa a consumir simplesmente porque todo mundo ao redor está usando. Existe uma diferença entre um suplemento ter eficácia comprovada e ele ser necessário para todos”, explica.

Mulher jovem de cabelos escuros, moletom cinza e legging, colocando uma dose de creatina em pó dentro de uma coqueteleira transparente, em um ambiente de academia com fundo escuro.
A suplementação com creatina não é necessária para todas as pessoas (Imagem: Edgar BJ | Shutterstock)

Do “todo mundo toma” ao “eu também vou tomar”

Nas redes sociais, o processo pode acontecer rapidamente: um influenciador mostra sua rotina, amigos começam a consumir, vídeos apresentam a creatina como parte obrigatória de uma vida saudável e, em pouco tempo, o suplemento deixa de ser percebido como uma ferramenta específica e passa a ser tratado como um hábito universal.

Para Rafael Barleze, esse comportamento merece atenção, principalmente entre os jovens. “A Geração Z tem acesso a muito mais informação sobre saúde do que as gerações anteriores, mas também está exposta a uma quantidade enorme de conteúdos que misturam ciência, experiência pessoal e marketing. Quando alguém diz ‘eu tomo e funciona para mim’, isso não significa que aquela mesma estratégia seja necessária para outra pessoa”, afirma.

A creatina pode fazer sentido, principalmente em contextos relacionados à prática de exercícios e desempenho físico, mas a decisão de utilizá-la deve considerar o perfil e os objetivos de cada indivíduo. Pessoas que não praticam atividade física, por exemplo, não deveriam começar a suplementar apenas porque o produto se tornou popular nas redes.

Creatina não substitui uma rotina saudável

Outro ponto é que o suplemento não substitui os fundamentos de uma rotina saudável. Alimentação adequada, atividade física, sono e acompanhamento profissional continuam sendo fatores importantes para quem busca saúde e desempenho.

“Antes de perguntar qual creatina comprar, vale perguntar por que você está pensando em tomar. É para melhorar o desempenho? Existe uma rotina de treinamento? Há uma necessidade específica? A suplementação precisa responder a uma necessidade real, e não apenas acompanhar uma tendência”, completa Rafael Barleze.

Para ele, o desafio da popularização é justamente preservar a informação científica no meio do hype. “A creatina pode ser uma ferramenta importante, mas transformar uma ferramenta em regra é o que gera desinformação. O objetivo não deveria ser fazer todo mundo consumir creatina, e sim fazer cada pessoa entender quando ela realmente pode fazer sentido”, conclui.

Por Gabriela Andrade

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