Um ano após o lançamento do crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada, o valor médio dos empréstimos caiu 73%, de R$ 8.600 para R$ 2.300, apesar do aumento na oferta de recursos e bancos participantes.
O juro médio do crédito consignado está em 3,2% ao mês, e a inadimplência na modalidade aumentou de 4,9% para 6,6%, refletindo um cenário de endividamento crescente entre os trabalhadores, com 78% deles comprometendo mais de 81% da renda com dívidas.
A contratação digital do crédito consignado permitiu acesso a mais trabalhadores, com o número de instituições financeiras ofertando crédito aumentando de 4 para 21, mas a necessidade de planejamento financeiro se torna crucial diante do aumento da inadimplência e do recorde de 82,8 milhões de inadimplentes no Brasil.
Um ano após seu lançamento, o crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada sofreu mudanças em seu perfil. Mesmo com maior oferta de recursos e bancos participantes, os valores tomados agora estão mais baixos. Um levantamento inédito feito pela Serasa Experian mostra que o valor médio dos empréstimos caiu 73%, passando de R$ 8.600 para R$ 2.300.
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O juro médio do crédito consignado CLT está em 3,2% ao mês, apontam dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mais baixo do que em outras modalidades, mas ainda acima de 110% ao ano.
Dados do Banco Central (BC), mostram que o volume mensal liberado em consignado privado passou de R$ 1,5 bilhão para quase R$ 11 bilhões após a implementação do chamado crédito do trabalhador. O salto toal dessa modalidade, segundo o BC, passou de R$ 110 bilhões em março, enquanto no ano passado estava em pouco mais de R$ 41 bilhões. A inadimplência na modalidade passou de 4,9% para 6,6% entre novembro de 2025 e março deste ano, segundo o BC.
Contratação digital
O consignado privado privado passou a permitir que funcionários da iniciativa privada, trabalhadores domésticos, rurais e Microempreendedores Individuais (MEIs) tenham acesso a empréstimos com desconto em folha e taxas de juros mais baixas. A contratação do recurso é feita de forma digital, diretamente pelo aplicativo da carteira de trabalho, sem necessidade de convênio direto entre a empresa empregadora e a instituição financeira ofertante dos recusos. O limite de comprometimento é de até 35% do salário do trabalhador.
O levantamento da Serasa Experian prazo médio dos contratos caiu 48% após a criação do programa, enquanto o número médio de instituições financeiras ofertando crédito por empresa foi de 4 para 21, indicando mais concorrência e a pulverização das concessões entre bancos. Com isso, o número de novos contratos saltou de cerca de 11 mil para mais de 25 mil no período analisado pela Serasa Experian.
— O primeiro ano do programa mostrou que existia uma demanda reprimida entre trabalhadores CLT, ao mesmo tempo em que exigiu das instituições financeiras uma adaptação para ofertar crédito em um ambiente mais amplo e competitivo — afirma Délber Lage, CEO da SalaryFits, empresa da Serasa Experian para gestão de benefícios com desconto em folha.
Inadimplência aumentou na modalidade
A pesquisa da Serasa, entretanto, mostrou um dado preocupante: o levantamento aponta que 78% dos trabalhadores que contrataram o novo consignado possuem mais de 81% da renda comprometida com dívidas de empréstimos e outras obrigações financeiras. A inadimplência na modalidade passou de 4,9% para 6,6% entre novembro de 2025 e março deste ano, segundo o BC.
— À medida que o consignado passa a fazer parte da rotina financeira de mais trabalhadores, cresce também a importância de planejamento e educação financeira para garantir decisões mais conscientes na contratação do crédito — diz Délber.
Em março, o Brasil registrou um novo recorde de 82,8 milhões de inadimplentes atingindo cerca de 49% da população adulta. O número de brasileiros negativados, no mesmo mês, passou dos 81 milhões, representando um aumento de quase 38% nos últimos dez anos. Entre os principais vilões do endividamento estão o cartão de crédito, mas aa falta de pagamento de contas de água, luz, gás e telefone) apareceram como o segundo maior motivo de inadimplência, segundo dados da Serasa. Um dado preocupante do Mapa da Inadimplência da Serasa é que cerca de 42% dos endividados carregam essa situação negativa há muitos anos.
O estudo também indicou que a adesão ao novo consignado privado foi maior entre perfis com menor histórico de acesso ao crédito. Segundo a análise da Serasa, 86% dos empréstimos foram contratados por trabalhadores das faixas mais baixas do score de crédito, enquanto apenas 21% dos tomadores tinham pontuação acima de 600.
O estudo da Serasa Experian analisou 191.798 contratos de empréstimo consignado privado vinculados a 88 empresas. Foram consideradas operações realizadas até abril de 2026, envolvendo 61 instituições financeiras.
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