A morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, durante uma prática de rope jump em São Paulo, reacende o debate sobre os perigos dessa modalidade, que já havia sido marcada pela morte de seu criador, Dan Osman, em 1998.
Dan Osman, famoso por suas escaladas radicais, desenvolveu o rope jump a partir de sua experiência em escaladas, criando um sistema de ancoragem que permitia quedas controladas, mas que também envolvia riscos significativos.
Após o acidente de Osman, investigações indicaram que a tragédia foi causada por uma alteração no ângulo do salto, que resultou no cruzamento das cordas e no rompimento da linha principal, levantando questões sobre a segurança na prática do esporte.
A tragédia que matou Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21, após falha durante a prática de rope jump (ou rope jumping) no interior de São Paulo reacendeu o debate sobre os riscos da modalidade. O episódio também traz à tona um detalhe marcante da história do esporte: seu criador, Dan Osman, morreu durante um salto em 1998.
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Quem foi Dan Osman? Nascido em 1963, Dan Osman construiu fama inicialmente como escalador e praticante de free solo, modalidade em que o atleta sobe paredões sem cordas de proteção. Fora das montanhas, trabalhava como carpinteiro.
Durante os anos 1980 e 1990, tornou-se conhecido por realizar ascensões extremamente rápidas e arriscadas em formações rochosas da Califórnia. Entre suas façanhas mais famosas estão as escaladas das rotas Atlantis, em Yosemite, e Bear's Reach, em Lover's Leap. Sua subida em Bear's Reach, por exemplo, foi concluída em pouco mais de 4 minutos.
A criação do rope jump nasceu justamente da experiência de Osman como escalador. Após anos sofrendo quedas controladas durante tentativas de escalada, ele passou a se interessar cada vez mais pela sensação da queda em si. Segundo o American Alpine Institute, o norte-americano percebeu que a descarga de adrenalina daquele momento era tão intensa quanto a conquista de uma escalada.
A partir daí, começou a desenvolver sistemas cada vez mais sofisticados de ancoragem. Passou a utilizar cordas dinâmicas de escalada, capazes de suportar quedas muito maiores do que as normalmente vistas no esporte.
O resultado foi uma modalidade que lembra o bungee jump, mas funciona de maneira diferente. Em vez de utilizar cordas elásticas que fazem o praticante subir e descer repetidamente, o rope jump emprega cordas de baixa elasticidade. Após a queda livre, o atleta é lançado em um grande movimento pendular, semelhante a um balanço gigante.
Com o passar dos anos, Osman ampliou seus sistemas e passou a realizar saltos de centenas de metros de altura. Em algumas ocasiões, superou a marca de mil pés de queda, equivalente a mais de 300 metros.
Em outubro de 1998, Dan Osman iniciou a preparação para o que seria o maior salto de sua carreira. Ao lado de amigos, instalou uma complexa estrutura de cordas entre a Leaning Tower e outra formação rochosa em Yosemite. Durante semanas, realizou saltos progressivamente mais longos para testar o sistema.
No dia 23 de novembro, decidiu fazer a tentativa final. Miles Daisher, amigo que acompanhava a operação, afirmou posteriormente à revista Tahoe Quarterly que estava preocupado com algumas mudanças feitas por Osman no projeto. "Ele estava saltando de um ângulo diferente do habitual", relatou. Segundo Daisher, o atleta também havia acrescentado cerca de 75 pés de corda ao sistema, o que faria com que a frenagem ocorresse muito mais próxima do solo do que nos saltos anteriores.
Pouco depois da contagem regressiva, Osman se lançou no vazio. O amigo acompanhou a queda observando a luz presa ao capacete desaparecer na escuridão. Em seguida, ouviu um som incomum vindo das cordas. Momentos depois, percebeu que algo havia dado errado.
As análises realizadas após o acidente indicaram que a tragédia provavelmente não foi provocada por defeitos de fabricação das cordas. A hipótese mais aceita aponta que uma alteração no ângulo do salto acabou mudando a distribuição das forças no sistema. Isso teria provocado o cruzamento de duas cordas durante a queda. O atrito gerado entre elas teria causado o rompimento da linha principal, fazendo com que Osman despencasse até o solo.
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