por Deisy Nascimento
Cuidar de um gato com qualidade em todas as fases da vida é uma forma de prepará-lo para envelhecer com mais saúde, conforto e bem-estar. Assim como acontece com os humanos, a terceira idade dos felinos traz mudanças físicas e comportamentais que precisam ser observadas com atenção e, muitas vezes, acompanhadas de adaptações na rotina e no ambiente.
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O envelhecimento faz parte da vida dos gatos, mas isso não significa que alterações de comportamento devam ser encaradas simplesmente como “coisas da idade”. Esconder-se mais, vocalizar durante a noite, urinar fora da caixa de areia, ficar mais irritado, diminuir a interação ou deixar de subir em lugares que antes frequentava podem ser sinais de que algo não está bem.
Para entender melhor essa fase e os cuidados necessários, eu conversei com a especialista em comportamento felino Syria Freitas, que explica que o envelhecimento pode envolver mudanças físicas, sensoriais, cognitivas e comportamentais.
Segundo a especialista, gatos idosos apresentam maior predisposição a problemas como doença renal crônica, hipertireoidismo, diabetes, hipertensão, doenças dentárias e osteoartrite. Por isso, o acompanhamento veterinário periódico se torna ainda mais importante nessa fase.
Um dos principais desafios é perceber quando o gato está sentindo dor. Como os felinos costumam esconder sinais de desconforto, pequenas mudanças na rotina podem ser importantes pistas. “Deixar de pular, apresentar dificuldade para entrar na caixa de areia, dormir mais, ficar irritado ao ser tocado ou reduzir os comportamentos de higiene podem estar relacionados à dor, especialmente em casos de problemas articulares”, explica Syria.
A especialista também chama atenção para as alterações nos sentidos. A redução da visão e da audição pode fazer com que o animal se assuste com mais facilidade. Já alterações cognitivas podem provocar mudanças no sono, desorientação, vocalização excessiva e modificações na interação com os tutores.
Com o avanço da idade, o ambiente também precisa acompanhar as novas necessidades do gato. Pequenas mudanças podem proporcionar mais segurança e autonomia.
Entre as recomendações estão:
Também é importante observar diariamente mudanças no apetite, consumo de água, urina, fezes, mobilidade, higiene e comportamento.
Para Syria Freitas, a chegada da velhice não deve significar que o gato precise abrir mão das atividades que sempre lhe deram prazer. O segredo está em adaptar essas experiências.
Se o felino gosta de observar a movimentação pela janela, por exemplo, o tutor pode facilitar o acesso ao local. Se prefere dormir em lugares altos, uma alternativa mais baixa e segura pode proporcionar a mesma experiência. “O enriquecimento ambiental continua sendo importante durante a velhice, mas deve ser individualizado”, destaca a especialista.
Mais do que prolongar os anos de vida, os cuidados ao longo de toda a trajetória do animal ajudam a proporcionar mais qualidade aos anos vividos. Com acompanhamento veterinário, ambiente adequado, atenção aos sinais do corpo e respeito ao ritmo de cada felino, a terceira idade pode ser uma fase confortável, segura e prazerosa.
Porque envelhecer faz parte da vida e todo gato merece envelhecer sendo cuidado, respeitado e, principalmente, podendo continuar sendo gato.
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