Contextualizando

"Defesa da democracia" - o discurso do STF para rebater críticas

Em 28 de Janeiro de 2026 às 18:00

Fazer uma apreciação ética das ligações de Toffoli com o caso Master é o que ajudaria o Supremo a manter sua integridade e a legitimidade democrática

Jornalista Roseann Kennedy:

“O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, quebrou o silêncio sobre as críticas à condução do ministro Dias Toffoli na relatoria do caso Master. Mas surpreendeu até o ambiente jurídico e acadêmico com o tom adotado.

A despeito de uma série de episódios que põem em suspeição o trabalho de Toffoli, o chefe do Judiciário considerou a atuação do magistrado regular. Até aí, o texto segue um script institucional. Estranho seria se Fachin ratificasse, numa nota pública, críticas aos pares.

Mas o ministro vai além e cede à tentação de adotar o discurso fácil de que atacar o Supremo é ameaçar a democracia.

‘Quem tenta desmoralizar o STF para corroer sua autoridade, a fim de provocar o caos e a diluição institucional, está atacando o próprio coração da democracia constitucional e do Estado de direito’, disse.

O Supremo não está sob ataque ou ameaça. Apenas enfrenta cobranças para que cumpra os deveres de transparência e correição de seus membros, da mesma forma que exige de seus jurisdicionados.

Toffoli viajou de jatinho particular com um advogado do banco de Daniel Vorcaro; seus familiares fizeram transações comerciais com um fundo ligado à Reag, gestora investigada por suas relações com o Master e numa operação sobre o PCC, dentre outras revelações que surgem a cada dia.

Fazer uma apreciação ética desses fatos é o que ajudaria o Supremo a manter sua integridade e a legitimidade democrática.

Então, embora Edson Fachin também diga que ‘a crítica é legítima e mesmo necessária’, o que vemos é o Supremo apelando ao discurso de defesa da democracia como escudo para manter seus supremos integrantes intocáveis.

O estrago que Dias Toffoli está causando à Suprema Corte causa incômodo entre outros magistrados. Mas Fachin tenta ganhar tempo para que medidas sejam tomadas – como a votação do código de conduta ou a eventual transferência do caso à 1ª instância – sem significar resposta imediata às pressões externas.

Tão logo Fachin publicou a nota, um ministro me falou: ‘O STF não pode desunir-se’. E, enquanto busca-se acalmar ânimos na própria Corte e uma saída honrosa para Toffoli no caso Master, a crise reputacional do Supremo aumenta.”

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