A defesa de Jair Bolsonaro desistiu de solicitar a suspensão de sua pena de 27 anos e três meses por envolvimento em uma tentativa de golpe, mantendo-o em prisão domiciliar enquanto a revisão criminal prossegue no STF.
Os advogados argumentaram que a condenação deveria ter sido julgada pelo plenário do Supremo, mas essa alegação foi rejeitada pelos ministros, que afirmaram que as Turmas têm competência para casos criminais desde uma mudança regimental em 2023.
Apesar da desistência do pedido, a revisão criminal continuará a ser discutida, com a defesa ressaltando que a manutenção da pena pode causar danos irreparáveis a Bolsonaro, que está sob restrição máxima devido à sua idade e saúde.
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro desistiu nesta quinta-feira (24) de pedir a suspensão da sua pena pela trama golpista. A desistência ocorre menos de três horas depois de o ex-chefe do Executivo ter feito o pedido ao ministro Kassio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal).
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Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF, em setembro do ano passado, a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe no país. O requerimento havia sido feito no âmbito de um pedido de revisão criminal que tramita desde maio sob relatoria de Kassio, mas que ainda não foi julgado.
Na prática, a desistência significa que a defesa de Bolsonaro não quer mais o que o Supremo suspenda imediatamente o cumprimento da pena enquanto a revisão criminal é analisada. Dessa forma, o ex-chefe do Executivo continuará em prisão domiciliar por enquanto.
Mesmo com o pedido cancelado, a revisão criminal seguirá sendo discutida pelos ministros. O objetivo é modificar a condenação de Bolsonaro por envolvimento no plano de golpe de Estado depois de perder as eleições em 2022.
Ao pedir para que a execução da pena de Bolsonaro fosse suspensa, a defesa do ex-presidente havia argumentado que a ação penal contra ele deveria ter sido julgada em plenário, com o quórum completo de ministros, e não na Turma, colegiado menor atualmente formado por apenas quatro integrantes.
De acordo com os advogados do ex-presidente, o regimento interno do Supremo prevê o plenário como o órgão competente para processar e julgar crimes comuns relacionados ao exercício das funções de presidente da República. Portanto, a pena fixada pela Primeira Turma seria ilegal.
Esse ponto foi debatido na ocasião do julgamento, mas os ministros rejeitaram as alegações da defesa. Segundo Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia, uma mudança regimental em 2023 deu às Turmas competência para casos criminais.
O único a discordar foi Luiz Fux, que à época ainda integrava a Primeira Turma. Isolado depois do julgamento, ele pediu transferência para a Segunda, onde hoje atua junto a Gilmar Mendes, André Mendonça, Dias Toffoli e o próprio Kassio.
No pedido, os advogados defendiam a suspensão da sentença pelo menos enquanto a revisão criminal não está sendo julgada em plenário. Eles citavam ainda a necessidade de "reparar o tempo de liberdade indevidamente subtraído" de Bolsonaro.
"Não é juridicamente aceitável permitir a execução de pena de 27 anos e 3 meses enquanto se discute, em revisão criminal, se o julgamento condenatório final foi proferido por órgão interno competente do Supremo", diz a petição, ajuizada nesta quinta.
"A execução da pena não deve prosseguir enquanto pende controvérsia jurídica séria, recente e qualificada sobre o órgão natural competente para formular o título condenatório. A competência do plenário, neste contexto, integra a garantia do juiz natural em sua dimensão orgânica."
Segundo a defesa, a condução do caso pela Primeira Turma apresentou outros problemas, como cerceamento de defesa e falta de acesso integral às provas, duas alegações que o colegiado também já rejeitou na época do julgamento.
A peça cita indiretamente os debates das investigações do Master. Os advogados apontam que esse assunto "ganhou os holofotes da mídia em recente episódio", quando um ministro criticou outro publicamente por não disponibilizar todo o acervo probatório necessário para analisar o caso.
Os nomes dos ministros em questão não foram mencionados, mas fazem referência a Moraes, que falou em "seletividade" de Mendonça na retirada do sigilo de informações do caso Master, após ordem o presidente do STF, Edson Fachin.
A defesa de Bolsonaro diz que o julgamento da ação penal da trama golpista "é muito mais grave do que os episódios mais recentes que estão em apreciação" no plenário da corte, pois agora Fachin acabou concedendo acesso integral a todas as provas.
Por fim, afirma que Bolsonaro tem 71 anos e está submetido a "restrição máxima". O documento diz que a manutenção da prisão pode significar "dano irreparável". "A liberdade indevidamente suprimida não se recompõe."
O ex-presidente cumpre pena em casa. Inicialmente, em novembro de 2025, ele ficou na superintendência da Polícia Federal em Brasília, sendo transferido em janeiro à Papudinha. Em março, devido a problemas de saúde, obteve aval de Moraes para a domiciliar.
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