O banqueiro Daniel Vorcaro colocou pela primeira vez um integrante do primeiro escalão do governo Luiz Inácio Lula da Silva no centro de sua proposta de delação premiada. Segundo informações obtidas pela investigação e publicadas pelo jornal O GLOBO, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, foi citado nas minutas entregues à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal. Vorcaro afirma ter destinado R$ 20 milhões em recursos de caixa dois para a campanha de reeleição do então senador mineiro em 2022.
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Apesar do impacto político da revelação, investigadores avaliam que o relato ainda carece de elementos fundamentais. Segundo fontes ligadas ao caso, Vorcaro não teria detalhado quais contrapartidas teriam sido oferecidas em troca do suposto repasse, nem apresentado informações consideradas suficientes para validar o trecho da colaboração. A fragilidade das informações tem sido apontada como um dos principais obstáculos para o avanço das negociações envolvendo sua delação.
Aliado de Lula e figura influente no PSD mineiro, Silveira disputou a reeleição ao Senado em 2022 na chapa liderada por Alexandre Kalil, mas acabou derrotado. Interlocutores do ministro afirmam que ele sequer conhecia Vorcaro naquele período e classificam a acusação como sem sentido. Não há registros no Tribunal Superior Eleitoral de doações oficiais do banqueiro ou de pessoas ligadas a ele para a campanha do atual ministro.
O nome de Silveira, no entanto, já apareceu em episódios envolvendo o universo de relações de Vorcaro. O ministro participou de reunião do banqueiro com Lula no Palácio do Planalto em dezembro de 2024 e também foi citado em reportagens que relataram encontros com empresários ligados ao ecossistema do Banco Master. Até agora, ele é o principal integrante do governo federal mencionado nas propostas de colaboração do ex-CEO do banco, ampliando a pressão política sobre uma investigação que já alcança empresários, autoridades e personagens influentes de Brasília.
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