Delegada revela o que disse ao prender mulher que fingia ser criança

Publicado em 13/06/2026, às 09h33
Amanda Maria Souza de Oliveira, mulher que fingia ser uma criança de 12 anos - Reprodução / Redes sociais
Amanda Maria Souza de Oliveira, mulher que fingia ser uma criança de 12 anos - Reprodução / Redes sociais

Por Folhapress

A delegada Luana Tamiozzo Medeiros relembrou, em entrevista ao UOL, por telefone, o dia em que prendeu e confrontou Amanda Maria Souza de Oliveira, mulher que fingia ser uma criança de 12 anos, em 2021.

Delegada da Polícia Civil atuava em Cachoeirinha (RS) na época. Ao UOL, ela contou que recebeu uma denúncia do Ministério Público sobre um suposto caso de abuso sexual infantil, de bruxaria ou, talvez, tortura.

"E, ao mesmo tempo, veio pra mim a notícia de um desaparecimento dessa menor", disse Luana Tamiozzo, delegada da Polícia Civil.

Agentes fizeram diligências investigativas para localizá-la. A delegada contou que a suposta menor tinha passado por vários abrigos e famílias no RS.

Quando eu e os policiais vimos o vídeo, a gente ficou pensando: 'meu Deus, mas não é uma criança, isso é uma mulher'. E ali já nos acendeu uma suspeita de que, talvez, aquilo não fosse uma investigação de um desaparecimento de menor, mas de um estelionato. Luana Tamiozzo, delegada da Polícia Civil

Delegada descobriu passado criminoso de mulher em outros estados. Na sequência, ela pediu a prisão preventiva de Amanda, mas ela permanecia foragida. Foi a funcionária de um hospital que acionou a polícia. Amanda -ela utilizava o nome falso de Gabriele- havia dado entrada no unidade hospitalar com várias agulhas no corpo.

"E aí, eu fui fazer a prisão dela com a minha equipe no hospital", disse Luana Tamiozzo, delegada da Polícia Civil.

Amanda foi levada para delegacia após alta. A mulher começou a falar com a equipe policial como se fosse uma criança durante o interrogatório. A delegada então reagiu.

"Ela começou a falar comigo como uma criança e eu disse, 'tá, Amanda, agora chega. Eu sei teu nome e eu sei que tu é uma mulher'. E aí, nisso, ela estava com a cabeça baixa. Ela levantou o rosto, me olhou bem nos olhos e disse: 'Então tá, delegada, vamos falar de mulher para mulher'. Já com uma voz de verdade, de mulher. Tanto que a minha policial ficou arrepiada na hora", disse Tamiozzo, delegada da Polícia Civil.

"A partir desse momento, ela confessou o crime para mim. Mas, a todo momento, dizendo que ela só queria ter uma família, não era por mal. Só que, nesse meio tempo, quando ela foi tentar fugir, ela acabou agredindo uma das pessoas que tinham adotado ela. Ela chegou a ameaçar também uma das famílias. Ela usou documento falso. Teve outros crimes, então ela acabou sendo indiciada por tudo isso. Pela falsidade, pelo estelionato, tudo. E eu acabei fazendo o indiciamento dela na mesma época", disse Tamiozzo, delegada da Polícia Civil.

Amanda foi presa em Joinville (SC). Ela é suspeita de se passar por uma criança de 12 anos e viver como filha adotiva de uma família por mais de um ano.

Polícia afirma que mulher chegou à família após procurar uma igreja. Na ocasião, ela relatou ao pastor que estava fugindo de maus-tratos. Sem documentos e se apresentando como adolescente, ela foi acolhida pela comunidade religiosa, que também a ajudou financeiramente.

Mulher viveu por 14 meses como filha adotiva. A família acreditava estar acolhendo uma menina que teria fugido do Pará devido aos maus-tratos. Durante esse período, ela dizia se chamar Gabriele e foi tratada como uma menor dentro de casa.

Ela teria alegado falsamente ter autismo e outras condições clínicas. A investigação diz que ela também afirmava que os traços físicos seriam consequência de uso forçado de hormônios na infância e relatava ter sido abusada.

Encenação incluiu uma comemoração para marcar o suposto aniversário de 12 anos, segundo a Polícia Civil. A família também montou um quarto com decoração e chegou a fornecer remédio para emagrecer para a mulher.

A Polícia Civil prendeu a mulher na terça-feira (2). A investigação aponta que ela já teria aplicado golpes semelhantes em outros estados. Há registros, segundo a polícia, em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.

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