Dia do Professor: conheça direitos importantes da profissão

Advogada explica o que a legislação prevê para a categoria sobre aposentadoria, jornada e saúde no trabalho

Publicado em 15/10/2026, às 11h00
Os direitos dos professores também são fundamentais para que eles possam desempenhar um bom trabalho (Imagem: Miljan Zivkovic | Shutterstock)
Os direitos dos professores também são fundamentais para que eles possam desempenhar um bom trabalho (Imagem: Miljan Zivkovic | Shutterstock)

Por Redação EdiCase

Ser professor não significa trabalhar apenas durante o período em que está em sala. Preparação de aulas, correção de atividades, reuniões, elaboração de materiais e outras tarefas fazem parte da rotina profissional e levantam dúvidas sobre jornada, remuneração, aposentadoria e condições de trabalho. No Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro, esses direitos ganham espaço em uma discussão que interessa não apenas à categoria, mas também a quem trabalha na área da educação. Veja abaixo.

1. Regras da aposentadoria

Entre os principais pontos de atenção está a aposentadoria. Professores da educação básica que atendam aos requisitos previstos na legislação possuem regras previdenciárias diferenciadas em relação a outros trabalhadores. Após a Reforma da Previdência de 2019, no entanto, passaram a existir diferentes requisitos e regras de transição, o que torna importante analisar individualmente a situação de cada profissional.

“A ideia de que todo professor simplesmente se aposenta mais cedo não conta toda a história. Existem requisitos específicos, regras de transição e situações de direito adquirido que precisam ser observados. Para saber qual regra se aplica, é necessário considerar fatores como idade, tempo de contribuição e o momento em que o profissional começou a contribuir”, explica Silvia Correia, advogada trabalhista e professora universitária.

2. Jornada de trabalho

A jornada de trabalho é outro ponto que merece atenção. O trabalho docente não se limita ao período diante dos alunos. Atividades como planejamento, correção de provas, preparação de aulas e reuniões podem integrar a rotina profissional e devem ser analisadas de acordo com o vínculo e as regras aplicáveis a cada caso.

“É importante diferenciar o tempo em sala de aula do conjunto de atividades que fazem parte do trabalho docente. O professor não deixa de estar trabalhando porque está preparando uma aula em outro ambiente. A forma como essas atividades são organizadas e contabilizadas precisa observar a legislação e as condições previstas no contrato ou no regime de trabalho”, afirma Silvia Correia.

3. Saúde no trabalho

A saúde também entrou de vez no debate sobre direitos trabalhistas dos professores. A rotina de ensino pode envolver demandas emocionais, cobranças, necessidade de planejamento constante e diferentes desafios dentro e fora da sala de aula. Quando essas situações se tornam prolongadas ou excessivas, podem contribuir para quadros de estresse e esgotamento.

O burnout é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um fenômeno associado ao contexto ocupacional. No caso dos professores, a análise de um eventual adoecimento relacionado ao trabalho depende das circunstâncias concretas e não pode ser presumida apenas pela existência de uma rotina profissional intensa.

“Não é adequado tratar o adoecimento profissional apenas como uma questão individual, mas também não se pode presumir que toda situação de estresse caracterize uma doença ocupacional ou gere responsabilidade do empregador. É preciso avaliar o contexto, as condições de trabalho, os documentos e as circunstâncias específicas de cada caso”, ressalta a advogada.

Mulher com cabelo loiro, curto, usando camisa de botões laranja mexendo no computador
As regras relacionadas à jornada extraclasse devem ser claras no contrato de trabalho do professor (Imagem: ViDI Studio | Shutterstock)

4. Jornada extraclasse

Outro aspecto importante é a jornada extraclasse. Para Silvia Correia, o professor deve conhecer as regras que disciplinam seu vínculo e entender quais atividades fazem parte de sua jornada.

“Conhecer a própria jornada é uma forma de exercer cidadania profissional. O professor precisa saber quais atividades estão previstas, como seu tempo de trabalho é organizado e quais são as regras aplicáveis ao seu contrato ou regime. Em caso de dúvida, vale buscar orientação antes que uma situação se transforme em um conflito”, orienta.

5. Regras podem variar

Também é importante lembrar que os direitos podem variar conforme a rede de ensino, o regime de contratação e as características da atividade. Professores da rede pública, da rede privada e profissionais submetidos a diferentes regimes podem estar sujeitos a regras distintas.

Por isso, informações gerais não substituem a análise individual. Um mesmo problema pode ter consequências jurídicas diferentes dependendo do vínculo, do contrato, da legislação aplicável e das circunstâncias concretas.

Conheça os seus direitos

No Dia do Professor, a discussão sobre valorização da categoria passa também pelo conhecimento dos próprios direitos. Mais do que uma homenagem, a data pode servir como oportunidade para que profissionais da educação conheçam melhor as regras que envolvem sua vida profissional.

“Informação é uma ferramenta importante para o trabalhador. O professor que conhece seus direitos consegue identificar com mais clareza quando está diante de uma situação que faz parte da rotina profissional e quando existe uma questão que merece ser analisada juridicamente. Isso ajuda a tomar decisões mais conscientes e buscar orientação adequada quando necessário”, finaliza Silvia Correia.

Por Rayssa Martins

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