Diploma não encerra formação: mercado de trabalho impulsiona busca por atualização profissional no Brasil

País terá de qualificar 14 milhões de profissionais até 2027, enquanto 66,8% dos novos alunos do ensino superior já ingressam pela modalidade a distância

Publicado em 19/10/2026, às 12h00
A atualização profissional é um processo contínuo que deve acompanhar o trabalhador mesmo após o início da carreira (Imagem: ImYanis | Shutterstock)
A atualização profissional é um processo contínuo que deve acompanhar o trabalhador mesmo após o início da carreira (Imagem: ImYanis | Shutterstock)

Por Redação EdiCase

A relação dos profissionais com a formação está mudando. Se durante décadas a graduação foi vista como principal etapa de preparação para o mercado de trabalho, a necessidade de atualização constante vem transformando a qualificação em um processo contínuo. Cursos de curta duração, congressos, eventos profissionais e conteúdos digitais passam a fazer parte da trajetória de quem precisa acompanhar mudanças cada vez mais rápidas nas diferentes áreas de atuação.

Segundo o Mapa do Trabalho Industrial 2025-2027, elaborado pelo Senai, o Brasil precisará qualificar 14 milhões de profissionais até 2027, sendo 2,2 milhões em formação inicial e 11,8 milhões em ações de requalificação de trabalhadores que já estão empregados.

“Durante muito tempo, a formação profissional foi pensada como uma etapa que antecedia a entrada no mercado. Hoje, ela precisa acompanhar a carreira. O profissional não pode mais esperar alguns anos para voltar a estudar, porque as competências exigidas pelo mercado também mudam nesse intervalo”, afirma Luiz Gustavo Borges, CEO e fundador da Congresse.me, EdTech voltada à realização de congressos e eventos 100% online.

Ensino a distância se destaca entre os brasileiros

A transformação também aparece na maneira como os brasileiros acessam a educação. No país, 66,8% dos 5 milhões de ingressantes no ensino superior em 2024 entraram por cursos a distância, segundo a edição 2026 do Mapa do Ensino Superior, elaborado pelo Instituto Semesp com base no Censo da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Entre 2023 e 2024, as matrículas em cursos a distância no Brasil cresceram 5,6%, enquanto as presenciais recuaram 0,5%. Com isso, o Ensino a Distância (EAD) passou pela primeira vez a responder pela maior parte do estoque total: são 10,2 milhões de matrículas, sendo 50,7% a distância e 49,3% presenciais.

Para Luiz Gustavo Borges, o comportamento observado no ensino superior ajuda a entender também a expansão de outros formatos de aprendizagem. “O digital não substituiu necessariamente a experiência presencial, mas mudou a expectativa do público. As pessoas passaram a buscar conhecimento que possa ser acessado de acordo com sua rotina, seja em um evento, em uma aula gravada, em um curso ou em uma combinação desses formatos”, explica.

Mulher com cabelo cacheado curto, usando camisa de manga longa na cor ocre, usando óculos transparente com mão no queixo olhando para tela de notebook
A inteligência artificial e outras ferramentas digitais passaram a atuar como aliadas dos organizadores, produtores de conteúdo e empresas (Imagem: fizkes | Shutterstock)

Inteligência artificial reduz custos de quem produz eventos e cursos

O crescimento acelerado do setor, especialmente durante a pandemia da covid-19, trouxe ao mercado soluções e conteúdos de baixa qualidade, o que desgastou a percepção do evento digital. Com isso, ficou evidente que não bastava oferecer a transmissão, mas também construir experiências relevantes.

Paralelamente, o crescente aumento dos custos com equipes de tecnologia, design, marketing e operações surgia como uma barreira. Nesse cenário, a inteligência artificial e outras ferramentas digitais passaram a atuar como aliadas dos organizadores, produtores de conteúdo e empresas que precisam operar com mais agilidade e integração.

Na criação, por exemplo, é possível transformar informações básicas ou um vídeo gravado em páginas profissionais, com conteúdo, módulos, área de acesso, checkout, certificado e materiais de comunicação organizados. Na divulgação, esses recursos geram textos, artes e conteúdo para redes sociais, e-mail e WhatsApp. Já na entrega, fazem transcrições e traduções e convertem aulas gravadas em apresentações e e-books de apoio.

“Hoje é possível em poucos minutos criar a primeira estrutura de um produto, podendo ir ao ar no mesmo dia, o que reduz custos e abre espaço para que especialistas e instituições foquem as informações, levando seu conhecimento ao público sem depender de grandes estruturas”, pontua Luiz Gustavo Borges.

Acesso ao conhecimento fora dos grandes centros

A expansão dos formatos digitais também tem impacto sobre profissionais que vivem fora dos grandes centros urbanos. Eventos online, aulas gravadas e plataformas de conhecimento permitem que especialistas e profissionais de diferentes regiões se conectem sem que o deslocamento seja necessariamente uma barreira.

“Quando um especialista consegue compartilhar conhecimento com pessoas de diferentes cidades ao mesmo tempo, a geografia deixa de ser um limitador tão forte. Isso é especialmente relevante para quem está no interior e nem sempre tem acesso presencial às mesmas oportunidades de formação disponíveis nas grandes cidades”, destaca o executivo.

Por Leonardo Guariso

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