Algumas condições apresentam importante componente genético, especialmente quando surgem em idade precoce ou acometem vários membros da mesma família
Receber a notícia de que o pai foi diagnosticado com uma doença neurológica costuma despertar uma preocupação imediata sobre a possibilidade de desenvolver a mesma condição no futuro, devido à genética. Apesar de isso depender de diversos fatores, uma coisa é certa: o histórico familiar pode fornecer informações importantes sobre o risco individual e merece ser considerado durante a avaliação médica.
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Embora muitas doenças neurológicas sejam influenciadas pelo envelhecimento e por fatores ambientais, algumas apresentam importante componente genético, especialmente quando surgem em idade precoce ou acometem vários membros da mesma família.
Segundo o médico Dr. Pedro Andrade, especialista em Medicina de Precisão, pesquisador e fundador do Instituto Genoma, conhecer o histórico de saúde do pai pode ser decisivo para identificar pessoas que precisam de um acompanhamento diferenciado.
“A genética não determina o futuro, mas oferece informações valiosas sobre predisposições. Quando existe um histórico familiar de determinadas doenças neurológicas, principalmente em parentes de primeiro grau, conseguimos avaliar o risco de forma mais precisa e, em alguns casos, antecipar estratégias de prevenção e monitoramento”, explica.
O médico ressalta que nem todo diagnóstico feito no pai significa que os filhos terão o mesmo problema. “É importante evitar conclusões precipitadas. A maioria dos casos de doenças neurológicas ocorre de forma esporádica, sem uma causa hereditária identificável. O papel da avaliação médica é justamente diferenciar quando existe um componente genético relevante e quando o risco permanece semelhante ao da população em geral”, afirma.
A maior parte dos casos de Alzheimer está relacionada ao envelhecimento. Entretanto, existe uma pequena parcela de pacientes que desenvolvem a doença precocemente, geralmente antes dos 65 anos, em razão de alterações genéticas hereditárias.
“Quando o pai desenvolve Alzheimer muito cedo ou existem vários casos em diferentes gerações da família, é importante investigar a possibilidade de uma forma hereditária. Nessas situações, o aconselhamento genético pode esclarecer o risco para os filhos”, explica o Dr. Pedro Andrade.

Assim como acontece no Alzheimer, a maioria dos casos de Parkinson não é hereditária. Ainda assim, variantes genéticas já identificadas pela ciência podem aumentar a predisposição para a doença em algumas famílias.
“Quando observamos Parkinson em vários familiares ou em pessoas relativamente jovens, a investigação genética pode ajudar a compreender se existe uma predisposição hereditária envolvida”, destaca o especialista.
Entre as condições neurológicas hereditárias, a doença de Huntington é considerada um dos exemplos mais clássicos. Causada por uma alteração em um único gene, ela apresenta herança autossômica dominante, o que significa que um pai portador da mutação tem aproximadamente 50% de chance de transmiti-la a cada filho.
“Nesses casos, o aconselhamento genético é fundamental para que os familiares compreendam os riscos, tenham acesso às informações corretas e possam tomar decisões conscientes sobre acompanhamento e planejamento familiar”, afirma o Dr. Pedro Andrade.
Além dessas condições, algumas formas de esclerose lateral amiotrófica (ELA), neuropatias hereditárias, ataxias e outras doenças neurodegenerativas também podem estar relacionadas a alterações genéticas específicas.
“Cada doença possui um padrão diferente de herança. Por isso, não existe uma regra única. A avaliação deve ser individualizada, considerando idade de início, número de familiares afetados e características clínicas”, explica o especialista.
Segundo o Dr. Pedro Andrade, alguns sinais justificam uma avaliação mais detalhada após o diagnóstico do pai:
“Esses antecedentes não significam que o filho desenvolverá obrigatoriamente a doença, mas indicam que vale a pena procurar orientação especializada para entender qual é o risco real”, afirma o médico.
Com os avanços da genética, os testes moleculares passaram a ser importantes aliados na investigação de famílias com histórico de doenças neurológicas hereditárias. “A Medicina de Precisão permite integrar informações genéticas, histórico familiar e características clínicas para definir o melhor acompanhamento para cada pessoa. Em muitos casos, o maior benefício não é prever uma doença, mas oferecer oportunidades de prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento personalizado”, explica o Dr. Pedro Andrade.
Para o especialista, conhecer o diagnóstico do pai pode representar muito mais do que preocupação: pode ser uma oportunidade de cuidar da própria saúde de forma antecipada.
“O histórico familiar não deve gerar medo, mas consciência. Quanto mais conhecemos nossa história genética, maiores são as possibilidades de adotar estratégias preventivas, realizar o acompanhamento adequado e oferecer um cuidado personalizado. Na Medicina de Precisão, a informação é uma das ferramentas mais importantes para proteger a saúde das próximas gerações”, conclui o Dr. Pedro Andrade.
Por Daiane Bombarda
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