Doméstica é resgatada de casa após 52 anos sem salário e receberá R$ 645 mil de família

Publicado em 22/07/2026, às 13h44
Ministério Público do Trabalho entrou no caso - Reprodução
Ministério Público do Trabalho entrou no caso - Reprodução

Por Yuri Eiras / Folhapress

Uma mulher de 69 anos foi resgatada em Nova Iguaçu, RJ, após 52 anos de trabalho não remunerado, classificado como análogo à escravidão pelo MPT-RJ. Os empregadores alegaram que ela era parte da família e não trabalhava, mas assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta para pagar R$ 645 mil à vítima.

O acordo inclui R$ 500 mil de indenização, com R$ 60 mil pagos imediatamente e o restante em parcelas mensais, além de pensão vitalícia de 75% do salário mínimo. A mulher, que nunca teve acesso à educação ou plano de saúde, foi resgatada após denúncia anônima ao Disque 100.

Após o resgate, a mulher está abrigada em local seguro, enquanto o MPT-RJ investiga as condições de trabalho e a situação de outros casos semelhantes, como o de uma mulher de 62 anos resgatada no Ceará, que também trabalhou por mais de 50 anos sem remuneração.

Resumo gerado por IA

Uma mulher de 69 anos foi resgatada de situação classificada pelo MPT-RJ (Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro) como análoga à escravidão em uma casa no município de Nova Iguaçu (Região Metropolitana do Rio de Janeiro). Ela trabalhou sem ser remunerada por 52 anos, afirmam os procuradores.

A justificativa dos empregadores foi de que a mulher era parte da família e não trabalhava, apenas ajudava. Eles assinaram um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) que prevê pagamento de aproximadamente R$ 645 mil à mulher.

O valor se refere a R$ 500 mil de indenização que os empregadores se comprometeram a repassar, sendo R$ 60 mil pagos imediatamente e o restante em 60 parcelas de R$ 5.239,65 por mês. O cálculo também inclui o recolhimento dos depósitos de FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) de 2015 a 2026.

Além da indenização, foi determinado pagamento de pensão vitalícia equivalente a 75% do salário mínimo.

A trabalhadora doméstica, que não teve o nome revelado, foi resgatada no dia 14 de julho por força-tarefa formada pela Promotoria, o Ministério do Trabalho e a Polícia Federal. Ela nunca havia estudado nem recebido remuneração —apenas comida e moradia, afirma o Ministério Público do Trabalho.

"Ela não possuía plano de saúde, como os outros membros da família, e nunca tinha estudado, diferentemente do outro empregador, que conseguiu se formar, ter ensino superior e uma posição destacada na sociedade", afirma a procuradora do trabalho Tathiene Menezes.

A mulher saiu da residência após o resgate e está abrigada em local seguro, segundo o MPT.
O caso chegou ao MPT-RJ em denúncia anônima feita no Disque 100, canal de denúncias sobre violação de direitos humanos. Na visita, a equipe da Promotoria afirma ter encontrado a empregada e a empregadora na residência e tomou depoimentos de ambas em separado. Na casa também vive o filho da empregadora, considerado outro empregador.

O Ministério Público do Trabalho diz ter descoberto que a trabalhadora era responsável pelos afazeres domésticos da casa e por cuidar dos animais de estimação. No passado, ela fora obrigada a cuidar do filho da empregadora, e até o resgate estava responsável por cuidar da empregadora, que é idosa e possui problemas de saúde, segundo os procuradores.

No início do mês, uma mulher de 62 anos foi resgatada de uma situação apontada como trabalho análogo à escravidão após atuar por mais de 50 anos como empregada doméstica, sem remuneração, para uma mesma família no Ceará. Ela começou a trabalhar em 1971, quando tinha sete anos, e permaneceu vinculada à família até junho deste ano, sem salário regular, sem acesso à educação e em condição de dependência econômica.

Gostou? Compartilhe