Dono da Choquei diz receber R$ 300 mil por mês e que conhece MC Ryan apenas profissionalmente

Publicado em 29/04/2026, às 09h47
Reprodução/Instagram
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Por Bárbara Sá/Folhapress

Raphael Sousa Oliveira, dono da página Choquei, declarou à Polícia Federal que sua renda mensal é de R$ 300 mil, enquanto é investigado por um esquema de lavagem de dinheiro de R$ 1,6 bilhão, que envolve também funkeiros conhecidos.

A investigação aponta que cerca de R$ 790 milhões podem ter origem em apostas e rifas ilegais, além de repasses de facções criminosas, com Oliveira atuando como operador de mídia para promover conteúdos relacionados a esses esquemas.

Oliveira e outros 39 alvos foram alvo de mandados de prisão na Operação Narco Fluxo, e sua defesa afirma que ele está colaborando com as investigações, alegando que suas receitas são provenientes de relações comerciais regulares e que não tem conhecimento de atividades ilícitas.

Resumo gerado por IA

O dono pela página Choquei, Raphael Sousa Oliveira, afirmou à PF (Polícia Federal) ter renda mensal de R$ 300 mil e que publicações feitas no perfil "não tinham o objetivo de abafar crises", em investigação que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro de R$ 1,6 bilhão.

O empresário declarou à PF que atua há 12 anos no ramo de publicidade e marketing e que recebe valores por meio da venda de espaço publicitário na página, com conteúdos publicados a pedido de contratantes.

A investigação levou à cadeia, além do empresário, os funkeiros Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, e Marlon Brendon Coelho Couto Silva, o MC Poze do Rodo.

Segundo a Polícia Federal, há indícios da existência de uma organização criminosa estruturada para lavar dinheiro de apostas e rifas ilegais. Do total movimentado, aproximadamente R$ 790 milhões teriam origem em valores de apostadores, vítimas de rifas ilegais, repasses feitos por facções criminosas e depósitos em espécie sem identificação, que teriam sido direcionados às contas dos investigados.

O advogado de Raphael Sousa Oliveira, Pedro Paulo de Medeiros, disse à Folha de S.Paulo que "as receitas decorrentes da atuação profissional provêm de relações comerciais regulares" e que "não há recebimento de valores de origem ilícita, tampouco operações destinadas a ocultar ou a dissimular a natureza" dos recursos.

O advogado afirmou ainda que não confirma valores nominais por envolverem "dados protegidos por sigilo fiscal e bancário".

No depoimento, o dono da Choquei destacou que "não é assalariado" e que o faturamento da empresa é transferido para suas contas de pessoa física. Ele também declarou que, em alguns casos, recebeu valores diretamente em conta pessoal por serviços prestados.

O empresário disse ainda que houve omissão desses valores na declaração de imposto de renda. De acordo com ele em depoimento, "houve omissão na declaração nesses casos", ao se referir a pagamentos recebidos fora da conta da empresa.

Oliveira afirmou que suas declarações de imposto de renda são feitas regularmente por seu contador e que, de modo geral, os bens, direitos e valores foram informados corretamente à Receita Federal.

A PF questionou o empresário sobre a relação com outros investigados. Oliveira disse conhecer Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, apenas profissionalmente, como contratante de espaço publicitário.

Sobre Marlon Brendon Coelho Couto Silva, o MC Poze do Rodo, afirmou conhecê-lo apenas pelas redes sociais.

O empresário também declarou que "os conteúdos publicados são feitos de acordo com o pedido do contratante" e que sua empresa "recebe para publicar o que lhe é solicitado", acrescentando que há um filtro, mas que o teor é definido por quem contrata.

Em relação à dinâmica de comunicação, Raphael afirmou que "não participou de grupos de mensagens (WhatsApp, Telegram, Signal ou outros) relacionados a operações financeiras, remessas ou transporte de valores" com as pessoas investigadas.

Declarou ainda que não tem conhecimento sobre a origem de valores movimentados por outros investigados. Em relação a práticas investigadas, como fracionamento de valores, uso de interpostas pessoas e conversão de recursos em criptoativos, disse não ter conhecimento ou envolvimento.

ENTENDA AS ACUSAÇÕES
Raphael é um dos 39 alvos de mandados de prisão expedidos pela Justiça Federal no âmbito da Operação Narco Fluxo.

Segundo a PF, profissionais do meio musical com milhares de seguidores nas redes sociais criaram um sistema sofisticado e complexo para movimentar recursos ilícitos. Raphael, segundo a investigação, teria um papel de operador de mídia.

A Choquei tem 27,1 milhões de seguidores no Instagram e 9,4 milhões no X e se apresenta como um meio para "fofocas exclusivas", com informações sobre celebridades, bastidores de programas de televisão e novidades do setor de entretenimento. A página pessoal dele tem 1,4 milhão de seguidores no Instagram.

O administrador da página é descrito na apuração como responsável por divulgar conteúdos favoráveis ao cantor MC Ryan SP, apontado como centro da estrutura, além de promover plataformas de apostas e rifas digitais.

A decisão da Justiça afirma que Raphael recebia "altos valores" de integrantes do grupo, em troca da atuação como operador de mídia, que consistia na divulgação de conteúdos, promoção de apostas e gestão de imagem. Não foi especificado o valor recebido.

No depoimento, o empresário afirmou não ter conhecimento de eventual esquema criminoso e disse não possuir informações que possam contribuir com a apuração. Segundo o depoimento, ele nunca foi preso ou processado criminalmente.

Por meio de nota, a defesa afirmou que eventuais valores recebidos por pessoa física "são identificados, conciliados contabilmente pela pessoa jurídica e tratados como distribuição de lucros ao sócio", modelo que, segundo o advogado, é "lícito e usual no segmento".

A defesa disse que essa dinâmica "é frequente em relações comerciais regulares", especialmente quando há intermediação por agências ou empresas do setor.

Por fim, a defesa afirmou que Raphael "compareceu espontaneamente" à Polícia Federal, prestou esclarecimentos e "permanece à disposição para colaborar com a apuração", acrescentando que a análise do caso deve considerar o conjunto completo de elementos.

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