Entenda como o cansaço constante é resultado da dificuldade para desacelerar, mesmo nos momentos de pausa
Para algumas pessoas, é comum acordar cansado, passar o dia tentando recuperar a energia e, mesmo depois de uma noite inteira de sono, sentir que continua exausto. No entanto, esse não é um problema de falta de descanso, mas um sinal de que a mente está sobrecarregada.
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Em um cenário marcado por excesso de informações, cobranças constantes, notificações e uma rotina cada vez mais acelerada, cresce o número de pessoas que convivem com um tipo de exaustão que vai além do físico. Trata-se da sobrecarga mental, um estado em que o cérebro permanece em alerta por tempo prolongado e encontra dificuldade para desacelerar, mesmo nos momentos de pausa.
Segundo o psicanalista e neuropsicólogo Jorge Guedes, esse quadro pode passar despercebido no início justamente porque muitas pessoas acreditam que basta dormir algumas horas para recuperar a disposição. No entanto, quando o cérebro permanece constantemente ocupado com preocupações, decisões e estímulos, o descanso nem sempre é suficiente para restaurar a energia mental.
“Vivemos uma época em que descansar deixou de significar, necessariamente, recuperar a mente. Muitas pessoas interrompem o trabalho, mas continuam conectadas emocionalmente às responsabilidades por meio do celular, das redes sociais ou das preocupações constantes. O cérebro praticamente não encontra espaço para respirar”, explica.
Além do cansaço persistente, outros sinais costumam aparecer gradualmente, como dificuldade de concentração, esquecimentos frequentes, irritabilidade, sensação de improdutividade, perda de motivação e até alterações no sono. Em muitos casos, a pessoa continua realizando suas atividades normalmente, mas com a sensação constante de estar funcionando “no automático”.
Embora a sobrecarga mental possa afetar qualquer pessoa, ela costuma ser mais frequente entre profissionais que acumulam múltiplas funções, cuidadores, pais e mães, além de pessoas submetidas a altos níveis de cobrança pessoal.

Embora cada caso deva ser avaliado individualmente, algumas mudanças de hábitos podem ajudar a proteger a saúde mental:
“Quando o cansaço deixa de ser passageiro e começa a comprometer a qualidade de vida, o desempenho no trabalho ou os relacionamentos, buscar ajuda profissional é um passo importante”, finaliza Jorge Guedes.
Mais do que descansar o corpo, o cérebro também precisa de momentos reais de pausa. Reconhecer esse limite não é sinal de fraqueza, é uma forma de cuidar da própria saúde antes que a sobrecarga se transforme em um problema maior.
Por Ana Carolina Baili