Contextualizando

Brasil, um país que sufoca seus próprios heróis

Em 22 de Fevereiro de 2026 às 17:12

Texto de Oscar Filho:

"A gente tem uma máxima aqui no Brasil:

“O brasileiro precisa ser estudado pela NASA”.

E se eles forem estudar, vão ter verba pra isso. Diferente da gente. 

Olha o que está acontecendo com a Dra. Tatiana Sampaio.

A equipe dela pediu patente em 2007 de uma moléula com potencial para regeneração neural.

Você entendeu que ela descobriu uma forma de estimular regeneração neural? Só na internet, tem um monte de usuário precisando de renovar os neurônios.*

A patente saiu 18 anos depois. Só que patente dura 20. Quando reconhecem, já tá quase vencendo. É tipo medalha com prazo de validade.

Só que a internacional a gente perdeu porque faltou dinheiro. Motivo? Cortaram verba. Ciência no Brasil virou 'gasto'.

Ela podia ter seguido o manual da burocracia brasileira: 'não é comigo'. Mas não. Enquanto o Estado cruzava os braços, ela abria a carteira.

E a gente passa horas rolando o feed nas redes sociais curtindo influencer que não produz absolutamente nada estrutural pro país.

A gente é escravo de algoritmo. Trabalha de graça para dar palco, engajamento e dinheiro para quem dança, fala do que não sabe e vende cupom.

O engenheiro Ozires Silva contou no Roda Viva que ouviu de três membros do Comitê Nobel o seguinte:

“Os brasileiros são destruidores de heróis. Quando aparece um candidato brasileiro, todo mundo joga pedra, os brasileiros”.

Talvez não seja destruição ativa. Talvez seja só indiferença crônica.

Ou seja, a gente não enforca, a gente tira o oxigênio.

Porque se a gente realmente quisesse cientista como herói, a Dra. Tatiana estaria no laboratório, tranquila, financiada, protegida. Não pagando patente do próprio bolso.

Entre influencer e cientista, o brasileiro já escolheu.

Sabe quem percebe isso? O Estado. Se ninguém reage a corte em laboratório, o corte passa. Se ninguém se indigna com patente perdida, perde.

Depois que outro país copia, registra e lucra, a gente faz post patriótico. Mas o nosso critério não é soberania, é engajamento.

Seguimos!"

Gostou? Compartilhe