Especialista explica como estruturar os estudos, priorizar dificuldades e preservar sono, alimentação, atividade física e momentos de descanso
As provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 serão aplicadas nos dias 8 e 15 de novembro de 2026. Por isso, muitos estudantes entram na reta final de preparação e, com a rotina mais corrida, aumenta a ansiedade e a sensação de que é preciso estudar cada vez mais para dar conta de todo o conteúdo aprendido no Ensino Médio. Nesse momento, porém, aumentar as horas de estudo nem sempre significa aproveitar melhor o tempo disponível.
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Para Pedro Gesteira, fundador da AMentoria, edtech de acompanhamento educacional que conecta vestibulandos, aprovados e professores, há muitos equívocos que os alunos cometem para tentar absorver o máximo de conteúdo possível nas últimas semanas de estudo. Segundo o profissional, aumentar indiscriminadamente as horas diante dos livros e PDFs, por exemplo, não significa aproveitar melhor esse período.
“Quando chegam as últimas semanas, é comum o estudante querer compensar o tempo estudando cada vez mais, mas o objetivo é fazer com que cada hora de estudo tenha propósito. É preciso entender o que ainda pode ser melhorado e, ao mesmo tempo, preservar as condições físicas e emocionais para chegar bem à prova. Estudar cansado causa frustração, e essa frustração aumenta a insegurança e, consequentemente, o número de erros”, alerta.
O especialista lista algumas mudanças simples que podem ajudar a tornar as próximas semanas mais produtivas sem transformar a preparação em uma rotina de exaustão. Confira!
Ter um cronograma para as últimas semanas ajuda o estudante a visualizar o que precisa ser otimizado e evita que o tempo seja consumido apenas pelas matérias com as quais ele já tem mais familiaridade. Ao mesmo tempo, o planejamento não deve ser tratado como algo imutável, pois o desempenho em simulados e exercícios pode revelar novas prioridades ao longo do caminho.
“Um plano de estudos precisa ter direção, mas também flexibilidade. Se uma dificuldade aparece ou percebemos que determinado conteúdo está comprometendo o desempenho, ele precisa ganhar espaço”, explica Pedro Gesteira.
É importante olhar as lacunas nos estudos e identificar em quais disciplinas o aluno tem mais dificuldade, adaptando o cronograma de preparação para o Enem. “As matérias que ele já domina não vão desaparecer do cronograma, mas podem entrar em revisões mais diretas. Não é necessário estudar tudo com o mesmo nível de profundidade”, orienta.
Tentar recomeçar o conteúdo inteiro pode gerar mais ansiedade do que resultados. Uma alternativa é utilizar provas anteriores, simulados e listas de exercícios para identificar os assuntos em que ainda há maior dificuldade. Assim, o estudante consegue concentrar energia nos pontos que têm maior potencial de evolução.
“É importante transformar o erro em informação. Se o aluno erra repetidamente questões de um assunto, isso mostra que aquele conteúdo merece uma atenção diferente. Em vez de simplesmente fazer mais uma lista enorme de exercícios até finalmente acertar, ele pode voltar à teoria necessária e entender onde está a falta de compreensão que desencadeia outras. Depois, ele irá testar o conhecimento de novo”, conta o especialista.
Na tentativa de ganhar algumas horas extras, muitos estudantes reduzem o tempo de sono. A estratégia, porém, prejudica justamente uma das funções necessárias para aprender: a consolidação da memória. “Dormir não é um intervalo entre dois períodos de estudo. É parte do processo de aprendizagem. O estudante precisa chegar ao dia seguinte com condições de relembrar aquilo que estudou e continuar aprendendo. Por isso, trocar regularmente horas de sono por mais conteúdo compromete a apreensão da matéria”, explica Pedro Gesteira.

Mesmo com o pouco tempo disponível, manter algum tipo de atividade física na rotina pode ajudar o estudante a interromper longos períodos de sedentarismo e de exposição às telas, além de lidar melhor com a tensão.
Uma revisão sistemática publicada em 2025 pelo Journal of Physical Activity and Health, intitulada “Associações entre comportamentos relacionados ao movimento, cognição e desempenho acadêmico em crianças e adolescentes”, analisou 24 estudos com 48.558 participantes. Entre as pesquisas que avaliaram especificamente a relação entre atividade física e desempenho acadêmico, 53% encontraram associações benéficas.
Para Pedro Gesteira, o exercício não deve ser encarado como tempo perdido de preparação. “A atividade física é um estímulo disruptivo para quem fica horas sentado com alto nível de concentração. Caminhar, praticar um esporte ou fazer um treino são formas de movimentar o corpo, aliviar a tensão e voltar aos estudos com mais disposição. O mesmo vale para pequenas pausas durante o dia”.
Na reta final, é comum que os estudantes, e até mesmo alguns pais, sintam que qualquer atividade que não envolva o Enem representa tempo desperdiçado. O problema é quando a preparação passa a ocupar praticamente todo o dia, sem espaço para refeições tranquilas, convivência com a família e saídas com os amigos.
“Uma rotina equilibrada não significa estudar menos por obrigação, mas conseguir sustentar o ritmo durante as semanas que ainda faltam. Minha indicação é: aproveite seu final de semana, não é uma manhã na praia ou uma noite com amigos que vai te tirar dos trilhos. É importante não pensar em prova, nota ou aprovação o tempo todo. Isso ajuda a evitar que a ansiedade ocupe todos os espaços do dia e permite que o estudo continue sendo uma atividade possível até a data do exame”, conclui Pedro Gesteira.
Por Davi Goulart
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