Polícia

Família de jovem morto em Santana do Mundaú contesta resultado de inquérito

Bruno Soriano | 11/08/21 - 14h45 - Atualizado em 11/08/21 - 14h45
Wanderson foi morto com um tiro na região cervical, entre o pescoço e a nuca | Arquivo pessoal

Prestes a completar um ano do homicídio que teve como vítima um jovem de 23 anos, em Santana do Mundaú, município da Zona da Mata alagoana, familiares de Wanderson Vilar mostram-se inconformados com o resultado do inquérito policial. Isso porque a polícia concluiu que o suspeito do crime deve responder por homicídio culposo e porte ilegal de arma de fogo. Para a família, no entanto, o atirador assumiu o risco de matar ao efetuar o único disparo que atingiu Wanderson.

Wanderson foi baleado na região cervical durante festa realizada em uma chácara da cidade, no dia 29 de novembro. Ele chegou a ser socorrido até o Hospital Regional da Mata (HRM), em União dos Palmares, mas chegou à unidade de saúde já sem vida.

O TNH1 conversou com uma prima da vítima, que se mostrou preocupada com o rumo do caso, pois a família, desde o início das investigações, contesta a versão de que o disparo feito pelo comerciante Antônio Correia Barbosa Filho foi acidental. “Nós ficamos sem força porque o autor do crime é uma pessoa influente na cidade. Somos de origem humilde, e isso também pesou, além do que as testemunhas não ajudam. Enquanto isso, ele [suspeito] segue circulando livremente em Santana”, conta a prima de Wanderson.

Ela acrescenta que, “como todo jovem”, Wanderson gostava de beber e curtir a noite, “mas nunca desrespeitou ninguém”. “Ele era filho único e, por isso, os meus tios seguem muito abalados. O Wanderson havia acabado de concluir o colegial em Maceió, onde chegou a arrumar um emprego, mas voltou a morar com os pais em Santana, quando tudo aconteceu. À época surgiram várias versões. Mas atiraram na direção dele, e isso é fato”, emendou.

O advogado Alexandre Lima, por sua vez, chegou a prestar assistência jurídica aos pais de Wanderson. O TNH1 apurou que a família não conseguiu pagar parte dos honorários do profissional, que, no entanto, negou a informação.

“Nós acompanhamos o processo até março deste ano, quando a própria família pediu para que deixássemos o caso, em razão do suposto receio de receberem ameaças, por se tratar de um crime praticado em uma cidade pequena e por alguém muito conhecido na região”, explica Alexandre, acrescentando que, em razão do indiciamento por homicídio culposo, o suspeito pode pegar pena inferior a quatro anos, dispensando-se, inclusive, a reclusão.

As investigações estavam a cargo do delegado Antônio Nunes, que, ao deixar a Delegacia Regional de Polícia (DRP) de União dos Palmares, repassou o caso para o novo titular da DRP, Edberg Sobral, que confirmou o indiciamento, acrescentando já remeter o inquérito ao Ministério Público Estadual, a quem cabe ofertar denúncia contra o comerciante. 

Já o advogado de Antônio Correia, suspeito de ter atirado em Wanderson, falou ao TNH1 e rechaçou a hipótese de que houve dolo, ou seja, intenção de matar. “A conclusão foi por homicídio culposo, por imprudência, uma vez que todas as testemunhas que se encontravam presentes relataram o fato como acidental. O meu cliente não teve, em momento algum, a intenção de matá-lo, já que eram amigos. Ele, inclusive, socorreu o Wanderson. Entendo a dor da família, mas ninguém da família estava lá, além do que precisamos nos ater aos fatos e às provas”, declarou Welton Roberto.