Terapeutas afirmam que estereótipos sobre os filhos mais novos podem afetar a forma como são tratados até a vida adulta
Estudos desmistificam a ideia de que filhos caçulas são mimados, apontando que esse estereótipo pode prejudicar a forma como são tratados e impactar suas vidas até a idade adulta.
Especialistas afirmam que, embora caçulas possam ter mais liberdade, também enfrentam desafios emocionais, como se sentirem subestimados e absorverem ressentimentos de irmãos mais velhos.
Terapias focadas na compreensão da identidade dos caçulas buscam ajudá-los a lidar com as pressões sociais e emocionais, permitindo que reescrevam suas histórias pessoais além dos estereótipos familiares.
Você é o irmão caçula, tem um irmão mais novo ou é pai de um? De qualquer forma, provavelmente já ouviu que os filhos mais novos são mais folgados e mimados ou que 'os mais velhos abriram o caminho'.
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Especialistas afirmam, no entanto, que o mito do 'caçula mimado' é um dos estereótipos mais equivocados da chamada 'psicologia pop'.
Segundo Caitlyn Oscarson, terapeuta familiar, pesquisas também não sustentam essa ideia. Em entrevista ao Huffington Post, ela afirmou que, além de incorreto, o estereótipo pode ser prejudicial e influenciar a maneira como o filho mais jovem é tratado.
Os efeitos desse tratamento podem, inclusive, permanecer até a vida adulta.
“Muitos clientes que se opõem aos estereótipos costumam fazê-lo com mais frequência contra aquele que dizem que eles são mimados ou favorecidos”, diz Robin Hamilton: “Eles detestam isso, porque normalmente não se sentem assim, embora outros membros da família possam sentir ciúmes e ver a situação dessa forma”.
Para Oscarson, alguns caçulas podem crescer com mais liberdade e menos responsabilidades. Essa posição na família, porém, também pode provocar efeitos negativos: “Eles também podem se sentir subestimados e ter suas experiências minimizadas”.
Ser o mais novo e ter 'chegado depois' também pode afetar a criança. Ela pode sentir o peso do ressentimento dos irmãos mais velhos e acabar 'absorvendo' a culpa por uma dinâmica familiar que não criou.
Segundo Priya Tahim, conselheira profissional licenciada e fundadora da Kaur Counseling, ser tratado como 'o bebê' da família pode ser prejudicial. Esse tratamento geralmente vem acompanhado de emoções ignoradas, opiniões minimizadas e questionamentos sobre a independência da pessoa, inclusive na vida adulta.
Ser o 'mais divertido' também tem seu lado negativo
Outro estereótipo frequentemente associado ao filho caçula é o de que ele seria o mais 'divertido' e 'leve' da família. Isso, porém, não significa que a criança não tenha necessidades emocionais ou que seja, de fato, uma pessoa naturalmente extrovertida.
A pressão para parecer simpático pode fazer com que o caçula reprima as próprias emoções e, ao mesmo tempo, desenvolva uma percepção excessiva dos sentimentos das outras pessoas, segundo Mabel Yiu, fundadora do Women’s Therapy Institute.
“Isso muitas vezes se manifesta como uma necessidade de agradar aos outros na vida adulta, e o trabalho consiste em direcionar essa consciência emocional de volta para as próprias necessidades”, afirma.
Durante a terapia, o caçula pode passar por uma espécie de 'luto' para compreender sua verdadeira identidade, separada dos estereótipos atribuídos a ele devido à ordem de nascimento.
“Ao analisar as pesquisas sobre esse tema, você descobrirá que a ordem de nascimento é muito menos preditiva da personalidade adulta do que se acredita”, disse Natalie Moore, terapeuta familiar e de casais.
Para Tahim, o objetivo de um tratamento terapêutico sobre o tema não é 'mudar quem se é':
“O objetivo é criar consciência suficiente para que você possa decidir quais partes da sua história deseja manter e quais está pronto para reescrever”.
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