Brasil

Filho é suspeito de matar a própria mãe e fingir luto em rede social

UOL | 05/06/21 - 17h35 - Atualizado em 05/06/21 - 18h10

A Polícia Civil de São Paulo concluiu que o bacharel em direito Bruno Eustáquio, de 23 anos, é autor da morte da própria mãe, Márcia Lanzane, de 44 anos. O assassinato aconteceu em dezembro de 2020, em Guarujá, litoral paulista. O suspeito está com a prisão preventiva decretada pela Justiça.

Depois do crime, Bruno ainda usou as redes sociais para homenagear a mãe com declarações de amor, o que gerou revolta em familiares da vítima.

O advogado do suspeito, Ricardo Real Soares, informou ao UOL que vai recorrer da decisão da prisão preventiva, mas pondera que não foi notificado. Ele ainda sustentou que Bruno não esganou a mãe com a intenção de tirar a vida dela.

A Polícia Civil, contudo, indiciou o bacharel por homicídio doloso, que é quando existe a intenção de matar. O inquérito foi concluído em 31 de maio e remetido ao MP (Ministério Público), que decidirá se ofertará a denúncia à Justiça ou fará novas diligências.

"Após solicitação da autoridade policial, a Justiça decretou a prisão preventiva do autor do crime. A Delegacia de Guarujá realiza diligência visando a sua localização e prisão. O caso foi investigado pela delegacia, que indiciou o filho da vítima por homicídio doloso", confirmou em nota a SSP (Secretaria de Segurança Pública) de São Paulo.

Bruno era filho único de Márcia. O crime aconteceu dentro da casa deles, no bairro Sítio Cachoeirinha, em Guarujá, em 22 de dezembro de 2020. Imagens de câmera de segurança dentro do imóvel registraram as agressões e a asfixia da vítima. O aparelho que armazena os vídeos foi encontrado dentro do forno do fogão.

O bacharel em direito teria relatado inicialmente aos demais familiares que a mãe morreu em decorrência de um acidente. À Polícia Civil, segundo a defesa dele, Bruno confessou que esganou a mãe, mas que não a matou.

"A gente já esperava esse indiciamento da polícia porque estávamos acompanhando de perto a investigação. Quando minha outra irmã foi liberar o corpo da Márcia, o legista disse que seria assassinato. A família muito abalada, não percebeu na hora que não era um acidente", disse Minerva Lanzane, irmã da vítima.

Filho homenageou mãe após crime

De acordo com a família de Márcia, Bruno passou a usar as redes sociais para homenagear a mãe, mesmo com a Polícia Civil o considerando suspeito.

Em uma das postagens enviadas ao UOL, o bacharel diz que amará a mãe "pelo resto da vida". A publicação teria ocorrido no Dia das Mães deste ano.

"Obrigado por tudo, meu amor! Eu te amarei pelo resto da minha vida enquanto eu viver!", escreveu.

Os familiares de Márcia não consideram que as postagens demonstram arrependimento do suspeito. As homenagens causam sentimento de revolta nos parentes.

"Isso é revoltante porque eu ajudei a Márcia a criar o Bruno e ele sempre foi muito educado comigo. Só que em relação à mãe, os dois sempre discutiram, porém sem gravidade. O que mais dói é que ele ainda fica tirando onda disso nas redes sociais. Mandaram print para mim de uma postagem dele no Dia das Mães. Ele não tem arrependimento algum", afirmou Minerva.

O que diz a defesa do suspeito

A defesa diz que Bruno irá se entregar se o pedido de anulação da prisão for aceito.

"Estamos tentando revogar a prisão dele e caso não tenhamos êxito, a intenção dele é se entregar, mas ainda não fomos intimados da decisão", assegurou advogado Ricardo Real Soares.

Na versão apresentada à Polícia Civil, Bruno confirmou a agressão física à mãe no dia do crime, mas negou que a matou esganada.

"A versão dele é de que ambos tiveram uma briga e acabaram trocando tapas e arranhões. Ele a pegou pelo pescoço com a tentativa de segurá-la para cessar a briga e não para matá-la. O Bruno nega que isso provocou a morte da mãe, tanto que teria conversado com ela em seguida", sustenta.