Fim de maio terá Lua azul e microlua no mesmo dia; entenda

Publicado em 29/05/2026, às 15h18
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Por Galileu

Entre 30 e 31 de maio, a Lua Cheia será um evento raro, combinando uma Lua Azul e uma microlua, visível próxima à estrela Antares, o que promete um espetáculo astronômico interessante para os observadores.

A Lua Azul, que não apresenta coloração azul, ocorre quando há duas Luas Cheias em um mesmo mês, enquanto a microlua acontece quando a Lua está no apogeu, a maior distância da Terra, tornando-a menos brilhante e menor em comparação com uma superlua.

Os especialistas recomendam iniciar a observação ao pôr do sol de 30 de maio, com os melhores momentos para fotos ocorrendo durante o nascer e ocaso da Lua, quando ela parece maior devido à ilusão lunar.

Resumo gerado por IA

O céu do fim de maio reservará um espetáculo raro para os amantes da astronomia. Entre a noite de sábado (30) e a madrugada de domingo (31), a Lua Cheia aparecerá em uma combinação incomum de fenômenos: será simultaneamente uma Lua Azul e uma microlua. Coincidentemente, a ocorrência ainda poderá ser vista próxima de Antares, a estrela mais brilhante da constelação de Escorpião, o que pode tornar a observação ainda mais interessante.

Apesar do nome sugestivo, a chamada Lua Azul não ficará azulada. O fenômeno se refere à ocorrência da segunda Lua Cheia dentro de um mesmo mês do calendário gregoriano, algo relativamente raro, que acontece em média a cada dois ou três anos.

Originalmente, a expressão era usada para definir a terceira Lua Cheia de uma estação que tivesse quatro luas cheias. Porém, em 1946, a revista especializada Sky and Telescope reinterpretou o conceito e passou a associá-lo à segunda Lua Cheia dentro de um mesmo mês. A nova definição se popularizou a partir da década de 1980 nos Estados Unidos e depois se espalhou pelo mundo.

Há, no entanto, situações raras em que a Lua realmente pode adquirir tons azulados. Isso ocorre após grandes erupções vulcânicas ou incêndios florestais intensos, quando partículas lançadas na atmosfera filtram parte da luz vermelha. Um dos casos mais famosos aconteceu após a erupção do vulcão Krakatoa, em 1883.

Microlua sem mudança real de tamanho

Já a microlua ocorre quando a fase cheia coincide com o apogeu lunar, ponto mais distante da órbita da Lua em relação à Terra. Segundo o astrônomo Gabriel Hickel, professor da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) e convidado do Observatório Nacional no programa O Céu em Sua Casa, a Lua do próximo dia 31 será a mais distante de 2026.

“Será a menor e menos brilhante Lua Cheia do ano”, afirma Hickel, em nota divulgada pelo Observatório Nacional. Calcula-se que o satélite natural estará a cerca de 406 mil km da Terra. Ainda assim, ele ressalta que a diferença dificilmente será percebida sem instrumentos ou comparações simultâneas com uma superlua. “O cérebro humano funciona à base da comparação instantânea e, sem ver de forma simultânea uma superlua e uma microlua, não há como comparar.”

A órbita lunar não é perfeitamente circular, mas elíptica. Isso faz com que a distância entre Terra e Lua varie ao longo do tempo. Quando a Lua Cheia coincide com o perigeu — o ponto mais próximo da Terra — ocorre a chamada superlua. Já no apogeu, quando o satélite está mais afastado, acontece a microlua.

Embora visualmente discreta, a microlua de maio terá diferenças mensuráveis. Ela poderá parecer entre 12% e 14% menor e cerca de 25% menos brilhante do que uma superlua. Ainda assim, para a maior parte das pessoas, a impressão será de uma Lua Cheia “normal”.

Encontro com Antares

O espetáculo celeste de maio terá ainda outro elemento de destaque: a proximidade aparente entre a Lua e Antares, uma estrela bastante conhecida por seu brilho avermelhado característico.

A combinação entre o tom prateado da Lua Cheia e a coloração avermelhada de Antares deve criar um dos cenários astronômicos mais fotogênicos do ano. O ápice da aproximação visual ocorrerá durante a madrugada, próximo ao ocaso lunar, quando a Lua estiver baixa no horizonte oeste.

Melhor horário para observar o céu

Para os interessados em ver com os próprios olhos os fenômenos, os especialistas recomendam começar a observação já no pôr do sol de 30 de maio. Como toda Lua Cheia, ela nascerá quando o Sol se puser e permanecerá visível durante toda a noite.

Segundo Hickel, os melhores momentos para observação e fotografia acontecem justamente quando a Lua surge ou desaparece no horizonte. “Nos momentos de nascer e ocaso da Lua, ocorre o efeito da ‘ilusão lunar’, que faz com que o cérebro humano interprete que o satélite parece maior do que é”, afirma o astrônomo. “São também os melhores momentos para fotos em composição com a paisagem.”

A indicação é procurar locais com horizonte aberto e pouca poluição luminosa. Para fotografar o fenômeno com celulares ou câmeras, deve-se ajustar manualmente a exposição da imagem, evitando que o brilho intenso da Lua elimine os detalhes da superfície lunar.

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