Alagoas

Fiocruz: Maceió tem forte tendência de crescimento a longo prazo de casos de covid-19

TNH1 | 31/10/20 - 19h22 - Atualizado em 31/10/20 - 20h00

Dados do InfoGripe, sistema de monitoramento da Fiocruz, apontam que dez capitais brasileiras têm sinais de crescimento  moderado  ou forte na tendência de casos de Síndrome Respiratória Aguda (SRAG) e de Covid-19. 

Maceió, Aracaju (SE), Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), João Pessoa (PB), Macapá (AP) e Salvador (BA) apresentam sinal forte de crescimento no longo prazo (seis semanas). Segundo o boletim da Sesau deste sábado, 31, Alagoas contabiliza  90.789 casos de Covid-19 e 2.238 mortes. 

Nas capitais Belém (PA), São Luís (CE) e São Paulo (SP), observa-se sinal moderado de crescimento para a tendência de longo prazo, acompanhado de sinal de estabilização na tendência de curto prazo. 

A análise é referente à Semana Epidemiológica 43 (que compreende o período de 18 a 24 de outubro) e tem com base os dados inseridos no Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe) até o dia 27 deste mês. Entre os resultados positivos para os vírus respiratórios, cerca de 97,7% são em consequência do novo coronavírus. 

Covid-19: aglomerações favorecem eventos de "supertransmissão"

A pandemia de Covid-19 não acabou. Esse é um lembrete constante das autoridades de saúde no Ceará porque, dada a liberação de diversos setores da economia, aumentou a circulação de pessoas em ambientes abertos e fechados. No entanto, o alerta permanece. Alguns estudos científicos sugerem que determinadas pessoas podem ser "supertransmissoras" do novo coronavírus, ou seja, em ambientes limitados e aglomerados, elas facilitariam a transmissão do agente.

Contudo, algumas pesquisas indicam que, enquanto alguns doentes infectam muitas pessoas, outros parecem não ser transmissores. Por isso, cientistas investigam mais um indicador: o chamado fator de dispersão K. Em teoria, ele descreve o quanto a doença atua em surtos. Quanto mais baixo for o K, mais a transmissão poderá ter tido início num pequeno número de pessoas.

Keny Colares, médico infectologista do Hospital São José (HSJ) e consultor da Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP-CE), explica que o fenômeno da supertransmissão não é novo e já foi estudado, inclusive, nos outros coronavírus. No entanto, ele percebe ser mais adequado não colocar a atenção sobre indivíduos, mas sobre "eventos supertransmissores".

"É difícil a gente se precaver quanto ao vírus baseados no indivíduo. Acho que precisamos criar ambientes adequados que previnam a transmissão, porque salas e ambientes fechados parecem ser mais suscetíveis a ela", considera. Para ele, precisam ser observados fatores como a quantidade de pessoas, o uso de máscaras, a ventilação do ambiente e o comportamento dos indivíduos - se falando ou cantando, por exemplo, já que essas ações favorecem a dispersão de partículas.

Até o momento, também não há explicações científicas para que uma pessoa seja considerada mais competente na transmissão do vírus. Para Colares, isso tem a ver com a carga viral e o momento da infecção em que o paciente se encontra. "Quanto mais vírus essa pessoa tiver, mais pode transmitir. Ela vai eliminar mais alguns dias antes de começar a ter sintomas e logo nos primeiros dias de sintomas. Às vezes, são pessoas até assintomáticas ou com sintomas leves", diz.

Monitoramento

O valor do fator K do novo coronavírus (Sars-Cov-2) ainda não pode ser definido com precisão. A London School of Hygiene & Tropical Medicine estima que ele varie de 0.1 a 0.5. Ou seja, provavelmente, entre 10% e 20% dos casos levam a 80% dos contágios. Segundo a revista científica Science, há casos de surtos localizados "em que uma pequena parcela de pessoas é responsável por uma grande proporção de infecções".

Fenômenos de contaminações múltiplas não foram estranhos no Ceará. No fim de março, diversos familiares de uma idosa de 85 anos que faleceu por Covid-19 apresentaram sintomas da doença. "A gente nem consegue identificar onde foi a transmissão. Imaginamos que tenha sido num aniversário que fomos no dia 7 de março. Depois dele, todo mundo começou a adoecer, mas ninguém tinha viajado ou teve contato com alguém com sintomas. No mesmo período, foram umas 30 pessoas com sintomas", conta um familiar.

Ainda em abril, também chamou atenção que 12 membros de um mesmo grupo religioso de Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza, tenham sido diagnosticados com a doença. A Secretaria Municipal de Saúde disse que os integrantes podem ter sido infectados em um evento com a presença de pessoas de outros países. O grupo negou que tal evento tenha ocorrido.

Para o infectologista Keny Colares, o rastreamento de contatos é questão de "organização da rede", já que o Ceará já conseguiu ampliar a capacidade de testagens RT-PCR, o mais indicado para detectar a infecção. Desde abril, a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) implantou a estratégia de Contact Tracing para acompanhar, por meio telefônico ou visitas domiciliares (em caso de não obterem retorno), os pacientes suspeitos.

Além disso, a partir deste mês, os contatos de pacientes com a Covid-19 passaram a ser rastreados por 2,7 mil profissionais de saúde, em todos os 184 municípios do Ceará, por meio de um programa do Ministério da Saúde. A Pasta federal repassou R$ 16,6 milhões ao Estado para a realização da tarefa.

Com informações do Diário do Nordeste