Fruta com mofo: dá para cortar a parte estragada e comer o restante?

Alguns sinais indicam que o alimento não deve ser consumido, mesmo quando a alteração parece pequena

Publicado em 17/08/2026, às 16h00
Nem sempre retirar a parte mofada de uma fruta é suficiente para torná-la segura para o consumo (Imagem: Aliaksandr Navitski | Shutterstock)
Nem sempre retirar a parte mofada de uma fruta é suficiente para torná-la segura para o consumo (Imagem: Aliaksandr Navitski | Shutterstock)

Por Redação EdiCase

Abrir a geladeira e encontrar uma fruta com um pequeno ponto de mofo é uma situação comum. Diante disso, muita gente simplesmente corta a parte estragada e consome o restante. Mas será que retirar a região visivelmente afetada é suficiente para tornar o alimento seguro?

A resposta depende principalmente das características do alimento. Em frutas macias e com grande quantidade de água, como morango, uva, pêssego, mamão e melancia, o mais seguro é descartar a fruta inteira quando houver presença de mofo. Isso porque os fungos podem se espalhar pelo interior do alimento antes mesmo de serem percebidos a olho nu.

“O que enxergamos na superfície é apenas uma parte do fungo. Em alimentos macios, suas estruturas podem penetrar no alimento e atingir regiões que aparentemente continuam normais. Por isso, retirar somente o pedaço mofado não significa necessariamente eliminar a contaminação”, explica Natália Ipaves, coordenadora de Nutrição da Faculdade Anhanguera.

Além do próprio fungo, alguns tipos podem produzir micotoxinas, substâncias tóxicas que podem representar riscos à saúde. O consumo de alimentos deteriorados também pode provocar sintomas gastrointestinais, especialmente em pessoas mais sensíveis.

Quando é possível aproveitar?

Frutas e vegetais mais firmes exigem uma avaliação diferente. Em alguns alimentos de baixa umidade e estrutura mais rígida, uma contaminação superficial tende a ter maior dificuldade para penetrar profundamente. Ainda assim, é necessário cuidado.

“Não basta raspar o ponto de mofo ou retirar uma camada muito fina. Quando o aproveitamento é considerado seguro para aquele tipo de alimento, é importante remover uma margem generosa ao redor e abaixo da região afetada, evitando que a faca entre em contato com o mofo e contamine novamente a parte preservada”, orienta a professora.

Frutas muito maduras, amolecidas, com cheiro diferente, alteração de sabor, presença de líquido ou vários pontos de mofo devem ser descartadas. Na dúvida sobre a extensão da deterioração, a recomendação é não consumir.

E as outras frutas que estavam juntas?

Ao encontrar uma fruta mofada em uma embalagem, também é importante observar as demais. Morangos, uvas e outras frutas armazenadas muito próximas podem entrar em contato com os fungos e apresentar deterioração rapidamente.

A orientação é retirar imediatamente a unidade estragada e verificar cuidadosamente as outras. Frutas que estiverem amolecidas, machucadas ou apresentarem qualquer sinal de mofo também devem ser descartadas. As demais devem ser higienizadas adequadamente e consumidas o quanto antes.

Jovem com cabelo liso, ruivo, usando camiseta roxa guardando prato com morangos na geladeira
O armazenamento adequado e a inspeção frequente ajudam a conservar as frutas (Imagem: Maya Kruchankova | Shutterstock)

Evitando que as frutas mofem rapidamente

Alguns cuidados no armazenamento ajudam a aumentar a durabilidade e reduzir o desperdício:

  • Observe antes de guardar: retire frutas machucadas ou já deterioradas para evitar que prejudiquem as demais;
  • Controle a umidade: excesso de umidade favorece a proliferação de fungos;
  • Armazene corretamente: frutas que precisam de refrigeração devem permanecer em recipientes adequados e na temperatura indicada;
  • Evite deixar frutas cortadas expostas: depois de cortadas, elas devem ser refrigeradas e consumidas em pouco tempo;
  • Faça inspeções frequentes: identificar rapidamente uma unidade deteriorada pode evitar que outras sejam afetadas.

“É comum associarmos segurança apenas à aparência do alimento, mas nem toda contaminação é visível. Quando uma fruta macia apresenta mofo, tentar aproveitar a parte aparentemente saudável pode representar uma economia pequena diante de um risco desnecessário”, finaliza Natália Ipaves.

Por Priscila Dezidério

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