Maceió

Geólogo da CPRM acredita que situação do Pinheiro pode ter solução

Redação TNH1 | 21/03/19 - 15h54 - Atualizado em 22/03/19 - 11h56

O coordenador da equipe de pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Thales Sampaio, disse que, a depender de como as estruturas geológicas do Pinheiro estão se movimentando e de outros fatores que serão identificados pelos estudos, os problemas do bairro podem ser solucionados com projetos de engenharia.

A afirmação foi feita em entrevista à repórter Ana Karolina Lustosa, da TV Pajuçara, em Brasília, nesta quinta-feira (21), durante audiência no Senado que discute o fenômeno geológico que provocou fissuras nas ruas e rachaduras em imóveis do bairro Pinheiro, em Maceió 

“Dependendo de como as estruturas estão se movimentando, se conseguir ver qual é a superfície de cisalhamento preferencial, é possível que, com projetos de engenharia, se consiga parar o movimento”, explicou Thales Sampaio

Sampaio informou que espera o resultado dos estudos geofísicos realizados nos últimos meses na região, que deve sair até o fim de abril, para ter uma definição mais clara do fenômeno.

Ainda segundo Thales, a solução do problema que aflige milhares de famílias dependeria de um esforço multidisciplinar. “Geólogos, geofísicos, engenheiros civis, engenheiros de contenção de encostas, geotécnicos. Teria que montar uma equipe multidisciplinar, envolvendo academia, universidade, consultoria, uma série de profissionais, para conseguir estabilizar a situação do bairro”, disse.

De maneira técnica, o geólogo explicou que existe um grande bloco, delimitado por um arco, que passa por zonas “quebradas” e, a partir delas, em uma área que vai em direção à Lagoa Mundaú, e que o bairro se encontra em afundamento.

“Com a interferometria, compreendemos o motivo. Tudo que está dentro desse arco está descendo e em uma velocidade de subsidência que a gente considera importante”, destacou Sampaio. “É um encontro de dois blocos, desenhado em forma de arco, onde o que vem em direção a lagoa está baixando, enquanto o do lado de fora [em direção à Avenida Fernandes Lima] está estável”, continuou.

Ele ainda afirmou que a zona de cisalhamento, ou seja, de deformação na superfície, foi mapeada e os blocos seguem em deslocamento um em direção ao outro. “Você tem três possibilidades: estica, quebra ou dobra. No caso do bairro Pinheiro, quebra. Onde? Aproveitando zonas de fraquezas antigas que eram antigas falhas e fraturas geológicas”, salientou.

A CPRM fez quatro métodos geofísicos, que estão em fase de processamento. Eles serão examinados e integrados aos estudos. Segundo o geólogo, o resultado vai mostrar como estão as estruturas geológicas do bairro e até que ponto vão as falhas e as fraturas na profundidade.

“A gente já tem a informação, por um dos métodos, que pelo menos a 60 e 80 metros elas [as falhas e fraturas] estão lá. Ou seja, o que a gente vê na superfície já chega a isso. Eu, particularmente, já vejo isso até 150 metros, Mas a equipe da CPRM, com segurança absoluta, entende até 60 metros. E os métodos estudados agora vão até 1500”, explicou o geólogo.

Por fim, Sampaio ainda relatou que as estruturas do bairro são curvas e é preciso entender em que área ela rotaciona. “Existe uma informação de que tem uma dificuldade nas tubulações da Braskem entre 250 e 350 metros de profundidade. Queremos ver se há outras estruturas que rotacionam em profundidades mais severas, por exemplo, a 1200 metros de profundidade, porque pelo menos uma falha que exista, e isso aí está mapeado por várias empresas e aceito internacionalmente, que é a falha de tabuleiro, rotaciona a 1200 metros de profundidade e passa por baixo do sal. Então se isso acontece, há várias falhas derivadas dela, mas só vamos conseguir enxergar isso com o resultado da geofísica”, finalizou.

A reportagem completa vai ao ar na noite desta quinta, no Pajuçara Noite, logo depois do Cidade Alerta Alagoas.