O MGI (Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos) prevê a realização do CNU (Concurso Nacional Unificado) a cada dois anos e pretende realizar uma nova edição em 2027. Para isso, aguarda a aprovação do Orçamento do ano que vem pelo Congresso Nacional.
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O Ploa (Projeto de Lei Orçamentária Anual) enviado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no final de agosto reserva R$ 1,3 bilhão para novas contratações no Executivo federal e R$ 1,2 bilhão para concursos em instituições federais de ensino. Ao todo, estão previstas 53.530 vagas.
Com a aprovação, o Enem dos Concursos, como ficou conhecido, poderá ser realizado ainda no primeiro semestre, embora o MGI não tenha uma data confirmada.
"Sobre uma nova edição do CPNU ainda em 2027, será necessário aguardar a aprovação da Lei Orçamentária, mas é certo que o MGI seguirá dando continuidade ao esforço de renovação dos quadros do serviço público federal e à estratégia de manter os órgãos adequadamente estruturados para atender à população", diz nota do órgão.
O MGI afirma ainda considerar o concurso como uma "política pública de renovação, modernização e democratização do acesso ao serviço público federal", que deve se consolidar como "um processo permanente de seleção de servidores, com edições realizadas em ciclos regulares, idealmente a cada dois anos", diz a pasta.
Segundo o ministério, essa seria uma forma de garantir planejamento para recomposição dos quadros e da força de trabalho federal à medida que servidores se aposentam.
O modelo também despertou interesse de estados e municípios, o que abre a possibilidade de utilizar a experiência acumulada pelo MGI e demais órgãos do governo Lula para realizar seleções em larga escala e trabalhar em parceria com órgãos estaduais e municipais.
Desde 2025, a preparação do CNPU tem sido feita pela Enap (Escola Nacional de Administração Pública e não mais por empresas de concurso contratadas pelo governo. Em 2024, quando ocorreu a primeira edição, a realização ficou por conta da Cesgranrio.
Segundo Maria Aparecida Chagas Ferreira, diretora de planejamento da força de trabalho do MGI, a ideia é manter a Enap como executora do concurso, enquanto o MGI coordena, monitora e avalia a política.
Ela reforça que a consolidação do modelo também abre espaço para que estados e municípios adotem a experiência. De acordo com Maria Aparecida, o ministério já iniciou conversas com o Consad (Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração) para apresentar o formato e oferecer referências técnicas e legislativas para a realização de concursos unificados nos territórios.
"A recomposição da força de trabalho é uma necessidade permanente para garantir que os órgãos públicos tenham capacidade de implementar suas políticas. Por isso, a intenção do MGI é manter a autorização de concursos e processos seletivos", diz ela à Folha.
A primeira edição do CNU, realizada em 2024, estava prevista para maio, mas foi adiada para agosto após fortes chuvas que assolaram o Rio Grande do Sul naquele ano. Além da alteração no calendário, o concurso alterou outras regras e passou a permitir que candidatos pudessem levar uma folha de rascunho para casa. A realizadora forneceu o documento.
A edição contou com 2,1 milhões de candidatos que concorreram a 6.640 vagas em 21 órgãos públicos. Os exames foram aplicados em 228 cidades. A Abin desenvolveu o esquema de segurança (Agência Brasileira de Inteligência) em parceria com outros órgãos do governo federal.
O plano, que se manteve na edição de 2025, conta ainda com acompanhamento da Força Nacional, das polícias Federal, Rodoviária Federal e Militar, além de Casa Civil, Ministério da Justiça e MGI, para garantir a segurança dos exames e que não haja vazamento das provas.
Após a edição de 2025, que teve 761.528 inscritos concorrendo a 3.652 vagas divididas em nove blocos temáticos para trabalhar em 32 órgãos do governo federal, houve o desbaratamento de um esquema de quadrilha que tentou fraudar a seleção do ano anterior. A Polícia Federal e o MPF (Ministério Público Federal) acompanharam o caso.
As edições contam com coleta de biometria, exame grafológico e detector de metais nas escolas, entre outras medidas de segurança que devem se repetir em 2027. No ano passado, as provas tiveram duas fases, uma em 5 de outubro e outra em 7 de dezembro.
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