Maceió

Grupo Gay vai pedir prisão de pai e irmão de adolescente espancado ao revelar homossexualidade

João Victor Souza e Eberth Lins | 26/08/20 - 10h35 - Atualizado em 26/08/20 - 11h39
João Victor Souza/TNH1

O Grupo Gay de Maceió vai pedir que o caso do adolescente de 14 anos, agredido pelo pai e irmão após assumir a homosexualidade seja enquadrado na Lei de Racismo (7716/89), que desde junho de 2019 é usada para criminalizar discriminação por orientação sexual e identidade de gênero. 

A agressão aconteceu nessa segunda-feira (24), no bairro Bebedouro, em Maceió, mas o caso só ganhou repercussão no dia seguinte quando a vítima procurou o Conselho Tutelar acompanhada da mãe.

Na manhã desta quarta-feira (26), o adolescente, a mãe e representantes do movimento LGBTI+ estiveram no Conselho Tutelar da 4ª Região, no bairro do Bebedouro, onde o caso aconteceu, na capital alagoana.

A reunião na sede do Conselho também contou com a participação de representantes de três comissões da OAB/AL - Direitos Humanos, Criança e Adolescente e Igualdade Racial -  Grupo ARTGAY Alagoas, e Movimento Mães pela Diversidade. 

De acordo com o presidente do Grupo Gay de Maceió, Messias Mendonça, a entidade vai levar o caso às instâncias jurídicas, e pedir a prisão do pai e também irmão do adolescente. 

"O grupo recebeu a denúncia e entrou em contato com as comissões de direito da OAB para escutar o conselheiro tutelar que acolheu a denúncia. A partir da reunião de hoje, serão tomadas as devidas providências para a crueldade desse pai que agrediu o filho pelo fato dele ser gay. Nós do movimento LGBTI+ vamos levar o caso às instâncias maiores da Justiça para que seja enquadrado no crime de racismo", disse.

"Queremos medidas imediatas e, se for o caso, vamos pedir a prisão do pai e do irmão. Não foi uma simples paulada. Eles deram uma paulada de ódio e desrespeito e nós não podemos nos calar diante de tudo isso", acrescentou Messias Mendonça.



O conselheiro tutelar Celso Deoclécio, que acompanha o caso, informou ao TNH1 que, embora não morasse com o pai, o o adolescente relatou que já vinha sofrendo agressões.

"O adolescente expôs para o pai a homossexualidade e o pai junto com o irmão agrediram ele com pauladas e socos. Ele está tendo acompanhamento de psicólogo. É importante a união dessas entidades, MP, OAB, para a gente tentar frear esse situação, temos que minimizar esse tipo de acontecimento. Quero dizer para o adolescente, que não tenha medo, todo mundo aqui está mobilizado pela sua causa, você não está sozinho. É muito importante essa defesa", frisou.


Além do Grupo Gay de Maceió, estiveram presentes representantes do Art Gay Alagoas, Movimento Mães Pela Diversidade e das comissões de Direitos Humanos, Criança e Adolescente e Igualdade Racial da OAB-AL (Foto: João Victor Souza/TNH1)

O que diz a lei?

Desde junho de 2019 o Sup remo Tribunal Federal (STF) aprovou a criminalização da homofobia. Com isso, esse tipo de conduta passou a ser  punida pela Lei de Racismo (7716/89), que hoje prevê crimes de discriminação ou preconceito por "raça, cor, etnia, religião e procedência nacional".O racismo é um crime inafiançável e imprescritível segundo o texto constitucional e pode ser punido com um a cinco anos de prisão e, em alguns casos, multa.

O outro lado

O TNH1 não conseguiu contato com o pai e o irmão do adolescente, para ouvir sobre a denúncia, ficando aberto o espaço para defesa.