Imagem Guia do cuscuz de arroz artesanal em Alagoas
Nide Lins

Guia do cuscuz de arroz artesanal em Alagoas

Em 31 de Agosto de 2026 às 13:39

Por Nide Lins

Tem arroz, coco e memória nessa história. O cuscuz de arroz atravessou gerações em Alagoas e continua sendo preparado artesanalmente em diferentes cantos do estado. Uma tradição especialmente ligada às cidades do Baixo São Francisco, onde a receita ganhou espaço nas cozinhas e também se tornou fonte de renda para muitas famílias.
 Rodolfo Cavalcante, pesquisador e conhecedor dessa tradição, conta que uma das explicações para a origem desse costume está no aproveitamento do arroz quebrado, que tinha pouco valor comercial e era destinado às famílias mais pobres da região. Foi da necessidade que nasceu uma comida cheia de identidade.
Neste guia, conheça quatro histórias: o cuscuz do Biu, no Jaraguá; A Carroça, na Ponta Verde e em Penedo; o Cuscuz do Luiz, na Cidade Universitária; e o Cuscuz da Helena, em Pão de Açúcar.
Cuscuzeria da A Carroça

Em comum, todos utilizam arroz branco, que passa pelo molho e pela secagem. A partir daí, cada um guarda seu jeito de fazer: muda a maneira de moer o grão e até os modelos de cuscuzeiras artesanais, daquelas que não se encontram nas lojas. E vem a melhor parte: o cuscuz chega mergulhado no leite de coco, bem quentinho. Não precisa de mais nada. Sozinho, já é uma glória da cozinha alagoana.

Cuscuz do Biu

Seu Biu — cuscuz artesanal no Jaraguá:É uma linda história a do Biu, aos 78 anos, é o maior detentor do saber e fazer do cuscuz artesanal em Alagoas. O alagoano é o único que conheço, que produz a iguaria no antigo engenho de mais de 70 anos (herança da fábrica Nordeste), que moe arroz e milho em pó, além de possuir um fogão e formas para cuscuz que não se compra mais em lugar nenhum. O modo artesanal faz toda diferença do mercado. Existem similiares, mas são triturados em máquinas de moer carne.

Processo artesanal do Biu

“O ponto da massa é o segredo”, diz Benedito. Com muita força nas mãos, ele modela a massa até o ponto final. Em seguida, coloca a massa nas forminhas e cobre com um pano branco molhado, para ser cozido no vapor. Quando sai do forno artesanal, ainda quentinho, leva um banho de leite de coco produzido da própria fruta. “Comecei com 18 anos neste mesmo lugar. Eu era vendedor. Na época, era muito rojão com carrinho na mão, nem pegava transporte. Fazia a região do mercado e tinha fregueses certos, não sobrava um cuscuz”, lembra o simpático Biu, que era empregado do primeiro dono da fábrica Nordeste, o potiguar João Crispim Moraes.

Biu — Jaraguá
Rua Cristóvão Colombo, 59, atrás do Mercado do Jaraguá
Segunda - as 16h15/ De terça a sábado, das 6h30 às 16h15
Encomendas: (82) 3327-9773


A Carroça — a receita de Pureza continuam- A história começou há mais de 100 anos com dona Pureza, passou para a filha Jaci, depois para a neta Nilde, e chegou até Rosilene, mãe de Rodolfo Novaes (@rodolfo_02)— a quarta geração dessa tradição viva. Foi Rodolfo quem continuou o preparo do cuscuz, primeiro por encomenda, depois por diversão… até juntar dinheiro suficiente para realizar um sonho: ir às Olimpíadas no Rio de Janeiro. Hoje, o que começou como brincadeira virou ofício e estrela da A Carroça .

Sai quentinho, molhado no leite de coco, com um sabor leve, salgado e um toque agridoce do coco. Desmancha no céu da boca. Sozinho, é uma ótima opção vegana. Com carne de sol desfiada e queijo coalho, ou com ovo ou frango, não importa a proteína, vira amor eterno.

Cuscuz da A Carroça

Maceió — Ponta Verde
Av. José Sampaio Luz, 578
Segunda a sábado, a partir das 17h
Telefone: (82) 99347-9727

Penedo — Vila Dão Pêdu
Centro Histórico de Penedo
nos dias de sexta e sábado, das 17h às 23h


Cuscuz do Luiz da cidade Universitária

Cuscuz do Luiz — produção artesanal na Cidade Universitária - Depois de trabalhar no Centro de Maceió e passar por Pernambuco, Luiz voltou e retomou a produção ao lado da esposa, Hilda, na Cidade Universitária. Na pequena fábrica, arroz e milho são transformados artesanalmente em cuscuz. Os grãos ficam de molho por cerca de 15 minutos, são moídos e peneirados. Um grande panelão foi adaptado para funcionar como cuscuzeira e completar o preparo no vapor. O leite de coco também é feito por eles. A produção é realizada sob encomenda.

Cuscuzeir do Luiz


Cuscuz do Luiz — Cidade Universitária
Gran Jardim dos Lírios, Q-E19
Produção às quartas, quintas e sextas
Telefones: (82) 98895-3941 e (82) 98817-0806


Cuscuz da Helena


Helena — tradição em Pão de Açúcar - Em Pão de Açúcar, às margens do Velho Chico, Helena Goes transforma arroz em cuscuz há mais de 30 anos. O que começou como uma forma de conseguir renda extra tornou-se uma especialidade. Ela aprendeu a receita com uma amiga e, no início, comprava a massa pronta. Com a experiência, passou a produzir a própria farinha, moendo o arroz várias vezes até chegar ao ponto desejado.O preparo tem outro charme: Helena utiliza pequenas cuscuzeiras com tecido. A farinha recebe bagaço de coco e, na hora de servir, entra o leite de coco natural. É uma produção artesanal e feita sob encomenda.

Cuscuzeria da Helena


Cuscuz da Helena — Pão de Açúcar
Encomendas: (82) 99637-8626


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