Hoje completa 50 anos a morte, em São Paulo, do metalúrgico Manoel Fiel Filho, alagoano nascido em Quabrangulo, um dos ícones dentre as vítimas do regime militar implantado no Brasil em março de 1964, pelas circunstâncias que marcaram seu assassinato.
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Na próxima segunda-feira (19) acontece, em São Paulo, um ato em memória dos 50 anos do assassinato de Manoel Fiel Filho e o lançamento do livro "Carrascos da Ditadura," do jornalista alagoano Jorge Oliveira, diretor do documentário "Perdão, Mister Fiel", que será exibido na ocasião.
A atividade acontece às 18 horas, na antiga sede do Sindicato dos Metalúrgicos e atual sede do Sindicato dos Aposentados da Força Sindical.
Durante o evento, será entregue a Medalha Manoel Fiel Filho a militantes do movimento operário e sindical, como reconhecimento à resistência democrática e à defesa dos direitos dos trabalhadores. A iniciativa é da Fundação Astrojildo Pereira (FAP), com apoio das centrais sindicais e do Centro de Memória Sindical, e terá transmissão pelos sites da FAP e do portal Tutaméia.
O jornal "O Estado de São Paulo" traz na edição deste sábado ampla reportagem sobre o episódio da morte de Manoel Fiel Filho, cujo resumo postamos a seguir:
"Com o país ainda chocado pela morte do jornalista Vladimir Herzog em uma prisão da ditadura militar alguns meses antes, o jornal recebeu em janeiro de 1976 a informação de que um operário havia morrido nas mesmas condiçõese que o regime tentava abafar a história.
O repórter Ricardo Kottscho foi apurar o caso e escreveu um texto que mostrava a vida do metalúrgico sem ligações políticas e como Manoel Fiel Filho saiu da fábrica onde trabalhava acompanhado de policiais para morrer nas mãos de torturadores em 17 de janeiro de 1976.
Fiel Filho havia foi detido por homens do DOI-Codi na fábrica onde trabalhava, um dia antes de aparecer morto. Não havia nenhuma acusação formal, nem mesmo investigação contra o metalúrgico. Mais um exemplo das violações aos direitos humanos cometidas pelos agentes da ditadura, o caso abalou o governo Geisel, que havia se comprometido com o processo de abertura política.
Dois dias após a morte do metalúrgico, Geisel afastou o comandante do 2º Exército, general Ednardo D'Ávila Melo, responsável pelo DOI-Codi.
Em 2025, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos entregou a mais de cem famílias as certidões de óbito retificadas de seus mortos e desaparecidos na ditadura militar. Entre os documentos corrigidos está o de Manoel Fiel Filho."
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