Eleições

Homem confessa ter atirado contra candidata, mas polícia diz que versão é falsa

Alfredo Henrique / FolhaPress | 15/11/20 - 16h08 - Atualizado em 15/11/20 - 16h27
Arquivo Pessoal / Divulgação

Um homem de 33 anos será processado por fraude processual após se apresentar à polícia de São Vicente (65 km de SP), na noite deste sábado (14), afirmando ser o autor dos tiros dados contra o carro da jornalista Solange Freitas (PSDB), candidata à prefeita da cidade do litoral, por volta das 10h20 de quarta-feira (11). Ninguém se feriu.

Policiais do 1º DP de São Vicente descartaram a participação do homem, pois a versão dada por ele limita-se somente "aos fatos e imagens veiculadas pela mídia".

"Em imagens colhidas pela equipe de investigação e não divulgadas [à imprensa], foi constatado que o verdadeiro autor apresentava uma lesão e uma tatuagem, características não verificadas com este falso autor em exame feito pelo IML [Instituto Médico Legal]", diz trecho de nota da SSP (Secretaria da Segurança Pública), gestão João Doria (PSDB).

Outras imagens, às quais o Agora teve acesso, mostram o suspeito, em uma moto, emparelhando e atirando, sem reduzir a velocidade, contra o carro da candidata.

A pasta acrescentou que o homem já conta com duas passagens criminais por porte ilegal de arma de fogo, além de responder por direção perigosa de veículo.

No relato dado à Polícia Civil, acompanhado por advogado, o homem afirmou ter se desfeito de roupas, capacete, arma e da moto usados no atentado. A defesa dele não foi encontrada para comentar o caso até a publicação desta reportagem.

"Está descartada por parte da polícia a participação desse indivíduo no atentado contra a candidata. Ele está criando um factoide político", afirma Manoel Gatto, diretor do Deinter-6 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior-6).

O falso atirador será processado por fraude processual, segundo a polícia, respondendo ao caso em liberdade. O 1º DP de São Vicente continua as investigações para identificar o criminoso que atirou contra o carro da candidata.

Entre segunda e sexta-feira (13), ao menos dois candidatos a vereador, sendo um no interior e outro na Grande SP, e a jornalista do litoral paulista foram vítimas de atentados a tiros. Nenhum suspeito pelos crimes ainda foi preso.

VIOLÊNCIA

Ao menos 15 candidatos nas eleições municipais deste ano foram assassinados no país desde o dia 17 de setembro, primeiro dia após o fim das convenções realizadas pelos partidos que oficializaram as candidaturas, até o início do mês de novembro.

Foram mortos 14 candidatos a vereador e um candidato a prefeito em cidades de 12 estados, o que significa uma média de assassinato ligado à eleição a cada três dias.