Homem viraliza após harmonização facial; antes e depois surpreende

Publicado em 23/10/2026, às 18h34
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Por Revista GQ

Fernando Augusto Marchetti, um engenheiro mecatrônico de 44 anos, decidiu passar por uma harmonização facial após anos de insegurança relacionada à aparência do seu queixo e nariz, o que gerou comparações e apelidos na infância. A transformação, realizada por sua esposa, chamou atenção nas redes sociais e repercutiu internacionalmente.

O tratamento envolveu três sessões de harmonização facial e a aplicação de mais de 60 ml de ácido hialurônico em diversas áreas do rosto, visando melhorar a estética facial e a autoestima de Fernando. Apesar da transformação significativa, ele optou por não realizar uma cirurgia ortognática, considerando o procedimento invasivo e não tendo recebido recomendações formais para tal.

A repercussão da mudança foi intensa, gerando tanto elogios quanto críticas nas redes sociais, onde muitos compararam sua nova aparência a figuras da cultura pop. Fernando defende o direito de cada um escolher seu próprio tratamento estético e destaca que a principal mudança foi a forma como passou a se ver, sentindo-se mais confortável em sua própria pele.

Resumo gerado por IA

Doug Funnie, personagem de desenho animado e o compositor Noel Rosa tinham algo em comum na vida de Fernando Augusto Marchetti: ambos eram usados como comparação para fazer brincadeiras sobre sua aparência. Na escola, o engenheiro mecatrônico, 44, também recebia apelidos relacionados ao formato do nariz, que parecia mais proeminente devido à pouca projeção do queixo.


“A falta de projeção do meu queixo sempre foi motivo de muita insegurança. Desde os meus 14 ou 15 anos, quando minha barba começou a nascer, eu já a deixava crescer para tentar disfarçar essa característica. Eu sempre usava cavanhaque ou barba longa justamente para esconder o formato do meu rosto”, conta Fernando à GQ Brasil.

Décadas depois, ele decidiu mudar a aparência por meio de uma harmonização facial realizada pela própria esposa, a biomédica esteta Chris Marchetti, que atua há mais de 15 anos em Fortaleza. A transformação, registrada em fotografias de antes e depois, chamou atenção nas redes sociais e repercutiu até fora do Brasil.

“No caso do Fernando, a estrutura óssea do terço inferior - mento e mandíbula - não se desenvolveram o quanto deveriam e ainda havia bastante papada apagando a divisão entre queixo, mandíbula e pescoço”, explica Chris. Segundo ela, essa combinação também fazia com que o nariz parecesse maior em relação ao restante do rosto.


O tratamento envolveu três sessões de harmonização facial ao longo de vários meses, além de um procedimento para reduzir a papada. A profissional afirma que utilizou mais de 60 ml de ácido hialurônico, distribuídos por diferentes regiões da face, incluindo têmporas, área dos olhos, nariz, mandíbula e queixo. “Minha abordagem não consiste de procedimentos isolados, mas de um método: o Full Face UP Men [técnica de harmonização facial completa voltada ao público masculino]”, afirma Chris.


Embora as fotografias mostrem uma transformação expressiva, Fernando explica que o resultado não foi alcançado de uma só vez. “Muitas pessoas levam um choque ao ver como meu rosto melhorou. Ao ver as fotos, alguns inclusive desconfiam que não se trata da mesma pessoa, pois imaginam que um belo dia eu entrei no consultório com ‘zero’ de queixo e saí perfeitamente harmonizado”, relata. “Foi maravilhoso, pela primeira vez eu conseguia sair com a barba feita! Era uma sensação de alívio misturada com liberdade de ser eu mesmo".

Por que ele não fez uma cirurgia ortognática?

Antes da harmonização, a própria esposa recomendou que Fernando considerasse uma avaliação para cirurgia ortognática. Ele, porém, decidiu não seguir esse caminho. “Se tivesse conhecido a possibilidade cirúrgica quando era mais jovem, certamente a teria considerado. Porém decidi que na minha atual fase de vida não estaria disposto a enfrentar um procedimento mais invasivo”, explica.


O engenheiro afirma que, apesar de ter passado por diversos dentistas e utilizado aparelho ortodôntico durante anos, nunca havia recebido uma indicação formal para esse tipo de cirurgia. Chris conta que a possibilidade de uma abordagem cirúrgica foi considerada diante das características estruturais do rosto do marido. “A recomendação cirúrgica seria principalmente para ganhar estrutura óssea, porém ele optou pela não realização da mesma”.

A profissional explica que os tratamentos têm objetivos distintos. Enquanto a harmonização facial atua sobre a aparência, a cirurgia ortognática permite modificar a posição dos ossos da face, inclusive quando existem alterações funcionais.


Para a cirurgiã-dentista Mayara Oliveira, consultada pela reportagem, a distinção é fundamental. Ela explica que um queixo muito retraído pode estar associado à retrognatia, condição caracterizada pelo posicionamento posterior da mandíbula.


Nesses casos, além da estética, é necessário considerar questões relacionadas à função e à oclusão dentária. “Quando a gente fala da ortognática, a gente vai acessar tecido ósseo, movimentar, mudar a estrutura. E quando a gente tá falando em preenchimento, a gente vai preencher, mas a nível tecido”, explica Mayara.


Segundo a especialista, a harmonização facial não é necessariamente contraindicada para pessoas com características semelhantes às de Fernando, desde que sejam utilizados produtos apropriados e o paciente compreenda as limitações do tratamento. Outro ponto de atenção é a durabilidade. O ácido hialurônico utilizado por Chris é um material reabsorvível, o que significa que novas aplicações podem ser necessárias ao longo do tempo.

“Existe sim indicação, mas existe limitação. Vai muito do paciente estar ciente dessa comunicação”, afirma Mayara. Chris, por sua vez, diz que costuma considerar a harmonização um tratamento semi definitivo, cujos resultados podem ser mantidos com aplicações periódicas. A necessidade e a frequência dessas intervenções, porém, dependem das características do tratamento e da resposta individual do organismo.

As pessoas comentaram

A transformação de Fernando acabou ultrapassando o círculo de conhecidos. As imagens de antes e depois circularam nas redes sociais e provocaram reações que misturavam surpresa, elogios e brincadeiras sobre sua nova aparência. “Foi de Noel Rosa a Antônio Banderas em um PIX”, escreveu um usuário. Outro brincou que, depois da harmonização, “faltou estoque de ácido hialurônico no mercado global”. Houve ainda quem comparasse a mudança a uma ascensão profissional: “O cara saiu de analista de TI júnior pra CEO hahaha”.


As referências à cultura pop também apareceram. “O cara saiu de nerd rejeitado pra super popular da época”, comentou uma internauta. Outro usuário resumiu a transformação com uma brincadeira: “Ele reencarnou em vida”.


Fernando entrou no clima das piadas. Ao receber o comentário de que agora conseguia dobrar lençol, respondeu entre risadas: “Genial”. Nem todas as manifestações, porém, foram elogiosas. Algumas pessoas questionaram sua decisão de realizar a harmonização facial em vez de uma cirurgia ortognática. Fernando diz compreender parte das críticas, mas defende o direito de escolher o procedimento ao qual deseja se submeter.

“Penso que precisamos respeitar a decisão de cada pessoa sobre seu próprio rosto e, sobretudo, os profissionais, cada um em sua especialidade”, pontua. Segundo ele, a repercussão foi tão grande que se tornou difícil acompanhar todas as mensagens recebidas. O casal decidiu, então, limitar os comentários nas publicações, embora Fernando ressalte que a maioria das manifestações foi positiva.


Para além da repercussão, ele considera que a principal mudança ocorreu na maneira como passou a enxergar a própria imagem. “Os comentários dos outros podem nos fazer um certo mal, mas penso que nada se compara à nossa própria insatisfação ao nos olhar no espelho e não nos sentirmos bem em nossa própria pele”, resume. “Ao olhar as fotos antigas, sinceramente eu não sinto que seja a mesma pessoa".

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