Entre 21 e 22 de outubro, o Hospital Geral do Estado (HGE) em Maceió realizou três captações de órgãos, resultando em 13 doações que beneficiarão pacientes em espera por transplantes, transformando a dor de três famílias em esperança para outras 13.
As doações incluíram rins, córneas e fígado, com seis pacientes deixando a hemodiálise, seis recuperando a visão e um recebendo um novo fígado, destacando a importância da solidariedade em momentos de perda.
Apesar do avanço, com 31 mil transplantes realizados em 2025 no Brasil, ainda há 619 pessoas em Alagoas aguardando doações, e cerca de 45% das famílias não autorizam a doação, evidenciando a necessidade de conscientização sobre o tema.
Enquanto três famílias viviam o momento mais difícil de suas vidas, a mesma decisão tomada por elas, em meio à dor, mudou o destino de 13 pessoas que sequer conhecem. Entre as tardes de quarta-feira (21) e quinta-feira (22), o Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, realizou três captações de órgãos, resultando em 13 doações. São rins, córneas e fígado que já seguiram para pacientes que contavam os dias à espera dessa nova chance.
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O primeiro “sim” veio da família de um homem de 38 anos, vítima de um acidente de motocicleta. Os familiares autorizaram a doação das córneas e dos rins. Horas depois, foi a vez da família de uma mulher de 74 anos, que sofreu um acidente vascular cerebral (AVC). Nela, também foi viável a captação dos rins e das córneas. Fechando a sequência, a família de um homem de 64 anos, vítima de um acidente de bicicleta, permitiu a doação dos rins, das córneas e do fígado.
“Com essas captações, conseguimos ajudar 13 pessoas que precisam do transplante. Seis delas deixarão para trás as sessões de hemodiálise, mais seis poderão voltar a enxergar e uma ganhou a chance de viver com um novo fígado. Isso é maravilhoso! Por isso falamos tanto que, quando uma família diz sim no momento da perda, ela transforma a dor em vida. Cada órgão captado representa um paciente que estava aguardando um telefonema, uma família que estava torcendo por uma notícia. E essas três doações são a prova de que a solidariedade dos alagoanos salva vidas”, afirma a coordenadora da Central de Transplantes de Alagoas, Daniela Ramos.
Lista de espera
Mas em Alagoas ainda há 619 pessoas aguardando por um transplante. A maior parte delas (548) espera por uma córnea; outras 47 precisam de um rim e 24 aguardam um fígado. Vale lembrar que, por trás de cada número, há alguém que adapta a rotina à doença e famílias que convivem com a aflição.
No caso de quem espera por um rim, são horas semanais ligadas a uma máquina de hemodiálise. Quem aguarda uma córnea enxerga a vida com limitações que atrapalham o trabalho, a leitura e a independência. E para quem precisa de um fígado, muitas vezes, é uma corrida contra o tempo para evitar a fatalidade.
“A espera é longa e cheia de angústia. Por isso, cada doação tem um peso enorme. A córnea, por exemplo, devolve a visão e a autonomia. É uma pessoa que volta a reconhecer o rosto dos filhos, a trabalhar, a viver plenamente”, detalha Daniela Ramos.
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Um cenário nacional de avanços e desafios
O momento também é de avanço no país. De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil registrou 31 mil transplantes em 2025, um recorde histórico, o que representa crescimento de 21% em relação a 2022, quando foram feitos 25,6 mil procedimentos. O Sistema Único de Saúde (SUS) financia cerca de 86% dos transplantes no país, oferecendo gratuitamente toda a assistência, dos exames preparatórios à cirurgia, ao acompanhamento e aos medicamentos pós-transplante.
Ainda assim, a necessidade continua grande. Quase 49 mil pessoas aguardam um transplante de órgão no Brasil, e mais de 45 mil delas esperam por um rim. O principal obstáculo não é técnico: de acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 45% das famílias não autorizam a doação, o que limita o número de transplantes que poderiam ser realizados.
“Ou seja, a nossa missão começa muito antes da cirurgia. A gente acolhe a família, explica cada etapa com transparência, respeita o tempo do luto. Nunca é uma conversa fácil, mas percebemos que, quando a pessoa já tinha falado em vida sobre o desejo de ser doadora, a família decide com muito mais tranquilidade. É como se ela estivesse cumprindo uma última vontade de quem ama”, relata o coordenador da Organização de Procura de Órgãos (OPO) do HGE, Lucas Santana.
Ele acrescenta que, depois da autorização, começa uma verdadeira corrida contra o relógio, que envolve exames, compatibilidade, logística de transporte e equipes cirúrgicas trabalhando de forma integrada. “Em poucas horas, fizemos isso três vezes. É cansativo, mas é uma alegria imensa saber que, do outro lado, alguém está recebendo a ligação que esperava há meses ou anos”, salientou Lucas Santana.
HGE é referência em captação
O HGE é referência em urgência e emergência em Alagoas e recebe diariamente vítimas de acidentes de trânsito, AVCs e outras situações graves. Para o diretor-geral do HGE, Fernando Fortes Melro, as captações mostram a maturidade da equipe e o compromisso da unidade com a vida, mesmo nos desfechos mais difíceis.
“Nosso primeiro compromisso é sempre lutar pela vida do paciente. Quando, infelizmente, isso não é mais possível, entra em ação outra equipe preparada para acolher essas famílias e conduzir o processo de doação com ética, segurança e respeito. Realizar três captações em um único dia é resultado de muito preparo e, sobretudo, da generosidade dessas famílias, a quem deixamos nosso mais profundo agradecimento”, declarou o gestor.
No Brasil, a doação de órgãos só acontece com a autorização da família. Por isso, o passo mais importante para quem deseja ser doador é simples: conversar com os familiares e deixar claro esse desejo. “Fale hoje. Não deixe para depois. Uma conversa na mesa do jantar pode, um dia, salvar muitas vidas”, reforça a coordenadora da Central de Transplantes de Alagoas.
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