Especialistas explicam como integração, custo por operação e destino dos ganhos de produtividade entram na conta de empresas que querem extrair mais valor da inteligência artificial
A inteligência artificial amplia a capacidade de produzir, atender e decidir. Mas o valor econômico desse avanço não se resume às horas economizadas: ele pode aparecer em custos evitados, margem, receita adicional ou serviços que antes não eram viáveis. Capturá-lo exige olhar para a operação como um todo.
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Pesquisa global da McKinsey, publicada em agosto de 2026, aponta que 80% dos entrevistados relatam ganhos de produtividade individual com IA, enquanto 37% atribuem impacto positivo no resultado operacional (EBIT) de suas organizações à tecnologia. São indicadores distintos, que reforçam a importância de conectar eficiência a resultados de negócio.
“A IA está mudando a economia dos processos. Quando cai o custo de executar uma atividade, surgem oportunidades de ampliar serviços e operar em outra escala. Mas uma resposta rápida não é o mesmo que um processo concluído: é preciso integrar modelos, dados, sistemas e regras com segurança e custos sustentáveis”, afirma Celso Oliveira, fundador e CTO da OpenCircle, consultoria de tecnologia e inteligência de negócios.
Para ajudar gestores a avaliarem a próxima etapa dos investimentos, os especialistas da OpenCircle propõem cinco decisões. Confira!
Um agente pode redigir uma proposta, mas o negócio só avança se preços, aprovação, CRM (Customer Relationship Management) e demais etapas funcionarem em conjunto. O custo e o tempo de coordenação entre sistemas e equipes também entram na conta.
O que fazer: mapear o fluxo até o resultado, identificar transferências manuais, exceções e integrações críticas. Priorize conexões que destravem o processo, em vez de integrar tudo indiscriminadamente.
“A IA ganha ainda mais valor quando passa a participar de processos completos. Não se trata apenas de acelerar uma atividade, mas de conectar essa capacidade à operação para atender melhor, aumentar escala e abrir espaço para novas receitas. A decisão é entender onde essa conexão gera o maior efeito econômico”, complementa Anna Gomez, CEO da OpenCircle.
Bases fragmentadas e sistemas legados podem limitar novas aplicações, mas trocar tudo pode aumentar o custo, o prazo e o risco sem benefício proporcional.
O que fazer: avaliar a qualidade e a responsabilidade pelos dados, as APIs (Application Programming Interface), a segurança e as dependências. Comparar a integração, a modernização gradual e a substituição com base no efeito esperado sobre o negócio.
Tempo liberado pode reduzir despesas futuras, elevar a capacidade de atendimento ou financiar o crescimento. Também pode ser repassado ao cliente em preços menores; não se converte automaticamente em faturamento.
O que fazer: definir, antes do projeto, se o benefício buscado é margem, custo evitado, receita incremental, qualidade ou capacidade. Criar uma linha de base e identificar como a empresa vai capturar e medir esse valor.

Uma prova de conceito valida a capacidade técnica, mas não garante uma operação confiável em escala. Supervisão humana, falhas, retrabalho, integrações, infraestrutura e segurança afetam o custo real.
O que fazer: medir o custo por atendimento resolvido, por transação concluída ou outro resultado de negócio; testar volumes, taxas de exceções, latência, disponibilidade e controles antes da expansão.
“Escalar não é só suportar mais usuários. É manter a qualidade e a segurança enquanto o custo por resultado permanece economicamente sustentável. Uma solução pode parecer viável em cem execuções e apresentar outra estrutura de custos com cem mil. Essa resposta depende da arquitetura”, afirma Celso Oliveira.
Mais ferramentas nem sempre representam mais resultados. Às vezes, a melhor decisão é corrigir uma integração ou redesenhar um processo para extrair mais das soluções existentes.
O que fazer: comparar alternativas por retorno esperado, risco, prazo e custo total de operação, incluindo manutenção e governança. Estabelecer critérios para ampliar, rever ou interromper o investimento.
Um estudo do IBM Institute for Business Value, divulgado em junho de 2026, aponta que 85% dos executivos de tecnologia entrevistados não tinham visibilidade completa dos gastos com IA em tempo real.
“Talvez a decisão mais importante sobre IA seja o destino dos ganhos de produtividade. A empresa vai convertê-los em margem, reinvesti-los para crescer ou transformá-los em preços mais competitivos? Cada caminho requer escolhas comerciais e tecnológicas diferentes. A vantagem estará em saber capturar o valor criado, não apenas em produzir mais”, conclui Anna Gomez.
Por Caio Olliveira
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