Ibovespa sobe até 9% e vai a inéditos 209 mil pontos com favoritismo de Flávio Bolsonaro

Publicado em 05/10/2026, às 13h05
Ibovespa bate inéditos 209 mil pontos e dólar despenca após 1º turno - Foto: Agência Brasil
Ibovespa bate inéditos 209 mil pontos e dólar despenca após 1º turno - Foto: Agência Brasil

Por CNN

O primeiro turno das eleições, com Flávio Bolsonaro liderando Luiz Inácio Lula da Silva, provocou uma euforia no mercado financeiro, resultando em um recorde histórico do Ibovespa, que alcançou 209,6 mil pontos, e uma queda significativa do dólar e dos juros futuros.

A melhora na percepção de risco do Brasil e a expectativa de um fluxo de capital estrangeiro para a bolsa foram fatores cruciais para essa reação positiva do mercado, refletindo uma confiança renovada nas perspectivas econômicas e na nova composição do Congresso.

As ações de empresas brasileiras, tanto no Brasil quanto no exterior, apresentaram altas expressivas, enquanto os investidores demonstraram otimismo em relação à possibilidade de reformas econômicas sob um governo de Flávio Bolsonaro, que é visto como mais favorável ao ajuste fiscal.

Resumo gerado por IA

O resultado do 1° turno das eleições, com Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), gera euforia no mercado financeiro, com o Ibovespa batendo seu recorde histórico, aos 209,6 mil pontos.

Ao mesmo tempo, o dólar e juros futuros despencam nas negociações, enquanto o Ibovespa futuro com vencimento em outubro chegou a saltar 8,43% nesta segunda-feira (5).

Às 10h36 (de Brasília), o principal indicador do mercado brasileiro de ações continuava a subir 8,35% com o entusiasmo do mercado, aos 208 mil pontos - próximo à marca histórica. 

Segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, o desempenho robusto reflete a leitura positiva dos agentes econômicos sobre a corrida eleitoral.

"Mais do que o alívio imediato, o resultado das urnas trouxe uma sensível melhora nas perspectivas para a trajetória da dívida pública, ancorando a confiança do mercado em um cenário econômico mais estável a partir de 2027", afirmou.

De acordo com ela, o movimento também reflete o otimismo sobre a nova composição do congresso e sua disposição para se comprometer com reformas e medidas impopulares, além de oferecer o "benefício da dúvida" para um novo governo.

Do lado do câmbio, o dólar abriu em forte queda, com recuo de 4,50%, sendo negociado abaixo de R$ 5. O movimento vai na contramão do exterior, onde o dólar sobe sobre as principais divisas.

Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o dólar cai motivado essencialmente por dois grandes fatores.

O primeiro deles ligado à melhora da percepção de risco do país, visto que a moeda reflete os fundamentos econômicos e é altamente sensível ao ambiente fiscal, e o segundo puxado pelo fluxo de capital.

"Existe a expectativa de uma forte entrada de fluxo estrangeiro para a bolsa brasileira, o que aumenta a oferta de dólares no mercado e faz o preço da moeda cair devido à lei de oferta e demanda. Esses movimentos refletem também o cenário eleitoral e as reações do mercado a mudanças políticas que apontam para o deslocamento do eixo político, trazendo surpresas e reações diretas no câmbio, nos juros e nas bolsas."

Já as taxas dos DIs, também conhecidas como juros futuros, abriram a sessão de segunda-feira com fortes baixas, próximas de 100 pontos-base nos contratos mais longos.

No mesmo horário do IBOV, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,725%, ante o ajuste de 13,509% da sessão anterior. A retirada de prêmios na curva era mais intensa no trecho longo -- mais suscetível à política fiscal.

Isso porque Flávio é visto como um nome mais propenso a priorizar o ajuste das contas públicas, ainda que seus planos para a área não estejam claros, enquanto Lula enfrenta a desconfiança de uma parcela relevante do mercado.

O resultado das urnas também impulsiona ativos brasileiros no exterior e eleva expectativas para uma forte alta do Ibovespa na abertura do pregão. O mercado reage ao resultado do 1º turno da corrida eleitoral, que mostrou um domínio da direita no Brasil, com avanço de partidos como o PL no Congresso Nacional. Além disso, Flávio Bolsonaro (PL) ficou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na votação.


Ativos brasileiros sobem
As ações de empresas brasileiras listadas nos Estados Unidos se valorizavam no exterior. Durante a abertura de mercado em Nova York, a Petrobras subia cerca de 9,7%, enquanto o maior banco privado da América Latina, o Itaú Unibanco, registrava alta de mais de 16%.

O banco Bradesco avançava 16% e a fabricante de aeronaves Embraer subia 2,7%. Já as ações do Nubank se valorizavam cerca  13%, respectivamente.

"O desempenho (de Bolsonaro) acima do esperado e a guinada à direita no Congresso devem apoiar o Ibovespa e exercer pressão baixista sobre os rendimentos de longo prazo”, afirmou Andrés Abadia, economista-chefe para a América Latina da Pantheon Macroeconomics.

Na cena nacional, a maioria das ações brasileiras sobem, com destaque para a Magazine Luiza e a própria B3, a bolsa de valores do Brasil, que subiam 25% e 23%, respectivamente.

Das ações de maior peso, o Itaú Unibanco subia cerca de 10% na bolsa, enquanto a Petrobras tinha altas de 5,7% e 4,5% para as ações preferenciais e ordinárias da empresa, nessa mesma ordem.

Da tríade dos "pesos pesados", apenas a Vale caía na sessão, com baixa superior a 3%.

A tese do mercado
O resultado dá ao candidato do PL um nível de favoritismo no segundo turno que também não era esperado, segundo fontes ouvidas pelo CNN Money.

O entusiasmo do mercado deve prosseguir nesta segunda-feira, ajudando a bolsa e o real a subirem e jogando para baixo os juros futuros. E ele expressa uma leitura dos resultados tanto para o planalto quanto para o congresso : os investidores entenderam o avanço da direita como uma espécie de “mandar para reformas”.

Mais do que a possibilidade de troca de presidente, a expectativa é de que Flávio, se eleito, encontre condições políticas para conduzir a agenda econômica desejada pelo mercado.

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