Maceió

Iphan suspende obras de revitalização no Centro de Maceió por possível dano ao patrimônio arqueológico

Lelo Macena | 11/11/21 - 17h57 - Atualizado em 11/11/21 - 18h45

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) determinou a paralisação por tempo indeterminado das obras de revitalização do Centro de Maceió, orçadas em R$ 4,4 milhões, após possíveis danos ao patrimônio arqueológico do centro histórico da capital. O 'embargo' aconteceu após trabalhadores da obra encontrarem vestígios dos trilhos dos antigos bondes, além de elementos que, possivelmente, podem caracterizar um sambaqui (sítios arqueológicos deixados por povos pré-históricos que habitavam a costa brasileira de 7 a 8 mil anos atrás, muito antes dos tupis-guaranis. Esses sítios são geralmente compostos por ossos de peixes, pássaros e mamíferos, além de conchas de moluscos e outros materiais orgânicos), conforme foi constatado por técnicos do órgão que estiveram no local.   

Vestígios de trilhos dos antigos bondes de Maceió encontrados durante escavações das obras do Centro de Maceió. Reprodução TV Pajuçara

"Diante disso, o Iphan alertou à Prefeitura de Maceió e solicitou a paralisação temporária da obra. Pediu ainda que cercassem o perímetro da área para a devida proteção do sítio arqueológico cadastrado pelo Instituto. O Iphan reconhece a importância dessa ação da Prefeitura, um projeto de acessibilidade que atende demandas cotidianas do cidadão", diz a nota do Iphan enviada à redação do TNH1.

Ainda de acordo com a nota, Iphan, Prefeitura de Maceió e demais órgãos envolvidos "estão em diálogo para conciliar a proteção do Patrimônio Arqueológico com a retomada das obras no prazo mais breve possível".

De acordo a Prefeitura de Maceió,  uma reuniçao nesta nesta sexta-feira (12) vai  discutir a melhor forma para retomar as obras seguindo os critérios necessários para preservação do patrimônio cultural e histórico da cidade.

Prejuízo

À princípio, a notícia da suspensão chegou à redação do TNH1 por meio de áudios de comerciantes que se sentem prejudicados e veem a queda do movimento de suas lojas por conta das obras, que tinham previsão de conclusão para o próximo mês de dezembro.

"Hoje, para surpresa nossa, ficamos sabendo que a obra foi embargada por tempo indeterminado porque acharam o trilho de quando passava por aqui o bonde, e não poderiam ter arrancado esses trilhos debaixo das pedras, que é patrimônio não sei de quem, e que não servia de nada pra gente, porque já havia passado a pavimentação anterior por cima", disse um comerciante.

Segundo ele, os comerciantes da Rua da Alegria estão sendo penalizados com essa situação e o movimento, ainda de acordo com ele, despencou. "Por aqui já não está passando ninguém, e com essa obra embargada ficou ainda pior", disse o comerciante.

De acordo com informações do site História de Alagoas, "os bondes elétricos passaram a circular em Maceió no dia 12 de outubro de 1913, no Governo de Clodoaldo da Fonseca, sendo a concessão da Companhia Alagoana de Trilhos Urbanos, de propriedade da família Machado". No site é possível ver uma foto que mostra a inauguração do sistema de bondes elétricos, na Praça dos Martírios, no dia no dia 12 de outubro de 1913. Veja abaixo.