A estreia de Cabo Verde na Copa do Mundo destacou o goleiro Vozinha, que garantiu um empate sem gols contra a Espanha, elevando sua popularidade instantaneamente. A performance do atleta fez dele um dos principais assuntos do torneio, refletindo o talento emergente do futebol cabo-verdiano.
Kleidir Dias, irmão de Vozinha, que vive em Pernambuco, compartilha a trajetória de superação do goleiro, ressaltando que seu sucesso é fruto de anos de dedicação e paixão pelo esporte. Desde a infância, Vozinha demonstrou um amor inabalável pelo futebol, jogando em qualquer espaço disponível.
Apesar da fama repentina, Kleidir mantém uma vida simples como professor particular e afirma que a humildade é uma característica da família. Ambos os irmãos sonham com um reencontro após quatro anos separados, com a expectativa de que a celebração da conquista se mantenha modesta e familiar.
A atuação de Vozinha na estreia de Cabo Verde na Copa do Mundo transformou o goleiro em um dos personagens mais comentados do torneio.
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Responsável por segurar o empate sem gols diante da poderosa Espanha, Josimar Dias viu sua popularidade explodir em questão de horas. Enquanto milhões de pessoas descobriam quem era o herói cabo-verdiano, um de seus maiores admiradores acompanhava tudo à distância, direto da região metropolitana do Recife.
Em Camaragibe, Pernambuco, vive Kleidir Dias, irmão do goleiro. Professor particular de matemática, ele leva uma vida discreta, longe dos holofotes que agora cercam o familiar. Há quatro anos sem encontrá-lo pessoalmente, Kleidir assistiu com emoção à partida que colocou Vozinha no centro das atenções do futebol mundial.
Para Kleidir, porém, o reconhecimento apenas confirma algo que ele observava desde a infância. "Meu irmão sempre teve fome de futebol. Era uma coisa que estava dentro dele desde pequeno. Eu também jogava, mas não levava tão a sério. Já ele respirava futebol o tempo inteiro", contou em entrevista ao GE.
A lembrança mais viva vem dos tempos em que os irmãos passavam horas brincando na casa da avó, Maria Senhorinha dos Santos. Foi justamente dela que nasceu o apelido que mais tarde se tornaria conhecido nos gramados.
Segundo Kleidir, qualquer espaço servia de campo. As traves eram improvisadas com pedras na rua e, dentro de casa, até os quartos viravam palco para partidas entre os irmãos.
"Jogávamos em qualquer lugar. Na rua, nos quintais e até dentro dos quartos. A bola batia na parede e ele já se jogava para defender. Desde criança queria ser goleiro. Eu via isso nos olhos dele", relembrou.
O professor afirma que a trajetória do irmão nunca foi fácil. Para ele, o sucesso alcançado por Vozinha é resultado de anos de esforço e persistência diante das dificuldades encontradas pelo caminho.
"Ele chegou onde chegou com muita dedicação. Cada obstáculo serviu para fortalecê-lo ainda mais. Tudo o que aconteceu teve um propósito", afirmou.
A primeira conversa entre os dois após a partida histórica foi marcada pela emoção. Mesmo separados pela distância, eles mantêm contato frequente por chamadas de vídeo e mensagens.
Kleidir se mudou para o Brasil para estudar Teologia. A escolha por Pernambuco teve também uma razão pessoal: ele já mantinha um relacionamento com uma pernambucana, com quem acabou se casando. Desde então, construiu uma rotina simples, dividida entre a família e as aulas particulares, cobrando entre R$ 80 e R$ 90 por mês dos alunos.
Mesmo com a fama repentina do irmão, ele garante que sua vida não mudou. "Quem tem que aparecer é ele, não eu. Tive um dia normal de trabalho. Algumas crianças comentaram que conheciam o Vozinha e ficaram surpresas quando souberam que eu era irmão dele", disse.
Segundo ele, a humildade é uma característica marcante não apenas de Vozinha, mas de toda a família. O professor cita a palavra cabo-verdiana "morabeza", utilizada para definir valores como simplicidade, acolhimento e tranquilidade.
"Em Cabo Verde não existe muito essa ideia de celebridade. Quando ele voltar para casa, vai ter festa por um ou dois dias. Depois vai colocar um chinelo, uma camiseta, ir à praia e ficar com a família. Somos assim", afirmou.
Agora, após quatro anos sem se verem pessoalmente, os irmãos sonham com um reencontro que ganhou ainda mais significado depois da Copa. "A emoção será simplesmente abraçar meu irmão. Para o mundo inteiro ele é o Vozinha. Para nós, continua sendo o Josimar. É assim que sempre será", declarou.
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