Irmão de professora morta com mais de 30 facadas depõe contra ex-cunhado em júri: "Comportamento possessivo"

Publicado em 29/07/2026, às 12h15
Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal

Por Redação

O irmão da professora Cenira Angélica Ventura da Silva, de 39 anos, foi o primeiro a ser ouvido no julgamento do réu José Ricardo dos Santos, nesta quarta-feira (29), no Fórum Desembargador Oscar Tenório, no município de Viçosa, no interior de Alagoas. A morte de Angélica aconteceu com requintes de crueldade, com mais de 30 facadas, no dia 2 de março de 2018. José Ricardo, o então companheiro, fugiu e foi preso em 2023.

O familiar da professora, Alexandre Henrique, lembrou, inicialmente, como era a convivência com a irmã e também lembrou do relacionamento dela com José Ricardo. "Ela era uma pessoa que todos que conviviam tinham facilidade de gostar. Sempre estava disposta a ajudar as pessoas", começou.

"Minha mãe disse que ele era estranho e tinha um comportamento possessivo. Inclusive, soube que a ex-companheira morria de medo dele", complementou ao destacar que descobriu o relacionamento abusivo dos dois após a mãe fazer reclamações sobre a conduta do ex-genro.

Alexandre também explicou que, no dia do crime, ao chegar no local, foi informado por populares que José Ricardo foi o assassino e que fugiu em uma moto. Sobre o estado do corpo da irmã, ele disse ter apagado a cena da memória. "Eu vi, mas meu cérebro bloqueou. Acho que pelo choque".

O irmão também relembrou que Angélica havia saído mais cedo da escola naquele dia. Ele contou que a professora ficou em uma praça com as amigas, e que depois de José Ricardo aparecer no espaço público, o casal foi para a casa. "Os vizinhos ouviram gritos, a discussão. Ele premeditou tudo", reforçou.

Em depoimento, por videoconferência, José Ricardo voltou a negar o feminicídio. 

O crime 

Em 2 de março de 2018, Angélica, como era mais conhecida, foi agredida dentro da própria residência e tentou fugir para salvar a própria vida. No entanto, segundo a acusação, o então companheiro a alcançou e a matou com 37 facadas em via pública. À época do assassinato, o caso teve grande repercussão em razão da violência empregada.

José Ricardo dos Santos fugiu no dia do feminicídio e apenas foi preso em dezembro de 2023 no estado do Mato Grosso. Desde então, segue recluso.

A tese sustentada pelo Ministério Público do Estado de Alagoas é de homicídio qualificado por motivo fútil, de forma que não permitiu a defesa da vítima, e por ter sido praticado contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, o que caracteriza feminicídio. Todas as qualificadoras no contexto de violência doméstica e familiar.

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