Maceió

Lula e Bolsonaro, companheiros inseparáveis? Mulher dá nomes a vira-latas e diverte vizinhança em Maceió

Ana Carla Vieira | 25/01/21 - 12h10 - Atualizado em 25/01/21 - 13h06
Cortesia ao TNH1

Na rua, quando Orgeny sai para fazer sua caminhada matinal, no Conjunto João Sampaio II, no Benedito Bentes, parte alta de Maceió, as pessoas estranham os gritos: "vem, Bolsonaro! Fica quieto, Lula". Mas, na realidade, não é aos dois políticos brasileiros que a empresária e dona de casa está se referindo, mas aos cachorros vira-latas que ela batizou com os nomes do presidente e do ex-presidente.  

"Eles apareceram perto da minha casa e uma vizinha começou a colocar comida. Depois ela parou e eu continuei cuidando deles, mas eles moravam na rua. Foi quando o dono da padaria que fica ao lado disse que ia colocar os dois pra longe dali, porque eles ficavam correndo atrás do povo. Aí eu tentei um abrigo pra eles e não consegui. Foi quando resolvi adotar os dois. Meu marido relutou, não queria que eu ficasse com eles, mas eu fiquei. Agora ele [o marido] vive com raiva de mim por causa do Lula e do Bolsonaro", conta Orgeny. 

Ela mantém os cachorros há um ano e meio em uma casa que ela tem e está desocupada. Ela conta que vai lá diariamente colocar comida para os dois e solta os vira latas quando sai para caminhar, às 6h da manhã.

"Na rua, virou uma comédia. As pessoas estranham mesmo quando me veem chamando 'Lula...', 'Bolsonaro...' Eu não coloquei esses nomes para desmerecer o presidente, até porque sou bolsonarista fanática. Se você falar mal do Bolsonaro eu endoido. E também não tenho nada contra o Lula", afirma.

BinLaden, Dilma e Michelle [Obama]

Orgeny Borges, de 55 anos, divide seu tempo como empresária de provedor de internet e dona de casa. Ela é mãe de quatro filhos e cuida de 3 cachorros e um gato. A mulher conta que sempre gostou de dar nomes de pessoas conhecidas aos seus animais de estimação. Mas não são nomes de artistas ou celebridades. Os bichos da Orgeny sempre foram batizados com nomes de personalidades políticas. 

"Eu tenho também o Bin Laden e tive duas gatas, que eram a Dilma e a Michelle [Obama]. Eu sempre gostei de dar nome de pessoas importantes aos meus animais, nomes bem chamativos. Por coincidência, o Bolsonaro é alto, magro, grande e amarelo e eu achei ele parecido com o presidente. O Lula é pequenininho, marronzinho... Agora os dois só gostam de cardápio variado. Não gostam de comer a mesma coisa todo dia. E se ficarem sem passear, fazem greve de fome", descreve a dona dos animais. 

Recentemente, apareceu uma pessoa interessada em adotar um dos cachorros, mas Orgeny tinha suas condições. "Só vai se forem os dois. E outra, um dos motivos que a adoção não foi concretizada foi porque a moça disse que ia trocar o nome do Bolsonaro, aí eu disse que não. Se for pra trocar o nome dele, ele fica comigo", diz.


Cachorros Lula e Bolsonaro brincam e não se separam

Coleiras vermelha e verde 

Coleira verde para um, vermelha para outro, por obviedade. Mas diferentemente da política, na casa da Orgeny, Lula e Bolsonaro são companheiros inseparáveis. Uma amizade improvável, que desconhece a rivalidade em torno das bandeiras, das ideologias ou dos partidos.

"Os dois são muito danados. O Lula, quando vai pra rua, sempre arruma as confusões dele e quem resolve é o Bolsonaro", conta Orgeny, às gargalhadas.