Eide Oliveira Dias, de 37 anos, deu à luz um bebê de 5,240 kg em Recife, após um parto normal que surpreendeu a equipe médica, já que o peso estimado era de 3,7 kg dias antes do nascimento.
O crescimento excessivo do bebê foi atribuído a uma diabetes gestacional não diagnosticada durante a gravidez, apesar de Eide ter realizado acompanhamento médico regular e exames que inicialmente não indicaram a condição.
Após o parto, Eide enfrentou complicações, incluindo uma laceração grave, mas recebeu tratamento adequado e se recupera bem em casa com o recém-nascido, que também está saudável.
A autônoma Eide Oliveira Dias, 37 anos, levou um susto ao descobrir o peso do filho após o parto, em um hospital de Recife (PE). O bebê nasceu com 5,240 kg e 55 cm por parto normal, em 23 de maio.
O crescimento acima da média foi atribuído a uma diabetes gestacional que não havia sido identificada durante a gravidez. "Se eu soubesse, jamais teria tido parto normal, de forma alguma, tanto pelo sacrifício quanto pelo risco também", diz, em entrevista à CRESCER.
Eide descobriu a gravidez em outubro de 2025, o que foi uma grande surpresa. A gestação não estava nos planos e, num primeiro momento, trouxe apreensão. "Eu pensava apenas na demanda, isso porque eu já tinha Miguel de 13 anos que é TEA [Transtorno do Espectro Autista] e tem TDAH [Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade] e Bento com 4 anos que também é TEA", conta.
Com o tempo, foi aceitando a ideia. "Passei umas semanas até me sentir bem e em paz com a gestação", confessa. Apesar de sentir muitos enjoos, refluxo e falta de apetite, a gravidez corria bem.
Ela sempre manteve acompanhamentos frequentes. "Eu fui acompanhada no posto de saúde aqui em Recife. Em algumas consultas, deu alteração de glicose. Mas quando fiz o exame da curva glicêmica, deu negativo e descartaram a possibilidade de diabetes gestacional", lembra.

'Se eu soubesse, jamais teria tido parto normal'
Realmente não parecia que havia algo errado. No início de maio, ela fez um ultrassom que mostrou que ele tinha 3,2 kg. Pouco depois, quando estava com 39 semanas, em 20 de maio, decidiu ir ao hospital novamente. "Eu estava me coçando muito, então, eu resolvi ir na emergência para tipo descartar qualquer hipótese que pudesse ser ruim para mim e para o meu bebê", recorda.
Chegando lá, constataram que o bebê estava com 3,7 kg. "Mas, quando a médica pegou meu cartão pré-natal e viu a alteração na glicose, afirmou que eu estava com diabetes gestacional e já me internou. Inclusive, ela acrescentou que uma única alteração da glicemia na gestação já é o suficiente para considerar a pessoa diabética", destaca.
Apenas três dias depois, quando Eide estava com 39 semanas e 4 dias, foi informada que teriam que induzir o parto. "Estudei, trabalhei consciência corporal e respiração. Ocorreu como planejei! Quando chegou no expulsivo, demorou porque a cabeça do bebê saia um pouco a cada contração e, após a contração, voltava. Quando fiz a força necessária e o bebê saiu, o ombro dele ficou preso. Por sorte, a equipe foi ágil e conseguiu tirar o bracinho dele. Pari de joelho encima da cama do hospital", lembra.
Após três horas de trabalho de parto, em 23 de maio, Raul nasceu, pesando 5,240kg e medindo 55 cm. Quando viu o tamanho do menino, Eide tomou um susto, afinal, poucos dias antes foi informada que ele pesava 3,700kg. "Quando fui para sala de de parto, estava preparada para parir uma criança desse peso. Quando ele saiu, toda a equipe ficou surpresa, ninguém esperava. E se eu soubesse, jamais teria tido parto normal, de forma alguma, tanto pelo sacrifício quanto pelo risco também", afirma.
'Meu bebê segue saudável e crescendo'
Eide sofreu uma laceração grau 3, considerada uma lesão grave. "Precisei realizar o procedimento de correção logo após o parto", conta. Felizmente, tudo correu bem e os médicos conseguiram fazer a sutura ainda na maternidade. Apesar de ser uma recuperação mais delicada, ela não teve complicações e pôde seguir com os cuidados ao recém-nascido.
Raul também não teve nenhum problema. "Após o nascimento, foram realizados os procedimentos normais e logo após ele veio para os meus braços", comemora a mãe.
Hoje, os dois já receberam alta do hospital e estão em casa se recuperando. "Estamos bem! Meu bebê segue saudável e crescendo", finaliza.
Como é feito o diagnóstico da diabetes gestacional?
Atualmente, o rastreamento do diabetes gestacional é recomendado entre a 24ª e a 28ª semanas de gravidez, por meio do teste oral de tolerância à glicose (TOTG). O exame exige jejum noturno, a ingestão de uma solução açucarada e a realização de coletas de sangue ao longo de duas a três horas.
Após as 24 semanas, a OMS recomenda a realização de ultrassonografias para monitorar o crescimento fetal, especialmente nos casos em que a gestante necessita de medicamentos para controlar os níveis de glicose.
Saiba como funciona o monitoramento da glicose em grávidas diabéticas:
Vale destacar que, segundo a OMS, não há evidências suficientes para estabelecer uma frequência fixa para os testes de monitoramento. A definição deve considerar a gravidade do diabetes, o uso de medicamentos e as condições de cada sistema de saúde.
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