Contextualizando

Marcelo Beltrão - Educação como prioridade da gestão pública

Em 4 de Janeiro de 2026 às 08:30

O engenheiro eletricista Marcelo Beltrão Siqueira, pela segunda vez presidente da Associação dos Municípios Alagoanos, tem sua vida pública dedicada ao municipalismo e, em particular, à Educação. Ex-vereador em Coruripe, foi secretário de Educação do município, do qual é prefeito pela segunda vez, e também por dois mandatos foi prefeito de Jequiá da Praia, tendo sido ainda deputado estadual, sempre voltado às questões educacionais. Nesta entrevista ele explica essa sua prioridade.

Por que esse apreço pela Educação?

A Educação sempre foi, para mim, o instrumento mais poderoso de transformação social. Não existe política pública mais estruturante, mais duradoura e mais justa. Quando você investe em educação, você não está apenas melhorando indicadores, você está mudando trajetórias de vida. Esse apreço nasce da convicção de que um município só se desenvolve de verdade quando investe nas pessoas desde a infância.

Como avalia a evolução da educação em Coruripe, município que administra pela segunda vez?

A evolução foi consistente, planejada e construída com muito trabalho coletivo. Coruripe saiu de um cenário de desafios históricos para se tornar referência nacional, alcançando o primeiro lugar no IDEB de Alagoas por três vezes consecutivas. Isso não aconteceu por acaso. Foi resultado de planejamento, continuidade, valorização dos profissionais e foco no aprendizado real dos alunos.

O que o senhor considera referência na Educação em Coruripe?

Considero referência o conjunto da política educacional. Desde a educação infantil até os anos finais do ensino fundamental, trabalhamos com formação continuada dos professores, gestão pedagógica eficiente, acompanhamento de indicadores, infraestrutura adequada e cuidado com o aluno. Não existe ação isolada. Existe um sistema que funciona.

Esses resultados têm sido reconhecidos?

Sim, e isso é muito gratificante. Os resultados são reconhecidos por órgãos de controle, por instituições educacionais, por gestores de outros municípios e, principalmente, pelas famílias. O reconhecimento maior vem quando os pais percebem a evolução dos filhos, quando os professores se sentem valorizados e quando a comunidade confia na escola pública.

Que lições esse trabalho deixa para outros municípios?

A principal lição é que educação precisa ser prioridade real, não apenas discurso. É preciso planejamento, continuidade, investimento e respeito aos profissionais da área. Outro ponto fundamental é entender que política educacional não pode mudar a cada eleição. Educação exige visão de longo prazo.

Quais as dificuldades para se elevar o IDEB em Alagoas?

Alagoas ainda enfrenta desafios históricos, sociais e econômicos que impactam diretamente a aprendizagem. Superar isso exige cooperação entre municípios, Estado e União, com foco em soluções práticas e não apenas em números. O governador Paulo Dantas tem feito um trabalho importante para mudar essa realidade, tem sido parceiro em diversas politicas juntos aos municípios.

Como presidente da AMA o senhor tem conseguido priorizar a Educação?

A AMA tem atuado como espaço de articulação. Temos promovido debates, e encontros técnicos voltados para a educação municipal. A ideia é fortalecer os gestores, compartilhar boas práticas e defender os interesses dos municípios junto aos demais entes federativos.

Qual o papel da AMA no fortalecimento das cidades?

A AMA é a voz do municipalismo em Alagoas. Ela fortalece as cidades ao promover união, diálogo e defesa institucional. Nenhum município cresce sozinho. Quando os municípios se fortalecem coletivamente, todo o Estado avança.

Os municípios têm autonomia ou ainda dependem da União e do Estado?

Os municípios têm responsabilidades enormes, mas ainda enfrentam limitações financeiras e institucionais. Há dependência de recursos da União, o que exige uma relação de cooperação mais justa. O municipalismo forte passa por mais autonomia, mais recursos e menos burocracia.

Quais as experiências que influíram para sua visão de gestão pública?

Minha experiência como gestor municipal foi determinante. Estar próximo das pessoas, ouvir a população, enfrentar problemas reais e buscar soluções concretas molda qualquer gestor. Aprendi que governar é, acima de tudo, cuidar de pessoas e tomar decisões com responsabilidade e sensibilidade social.

O que o alagoano pode esperar do futuro do seu Estado?

Espero e acredito em uma Alagoas ainda mais desenvolvida, com municípios fortes, educação de qualidade, geração de oportunidades e redução das desigualdades. A gestão do governador Paulo Dantas vem fazendo um trabalho excepcional em diversas áreas, como exemplo, o combate a fome, a geração de empregos, o fortalecimento do turismo. Temos potencial humano, cultural e econômico para avançar muito mais.

Como avalia o cenário político do Brasil atual?

O Brasil vive um momento de muitos desafios, que exigem diálogo, responsabilidade fiscal e compromisso social. A polarização excessiva não ajuda. O país precisa de mais convergência em torno de pautas essenciais como educação, saúde e desenvolvimento.

E quanto ao Estado de Alagoas?

Alagoas tem avançado muito. A união entre Estado e municípios é fundamental para que os avanços cheguem de forma equilibrada a todas as regiões. Como eu sempre digo e tem sido o lema da minha gestão frente a AMA: “municípios unidos, Alagoas mais forte!”

Quais são os seus próximos passos na política?

Meu foco é continuar trabalhando por Coruripe e pelo fortalecimento dos municípios alagoanos. Não tenho projetos pessoais acima do compromisso público. A política, para mim, é instrumento de transformação, e seguirei onde puder contribuir de forma responsável e útil à sociedade.

P. S. Entrevista publicada originalmente na revista Alagoas S.A.

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