Polícia

Marinheiro sabia de infiltração em catamarã e não orientou sobre salva-vidas, diz delegado

Erik Maia | 21/08/19 - 13h52 - Atualizado em 21/08/19 - 14h04
Operações Aéreas

O delegado Aylton Prazeres, que investiga o naufrágio de um catamarã em Maragogi, ocorrido no final do mês passado, confirmou na manhã desta quarta-feira (21), que o marinheiro que pilotava a embarcação sabia da infiltração de água em um dos flutuantes, mas não orientou sobre o uso dos equipamentos de salva-vidas.

O delegado conversou sobre o caso com o apresentador Wilson Júnior, durante o programa Fique Alerta, da TV Pajuçara. Ele disse que o piloto, ao invés de orientar sobre o equipamento de segurança devido ao problema, o piloto decidiu pedir ajudar de outro barco a serviço da empresa.

"Ele não orientou sobre o equipamento de segurança. Ao invés disso houve uma ligação para outro barco da empresa e estava indo ao encontrou dessa embarcação, quando apareceu a tartaruga morta e os passageiros mudaram para o lado avariado. O que se sabe é que o barco afundou rápido. O socorro também não demorou, mas dez minutos submerso é muito tempo para quem precisa de socorro", afirmou.

Prazeres informou também que as investigações já foram concluídas, e que o relatório está sendo finalizado para ser remetido a Justiça. O delegado disse que mesmo sendo a primeira viagem do piloto na embarcação, ela deveria ter sido vistoriada antes de entrar no mar.

“Devo estar aprontando esse relatório e encaminhando o inquérito a Justiça já nesta quinta-feira [22], onde vamos indiciar o piloto por homicídio culposo, onde não há a intenção de matar, uma vez que ele sabia sobre a infiltração. Pela investigação ficou esclarecido que ele negligenciou a condição do catamarã”, disse o delegado.

Sobre a possibilidade de indiciamento dos proprietários da embarcação, o delegado afirmou que não há elementos para isso, mas um dia após o acidente o Ministério Público Estadual informou que irá representar pelas prisões dos proprietários.

O delegado reafirmou a informação que já havia sido passada ao TNH1, de que testemunhas relataram que um dos tripulantes abriu a escotilha de um dos flutuantes para verificar a infiltração, mas que não houve providências, mesmo após a constatação.

Ele concluiu dizendo que a perícia solicitada a Marinha do Brasil ainda não foi realizada no catamarã que afundou, mas que o inquérito será concluído sem o documento, apenas com base nos testemunhos colhidos durante a investigação.

“Ao todo, ouvimos 13 pessoas, entre testemunhas e tripulantes. A perícia em si, ainda não foi feita, mas isso não me impede de fechar o inquérito, mesmo sem o laudo da Marinha, pois o fato em si ficou devidamente esclarecido”, concluiu.

O TNH1 entrou em contato com a Capitania dos Portos de Alagoas para saber informações sobre a realização da perícia, mas ainda ainda aguarda resposta.