Menina é picada por cobra coral e sofre choque anafilático: "Irreconhecível", diz mãe

Publicado em 20/05/2026, às 18h10
Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Por Revista Crescer

Uma criança de 4 anos foi picada por uma cobra coral em Itajaí, Santa Catarina, após brincar com o animal que foi trazido para dentro de casa pelo irmão, gerando um momento de pânico na família e a necessidade de atendimento médico urgente.

Olívia sofreu três choques anafiláticos após a picada e foi transferida para um hospital especializado, onde recebeu o antídoto e ficou em observação por três dias até que seu quadro se estabilizasse.

A família decidiu compartilhar sua experiência nas redes sociais para alertar outros pais sobre os perigos, enfrentando críticas e desinformação, enquanto continuam a monitorar a saúde da criança em casa após a alta hospitalar.

Resumo gerado por IA

A autônoma Jéssica Aparecida de Souza Schutell, 33, levou um susto ao ver que os filhos estavam com uma cobra coral dentro de casa, em Itajaí, Santa Catarina. O desespero foi ainda maior quando ela reparou que a filha mais nova, Olívia, de 4 anos, estava se queixando de dor no pé, com marca de picada. "O pai estava em pânico, eu também entrei", afirma.

Tudo aconteceu em 25 de abril, quando Olívia e o irmão mais velho brincava, na porta da casa. "Eles viram os gatos brincando com a cobra. Para eles, era uma minhoca", lembra. Sem saber que se tratava de uma das cobras mais venenosas do Brasil, o garoto pegou o animal pelo rabo e trouxe para dentro da cozinha. Em certo momento durante a interação, Olívia foi picada.

"Quando chegamos na cozinha, meu marido já viu que era uma coral. Ele olhou para mim e falou 'corre'! Peguei alguns documentos e minha bolsa. Ele pegou um pote e conseguiu capturar a cobra. Saímos igual loucos até uma Unidade de Pronto Atendimento", lembra Jéssica.

Chegando lá, foram atendidos rapidamente. "Já fizeram acesso nela e ligaram para um hospital, solicitando transferência", conta Jéssica. Pouco depois, Olívia foi levada de ambulância para uma unidade especializada, em Florianópolis.

'Ela sofreu três choques anafiláticos'

Lá, Olívia recebeu o antídoto, o soro antielapídico, que neutraliza o veneno da cobra. A garotinha parecia bem e estável. Tanto que, enquanto finalizavam a aplicação da segunda dose, Jéssica resolveu passar em casa para buscar roupas para a filha. Mas, quando retornou, o cenário era outro.

"Ela estava tendo o primeiro choque anafilático — vomitando, inchada e não conseguia respirar", lembra a mãe. O choque anafilático é uma reação alérgica gravíssima. Nesse caso, muito provavelmente, causado pelo veneno da cobra coral. "O pai estava em pânico, eu também entrei. Aplicaram adrenalina e cortaram o soro", afirma.

Olívia foi transferida para a ala vermelha, tomou antialérgicos e ficou em constante observação. "O soro teria que continuar, mas o medo de novas crises", diz. Os médicos tiveram que introduzir o antídoto aos poucos. "Ela sofreu três choques anafiláticos. Crises que a deixaram irreconhecível", lamenta a mãe.

Felizmente, após receber a última dose, o quadro se estabilizou, mas ainda precisou permanecer internada no hospital. "Ficamos três dias lá. Olívia ficou em observação e tendo todo suporte. Os médicos só iriam liberar quando ela estivesse 100% e sem crises alérgicas", conta Jéssica.

Após a alta, os cuidados continuaram em casa. "Seguimos fazendo monitoramento e novos exames. Ela passou pelo pediatra e vamos repor algumas vitaminas que alteraram. Mas, graças a Deus, ela está muito bem. Nosso verdadeiro milagre, nossa guerreira", destaca a mãe.

Repercussão

Jéssica e o marido decidiram compartilhar a experiência nas redes sociais para alertar outros pais. Com a repercussão também críticas, principalmente ao filho mais velho. "Alguns portais de notícias colocam muita desinformação e comentários maldosos", lamenta.

"Nossa casa fica em uma rua sem saída e sem acesso a veículos. Somos os únicos moradores. Eles nunca brincam sozinhos e essa foi a única vez que aconteceu algo desse tipo. Meu filho viu alguns dos comentários. Acaba que isso só piora a situação", acrescenta.

O que fazer se for picado por uma cobra coral?

A cobra coral é uma das serpentes mais venenosas do Brasil, mas não costuma ser agressiva. "É raro que uma cobra coral pique uma pessoa. Na maioria das vezes, ela até tenta fugir. Os acidentes costumam acontecer quando a pessoa tenta pegar, mexer ou acaba encostando no animal sem perceber, numa área de entulho, num jardim, num local que tenha muita vegetação ou até mesmo madeira acumulada", explica Fabiano Soares, biólogo especialista em controle de pragas urbanas.

Segundo o especialista, o veneno atua principalmente no sistema nervoso e pode provocar dor e formigamento no local da picada, visão embaçada, dificuldade para falar e engolir, fraqueza muscular e falta de ar. Em casos mais severos, a vítima pode apresentar paralisia muscular e insuficiência respiratória.

Para crianças, a picada pode ser ainda mais perigosas. "Em crianças, a gente sabe que as respostas podem ser maiores, porque elas têm um peso corporal menor. As vezes, até o tempo em que esse veneno começa a agir pode ser mais rápido", alerta.

Por isso, é preciso agir rapidamente. Saiba o que fazer caso seu filho seja picado por uma cobra coral:

  • Lave a picada com água e sabão
  • Procure atendimento médico o quanto antes. Algumas plataformas, como a SoroJá mostram os hospitais com soro contra veneno de cobra, escorpião, aranha e taturana mais próximos
  • Evite fazer exercício físico (para que o veneno não se espalhe mais rapidamente pelo corpo e retire anéis ou outras bijuterias (devido ao inchaço)
  • Tire uma foto ou capture e leve a cobra para o hospital para que a espécie possa ser confirmada
  • NÃO faça torniquete
  • NÃO tente chupar o veneno com a boca
  • NÃO passe álcool ou misturas caseiras na picada

Acidentes acontecem, mas algumas atitudes podem ajudar a evitar que as cobras corais apareçam. "Deixe o quintal ou o entorno da casa sempre limpo. Evite acumular entulho, assim como deixar muita folha seca ou muita madeira", orienta Fabiano.

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