Meningite meningocócica na infância: entenda a doença e a importância da prevenção

Publicado em 21/08/2026, às 12h55
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Por Redação

A meningite é uma inflamação das meninges, que são as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, podendo ser causada por vírus, fungos ou bactérias. As formas bacterianas em geral são as mais graves e exigem atendimento imediato. Entre elas, a meningite meningocócica, provocada pela bactéria Neisseria meningitidis, também chamada de meningococo, é uma das mais preocupantes por sua rápida evolução e alta letalidade. Os principais sorogrupos associados à doença são A, B, C, W, X e Y, e a circulação de cada um pode variar ao longo do tempo e entre regiões. 6-8,11

Apesar dos esforços para controlar a doença em diversas regiões do mundo, a carga de adoecimento e óbitos por meningite permanece elevada. 2 Os números do Ministério da Saúde ajudam a entender o cenário brasileiro da doença meningocócica.9

O Brasil registrou 1.601 casos entre 2023 e 2024, com 350 óbitos no período. Em 2023, a média foi de 60 casos por mês, aumentando para 70 no ano seguinte, 2024. O painel epidemiológico do MS mostra que a situação não melhorou. Em 2025, até setembro, foram contabilizados 835 casos e 170 óbitos, com média mensal de 90 notificações. 9, 12, 13

O médico pediatra Juarez Cunha (CRM 11928 RS) explica o porquê da necessidade da imunização contra a meningite meningocócica.

“A imunização é a grande saída, com certeza. 7 A doença tem esse potencial de evoluir muito rápido, às vezes em 24 horas, levando a quadros catastróficos e ao óbito. 7 Quarenta por cento dos sobreviventes têm algum tipo de sequela, desde sequela física, como amputação, cicatriz, surdez ou retardo neurológico, além de todo o aspecto familiar, social e psicológico que vai ficar para o resto da vida”, 6,7 alerta o pediatra.

Proteção é diferente para cada sorogrupo

As vacinas meningocócicas diferem conforme os sorogrupos da bactéria contra os quais oferecem proteção. A vacina meningocócica C protege exclusivamente contra o sorogrupo C, enquanto a vacina ACWY amplia essa cobertura para os sorogrupos A, C, W e Y. Já a vacina meningocócica B é específica para o sorogrupo B, um dos mais frequentes no Brasil.1,3,9

Como não existe uma única vacina capaz de proteger contra todos os sorogrupos, a recomendação do esquema vacinal deve considerar a faixa etária, o perfil epidemiológico e a orientação do profissional de saúde. 1,3

No sistema público, estão disponíveis gratuitamente as vacinas meningocócicas C e ACWY, indicadas para crianças e adolescentes conforme o calendário de vacinação. 1,3

Na rede privada, além dessas vacinas, também está disponível a meningocócica B, recomendada por sociedades médicas por proteger contra o sorogrupo mais frequente no Brasil. 1,3,9

Além da meningite meningocócica, há vacinas que ajudam a prevenir outras meningites bacterianas, como as causadas pelo pneumococo, Haemophilus influenzae tipo b (Hib) e tuberculose (BCG). 3,10 

Confira os esquemas de vacinação disponíveis

Esquema ilustrativo elaborado com base nas fontes: SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. CALENDÁRIO DE VACINAÇÃO SBIm CRIANÇA:  recomendações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) – 2026/2027. Disponível em: https://sbim.org.br/images/crianca-Calend-SBIm-2026-27-260427.pdf_2026-04-28.pdf. Acesso em: 17 ago. 2026. e SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Calendário de vacinação da SBP 2026/2027. Disponível em: https://www.sbp.com.br/?acervo_download=1&post_id=63953&nonce=e3315eade0&sbp_nonce_refresh =1. Acesso em: 11 ago. 2026.

Aliada à vacinação, algumas medidas podem reduzir o risco de transmissão da meningite meningocócica. Hábitos simples como lavar as mãos com frequência, cobrir a boca ao tossir ou espirrar, não compartilhar objetos de uso pessoal, manter ambientes ventilados e evitar aglomerações sempre que possível são eficazes.4

Doença evolui rapidamente e pode deixar sequelas

A doença meningocócica invasiva é uma emergência médica devido à sua rápida progressão. Em poucas horas, o quadro pode evoluir de sintomas inespecíficos para complicações graves, exigindo diagnóstico e tratamento imediatos. Mesmo entre os pacientes que sobrevivem, podem ocorrer sequelas permanentes, como perda auditiva, amputações, alterações neurológicas, cicatrizes e comprometimento do desenvolvimento, reforçando a importância da prevenção e do reconhecimento precoce dos sinais da doença.6-8

Os indicadores evidenciam a gravidade da doença meningocócica invasiva (DMI). Globalmente, a taxa de letalidade é de aproximadamente 10%, segundo estudo de Carmen Pardo de Santayana, da Universidade de Cambridge, Inglaterra. 2 No Brasil, esse índice alcançou 21,6% em 2024, de acordo com o Ministério da Saúde.9

O médico Juarez Cunha afirma que a rapidez no diagnóstico e no tratamento influencia diretamente no índice de letalidade da doença.

“O principal aspecto que vai influenciar na taxa de letalidade é a rapidez tanto do diagnóstico quanto do início do tratamento. Isso, com certeza, vai impactar o prognóstico daquele paciente. A doença meningocócica afeta qualquer idade, mas, claro, em especial as crianças, e tem essa característica de uma evolução muito rápida” 7, explica o médico.

Informação confiável para ampliar a cobertura vacinal

Em um cenário de grande circulação de informações nas redes sociais e em diferentes plataformas, o acesso a conteúdos confiáveis e baseados em evidências é fundamental para ampliar o conhecimento da população sobre a vacinação e contribuir para decisões informadas. 5

“A gente tem a desinformação e uma série de outros fatores que impactam as coberturas vacinais. Entre eles, a confiança: o que é aquela vacina, se é eficaz, se é segura. Outro ponto: o profissional de saúde tem que estar muito bem informado e passar recados de confiança para a população, tirar dúvidas. Então, a principal forma de combater a desinformação é com informação e comunicação qualificada”, 5 afirma Juarez Cunha.

Os fatores elencados pelo especialista podem influenciar na chamada “hesitação vacinal”. O Ministério da Saúde explica o fenômeno como o atraso ou a recusa em aceitar vacinas recomendadas, mesmo quando os serviços de vacinação estão disponíveis. 5

“É influenciada por múltiplos fatores, entre eles a confiança nas vacinas e nas instituições, a percepção de risco, o acesso às vacinas, a baixa percepção da gravidade de doenças que podem ser prevenidas com a vacinação, o contexto socioeconômico e cultural, além da comunicação”, de acordo com o Ministério da Saúde.5

Para saber mais sobre a doença e formas de prevenção, acesse: paixaoporviver.com.br/juntoscontrameningite.

NP-BR-AVU-BRF-260011 – Agosto/2026

Material dirigido ao público geral. Por favor, consulte o seu médico.

Referências:

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Calendário de vacinação da SBP 2026/2027. Disponível em: https://www.sbp.com.br/?acervo_download=1&post_id=63953&nonce=e3315eade0&sbp_nonce_refresh =1. Acesso em: 11 ago. 2026.

  2. DE SANTAYANA, Carmen Pardo et al. Epidemiology of invasive meningococcal disease worldwide from 2010–2019: a literature review. Epidemiology & Infection, v. 151, p. e57, 2023.

  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. CALENDÁRIO DE VACINAÇÃO SBIm CRIANÇA:  recomendações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) – 2026/2027. Disponível em: https://sbim.org.br/images/crianca-Calend-SBIm-2026-27-260427.pdf_2026-04-28.pdf. Acesso em: 17 ago. 2026.

  4. FIOCRUZ. Portal Fiocruz: Meningites. Disponível em: <https://fiocruz.br/taxonomia-geral-05-doencas/meningites>. Acesso em: 11 ago. 2026

  5. BRASIL. Ministério da Saúde. HESITAÇÃO VACINAL. Disponível em: <https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/pni/hesitacao-vacinal>. Acesso em: 11 ago. 2026.

  6. SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Família SBIm. Doença meningocócica. Disponível em: < https://familia.sbim.org.br/doencas/doenca-meningococica-dm>. Acesso em: 11 ago. 2026. 

  7. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Newsroom. Fact Sheets. Details. Meningitis. Disponível em: <https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/meningitis> Acesso em: 11 ago. 2026;

  8. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Saúde de A a Z. Meningite. Disponível em: <https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/m/meningite>. Acesso em: 11 ago. 2026. 

  9. Ministério da Saúde.Centro Nacional de Inteligência Epidemiológica e Vigilância Genômica – Painel Meningite. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/cnie/painel-meningite. Acesso em: 11 ago. 2026. 

  10. BRASIL. Ministério da Saúde. Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2024. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/vacinacao/publicacoes/instrucao-normativa-%20calendario-nacional-de-vacinacao-2024.pdf. Acesso em: 11 ago. 2026.

  11. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE. Vigilância das pneumonias e meningites bacterianas em crianças menores de 5 anos. Disponível em: <https: / /iris .paho .org /bitstream /handle /10665 .2 /52718 /9789275721896_por .pdf?sequence=1 &is Allowed=y> Acesso em: 11 ago. 2026. 

  12. Pesquisa realizada na base de dados DATASUS, utilizando os limites “SEGUNDO ANO 1º  SINTOMA(S)” para Linha, “NÃO ATIVA” para Coluna, “CASOS CONFIRMADOS” para Conteúdo, “2023-2025” para Períodos disponíveis, “2023-2025” para Ano, “MCC, MM, MM+MCC” para Etiologia e "ÓBITO POR MENINGITE" para Evolução. Base de dados disponível em:  
    https://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sinannet/cnv/meninbr.def. Acesso em: 11 ago. 2026. 

  13. Pesquisa realizada na base de dados DATASUS, utilizando os limites “SEGUNDO ANO 1º  SINTOMA(S)” para Linha, “NÃO ATIVA” para Coluna, “CASOS CONFIRMADOS” para Conteúdo, “2023-2025” para Períodos disponíveis, “2023-2025” para Ano, “MCC, MM, MM+MCC” para Etiologia. Base de dados disponível em:  
    https://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sinannet/cnv/meninbr.def. Acesso em: 11 ago. 2026. 

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