Cansaço, ganho de peso, oscilações emocionais e dificuldade de concentração podem estar ligados a ambos os quadros
Ondas de calor, noites mal dormidas, irritabilidade, dificuldade de concentração e mudanças no corpo. Para muitas mulheres, especialmente entre 45 e 55 anos, faixa etária em que a menopausa costuma ocorrer, esses sinais são vistos como parte natural dessa fase da vida. No entanto, o ginecologista endócrino Dr. Igor Trotte explica que a queda hormonal nem sempre é a única responsável pelas transformações que surgem nesse período.
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Disfunções da tireoide, especialmente o hipotireoidismo, também podem provocar manifestações semelhantes, tornando mais difícil identificar a origem do problema. “Queixas como cansaço, oscilações de humor, dificuldade de concentração, piora do sono, alterações de peso, queda de cabelo e mudanças na pele podem ocorrer tanto na menopausa quanto em algumas doenças da tireoide”, explica o médico.
A seguir, confira pontos que ajudam a entender melhor as diferenças entre menopausa ou problemas na tireoide.
Os famosos calorões estão entre as características mais marcantes da menopausa. Eles podem surgir repentinamente, acompanhados de suor excessivo, vermelhidão e sensação intensa de calor. Na menopausa, é comum observarmos manifestações associadas à redução do estrogênio, como ondas de calor, suor noturno, piora da qualidade do sono, ressecamento vaginal, dor durante a relação sexual e alterações menstruais no período de transição.
Enquanto muitas mulheres na menopausa relatam calor excessivo, quem apresenta hipotireoidismo costuma sentir o oposto. Maior sensibilidade ao frio, sonolência excessiva, constipação intestinal e pele ressecada podem indicar uma redução da atividade da tireoide e merecem investigação médica.
Nem toda disfunção da tireoide está associada ao metabolismo mais lento. No hipertireoidismo, quando a glândula produz hormônios em excesso, o organismo tende a acelerar seu funcionamento. Palpitações, tremores, ansiedade, perda de peso sem causa aparente e intolerância ao calor estão entre os sinais mais frequentes.

Apesar das diferenças, identificar a causa apenas pela observação dos sinais nem sempre é possível. Existe muita sobreposição entre os quadros e nem sempre é possível diferenciá-los apenas pelas queixas da paciente. A avaliação médica continua sendo fundamental. Por isso, mulheres que convivem com manifestações persistentes não devem presumir automaticamente que tudo esteja relacionado à menopausa.
Quando há suspeita de alterações na tireoide, exames como TSH e T4 livre costumam ser os principais aliados da investigação. Em alguns casos, também podem ser solicitados testes para avaliar doenças autoimunes. A menopausa, por sua vez, costuma ser identificada pela combinação entre idade, histórico menstrual e sintomas apresentados. Dependendo da situação, exames hormonais podem complementar a avaliação.
As doenças da tireoide tornam-se mais frequentes com o avanço da idade e muitas vezes são descobertas durante a investigação de queixas inicialmente atribuídas à menopausa. “É importante entender que a mulher nessa fase precisa ser avaliada de forma global. Nem tudo é menopausa, mas também nem tudo é tireoide. O tratamento adequado depende da identificação correta do principal fator envolvido”, conclui o Dr. Igor Trotte.
Se cansaço persistente, alterações de humor, dificuldade de concentração, ganho de peso ou queda de cabelo estiverem comprometendo a qualidade de vida, buscar orientação médica é o melhor caminho para obter um diagnóstico preciso e iniciar o tratamento mais adequado.
Por Juliana Magalhães