Mensagens revelam namorado se passando por estudante morta em SC

Publicado em 14/08/2026, às 19h24
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Por Redação

José Gustavo Rabelo de Souza, de 21 anos, é investigado pela morte de Joviana Evelyn Iankovski, de 19, em Santa Catarina. Depois do crime, ele teria tentado convencer a família de que a jovem estava bem e ainda voltaria para casa.

Para sustentar a versão, o suspeito passou a responder às mensagens enviadas pela mãe da vítima como se fosse Joviana. Ele utilizou o próprio perfil no Instagram e depois o WhatsApp da estudante.

As conversas obtidas pelo g1 mostram que José Gustavo criou diferentes explicações para justificar o desaparecimento da namorada. Entre elas estavam problemas causados pelo consumo de bebida alcoólica, falta de bateria no celular e uma suposta ida a uma unidade de saúde.

Segundo o delegado Murilo da Cunha, o investigado admitiu ter enviado as mensagens durante o interrogatório. Ele foi preso na segunda-feira (10), quando o corpo da estudante foi localizado, e teve a prisão convertida em preventiva.

'Tô sem bateria': primeiras mensagens foram enviadas na madrugada

A família começou a receber mensagens durante a madrugada de sexta-feira (7), horas depois do momento em que a Polícia Civil acredita que Joviana tenha sido morta.

José Gustavo escreveu pelo próprio Instagram como se fosse a estudante. Em uma das primeiras conversas, ele afirmou que ela havia deixado o carregador em casa e estava sem bateria.

Na mesma mensagem, também disse que ela e o namorado tinham conseguido folga e que Joviana havia passado mal depois de beber.

Em seguida, o suspeito continuou alimentando a versão. Ele afirmou que José iria buscar um carregador e que, depois disso, ela poderia voltar a conversar com a mãe pelo WhatsApp.

Outra mensagem dizia que Joviana pretendia procurar atendimento médico.

Fiquei realmente muito mal, acho que vou no postinho daqui consultar e ver se consigo atestado, se não vou no hospital”

A estratégia era fazer com que a família acreditasse que a jovem estava apenas passando mal e precisava de tempo para se recuperar.

Suspeito continuou usando celular da vítima

As mensagens não pararam na sexta-feira. Posteriormente, José Gustavo passou a utilizar o próprio número de WhatsApp de Joviana para continuar a conversa com a mãe dela.

No sábado (8), ele afirmou que a estudante havia conseguido um atestado e voltou a justificar a falta de contato pela ausência de bateria.

Em seguida, a conversa ganhou um tom mais afetivo. O perfil utilizado pelo suspeito prometeu que Joviana voltaria para casa no dia seguinte.

Amanhã à noite vou aí para conversamos. Tá bem? Desculpa por isso, te amo

A promessa não foi cumprida.

No domingo, uma nova justificativa apareceu. A mensagem dizia que Joviana poderia permanecer na casa do namorado para sair diretamente de lá para o trabalho na segunda-feira.

A mãe estranhou a situação e questionou por que a filha não voltaria para casa se seus pertences necessários para trabalhar estavam todos lá.

“Como assim, se suas coisas estão todas aqui? Bota, os materiais todos, colete, não pode ir sem tudo isso. O que deu que não quer mais vir para casa?”

Irmã percebeu que havia algo errado

Na segunda-feira, Lívia, irmã de Joviana, também passou a pressionar o investigado. Ela avisou que procuraria a polícia caso a jovem não aparecesse.

A família também tentou confirmar a história do atestado diretamente com a empresa onde Joviana trabalhava como operadora de máquinas. A informação não foi confirmada pelo estabelecimento.

Lívia contou que inicialmente os familiares não imaginavam que algo grave pudesse ter acontecido. Segundo ela, as mensagens passaram a causar estranheza principalmente porque a irmã havia dito que voltaria para casa para trabalhar.

A família também percebeu que o perfil continuava enviando mensagens como se fosse Joviana.

Segundo a irmã, José Gustavo chegou a afirmar que a jovem voltaria para casa na segunda-feira, mesmo depois de tudo o que havia acontecido.

Corpo ficou no quarto durante o fim de semana

José Gustavo se apresentou à polícia na segunda-feira (10), mesmo dia em que o corpo de Joviana foi encontrado.

Conforme a investigação, ele confessou ter matado a estudante de Biologia durante uma discussão. A Polícia Civil aponta que a morte teria ocorrido após um golpe conhecido como mata-leão.

O corpo foi mantido dentro do quarto do imóvel durante todo o fim de semana.

A suspeita é de que o assassinato tenha acontecido entre a noite de quinta-feira (6) e a madrugada de sexta-feira (7).

Casal tinha relacionamento considerado conturbado

Joviana e José Gustavo estavam juntos havia cerca de cinco meses. Os dois teriam se conhecido em uma festa de aniversário de um amigo em comum.

Segundo Lívia, o relacionamento era marcado por discussões e ciúmes. A família teria tentado convencer a jovem a se afastar do namorado.

Em uma ocasião, os parentes chegaram a retirar o contato de José Gustavo do celular de Joviana. Mesmo assim, ele conseguiu falar novamente com ela por meio do telefone da própria mãe.

A estudante terminou o relacionamento no fim de julho. Depois disso, teria contado à irmã que José Gustavo a acompanhou de motocicleta enquanto ela estava com uma amiga.

Lívia não soube confirmar se os dois haviam retomado oficialmente o namoro. Ela afirmou, porém, que Joviana ainda se encontrava com o investigado.

NOTA DA DEFESA

A defesa técnica de José Gustavo Rabelo de Souza, diante das informações que vêm sendo divulgadas acerca do falecimento da jovem Joviana Evelyn Lankovski, ocorrido no município de Sangão/SC, vem, respeitosamente, prestar os seguintes esclarecimentos.

Inicialmente, a defesa manifesta suas mais sinceras condolências aos familiares e amigos de Evelyn, reconhecendo a profunda dor provocada por uma perda dessa natureza. Por respeito à vítima e aos seus familiares, a defesa entende que o momento exige, acima de tudo, responsabilidade, serenidade e respeito.

O processo tramita sob segredo de justiça, justamente para resguardar informações, documentos e elementos relacionados ao caso e às pessoas envolvidas. Por essa razão, a defesa entende ser necessário agir com a mesma responsabilidade e preservar informações que não podem ser expostas publicamente, especialmente aquelas que dizem respeito à intimidade dos envolvidos.

É importante, contudo, esclarecer uma informação que vem sendo divulgada de maneira imprecisa e que atinge diretamente a família de José Gustavo.

A família de José Gustavo não teve conhecimento prévio dos fatos e jamais participou de qualquer tentativa de ocultação ou acobertamento.

José residia com a mãe e a avó. Na rotina da residência, havia circunstâncias que contribuíram para que, naquele momento, não houvesse qualquer razão concreta para que familiares suspeitassem do que havia ocorrido. Entre elas, estão a dificuldade auditiva da mãe, circunstância de conhecimento público, e o fato de José permanecer com o quarto fechado durante períodos de descanso, comportamento que já fazia parte de sua rotina habitual.

A família somente tomou conhecimento dos fatos na manhã de segunda-feira, após o próprio José relatar o ocorrido. Tão logo teve conhecimento da situação, sua família o conduziu à Delegacia de Polícia, colocando-o à disposição das autoridades para que fossem adotadas as providências legalmente cabíveis.

Esse comportamento, por si só, demonstra a postura adotada pela família diante de uma situação extremamente grave e inesperada: não houve fuga, ocultação ou qualquer iniciativa destinada a impedir a atuação das autoridades. Ao contrário, houve a procura imediata da autoridade policial tão logo os familiares tiveram conhecimento dos fatos.

A família de José Gustavo também deseja deixar claro que não compactua, sob nenhuma circunstância, com qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres. Ao mesmo tempo em que enfrenta a própria dor e o impacto causado por toda essa situação, manifesta profundo pesar pelo falecimento de Joviana Evelyn Lankovski e respeito absoluto à dor de seus familiares.

Quanto à dinâmica dos fatos, a defesa ressalta que qualquer conclusão responsável deve decorrer da análise integral e técnica do conjunto probatório, incluindo os elementos periciais e demais provas que integram a investigação. Antecipar conclusões enquanto as apurações ainda estão em curso não contribui para o esclarecimento dos fatos e pode gerar interpretações equivocadas.José Gustavo encontra-se preso preventivamente, à disposição do Poder Judiciário, e sua defesa seguirá atuando de maneira técnica e responsável, dentro dos limites impostos pelo segredo de justiça e em estrita observância aos princípios constitucionais do devido processo legal, contraditório e ampla defesa.

A defesa reafirma, por fim, que não pretende transformar a dor de nenhuma das famílias em objeto de disputa pública. Seu compromisso é exclusivamente com a verdade dos fatos, com o respeito às instituições e com o exercício legítimo da defesa, permitindo que as autoridades competentes realizem seu trabalho e que as conclusões sejam alcançadas a partir das provas produzidas regularmente.

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