Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, depôs no tribunal e afirmou que acredita que Jairo de Souza, o Jairinho, é responsável pela morte do filho, uma mudança significativa em sua posição anterior durante o processo.
Ela descreveu um relacionamento abusivo com Jairinho, que incluía controle excessivo e episódios de agressão, além de relatar que o filho havia sido agredido pelo ex-vereador, o que a levou a não deixá-lo sozinho com ele.
Monique também revelou que, na noite da morte de Henry, Jairinho a acordou alegando que a criança estava caída, e que, após o falecimento, ela entrou em luto profundo, inicialmente sem suspeitar de homicídio, mas posteriormente começou a desconfiar de Jairinho.
Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel, morto aos 4 anos em 2021, depõe no banco dos réus desde as 10h30 desta terça-feira (2). Até o momento, ela relatou um perfil controlador de Jairo de Souza, o Jairinho, e afirmou que inicialmente não desconfiava que o ex-vereador pudesse agredir o filho.
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Questionada pela juíza se hoje havia mudado de opinião sobre a autoria da morte do filho, Monique respondeu: "Creio que foi Jairo". É a primeira vez que ela faz uma declaração dessa natureza em juízo. Durante a fase de instrução, ao ser indagada a respeito, ela tinha dito que somente Deus para saber.
A defesa de Jairinho tem sustentado a inocência do cliente ao longo do júri e contestado os depoimentos.
Segundo Monique, Jairinho a proibia de ter aulas com homens e de malhar usando shorts. Ela afirmou ainda que era monitorada dentro da academia por uma pessoa que tirava fotos, além de ter um localizador do seu celular em tempo real.
Também disse que ele, por ser médico, mandava que ela ingerisse remédios macerados no vinho para "evitar que ela conversasse com outro homem enquanto ele dormia".
Ainda segundo Monique, ela o flagrou uma vez colocando o remédio sem o conhecimento dela .
De acordo com Monique, no dia da morte de Henry, ela adormeceu muito rápido após Jairinho lhe dar remédios para dormir. "Ele também dizia que tomava remédios para dormir, mas hoje sei que não tomava e passava a noite conversando com outras mulheres", afirmou.
Ela relatou ainda ter sido agredida por Jairinho em novembro de 2020, durante uma crise de ciúmes, quando teria sido acordada por ele sendo enforcada. Segundo Monique, ele atribuiu o episódio à bebida, e por isso ela decidiu continuar o relacionamento.
Monique contou que os dois passaram a morar juntos na segunda quinzena de janeiro de 2021 e que o único episódio agressivo que presenciou ocorreu enquanto cozinhava e Jairinho estava na sala com Henry.
"Henry me disse que levou uma banda e uma moca do Jairinho. Fui até a sala e perguntei o que havia acontecido. Jairo disse que segurou os braços de Henry, que não chegou a derrubá-lo no chão e que o chamou de viadinho", afirmou. Segundo Monique, a partir desse episódio ela não quis mais deixar o filho sozinho com ele.
No dia 12 de fevereiro, enquanto estava em um salão de beleza, ela recebeu uma mensagem da babá informando que Jairo havia chegado em casa fora do horário habitual e levado Henry para o quarto. Monique disse, então, que pediu para a babá bater na porta e insistir em saber o que estava acontecendo. Pela troca de mensagens, a criança ficou cerca de cinco minutos sozinha com Jairinho no cômodo.
Ao sair do quarto, Henry relatou que havia levado uma "banda" e uma "moca" de Jairinho e que, segundo a criança, "o tio sempre fazia isso".
"Ele disse que Jairo falou que ele me atrapalhava e me perguntou isso. Fiquei muito alterada, aquilo me enfureceu, e liguei para o Jairinho para confrontar ele. A cabeleireira e a manicure [testemunhas no processo] viram que eu estava alterada e ouviram a conversa", declarou.
Na saída do salão, ela comprou uma câmera para colocar no quarto e monitorar o filho, mas não a instalou.
Ainda segundo Monique, na madrugada da morte de Henry, Jairinho a acordou dizendo que o menino estava caído no chão do quarto. Ao entrar no quarto, ela viu que ele estava sem o edredom e com "os olhos abertos, olhando para nada".
Conforme a versão apresentada por Monique, ela não desconfiou de Jairinho e entrou em luto profundo, chegando a arrancar o megahair que usava, deixando feridas e buracos no couro cabeludo. Por isso, antes de ir ao enterro, foi a um salão de beleza arrumar o cabelo.
"Nunca achei que tivesse sido uma morte por assassinato, porque não havia nenhuma marca no corpo do meu filho", afirmou.
Monique também disse que, quando começou a desconfiar de Jairinho após a divulgação de reportagens, antes de ser presa, chegou a dar um tapa nele e dizer: "Você matou o meu filho".
Nesse momento, segundo ela, Jairinho pegou uma Bíblia e, com a mão sobre o livro, disse:
"Eu juro pelos meus três filhos mortos que nunca encostei um dedo no seu filho". Por isso, afirmou Monique, além da orientação do advogado que defendia ambos, ela permaneceu ao lado dele. "Foi por isso que eu disse, no nosso primeiro depoimento, que nosso relacionamento era bom e harmonioso", declarou.
Ainda segundo Monique, no momento em que foi presa, ela estava com Jairinho e que foi ele quem jogou os celulares pela janela.
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