Maceió

Moradores de bairros afetados por mineração protestam e pedem indenização justa

Eberth Lins | 15/06/21 - 13h01 - Atualizado em 15/06/21 - 15h36
Ato foi organizado pelo Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB) | Foto: Cortesia

Mesmo debaixo de chuva, moradores dos bairros Pinheiro, Bebedouro, Mutange e Bom Parto realizaram um protesto em frente à sede do Ministério Público Federal (MPF), na Avenida Juca Sampaio, no Barro Duro, para cobrar providências do órgão federal, nesta terça-feira (15).

O ato foi organizado pelo Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB) para pedir que o MPF interceda no que diz respeito aos valores ofertados pela mineradora para indenizar as centenas de moradores e empresários que tiveram prejuízos por conta da tragédia ambiental.

Moradores, empreendedores e empresários dos bairros estão sendo afetados, diretamente, pelo afundamento de solo causado pela extração de Sal-gema da empresa Braskem, isso porque após o fenômeno, a região está sendo esvaziada, com a retirada de famílias e fechamento dos negócios locais. 

Protesto reuniu moradores de bairros afetados pela mineração em Maceió. Foto: Cortesia 

"Tive uma reunião na última sexta-feira e fiquei calada porque era momento de ouvir, mas achei uma injustiça tremenda. Com o que eles querem me indenizar, depois que eu pagar os prejuízos e dívidas que tenho por conta da Braskem, vou ficar com muito pouco. Não sei o que fazer da minha vida, me sinto insegura", expôs Eliana Cavalcanti, que tinha uma escola de ballet há 38 anos no bairro Pinheiro.

"Essa injustiça deixa a gente sem palavras. Foram 50 anos da minha vida no Caldinho do Vieira e agora querem pagar miséria", acrescentou o senhor Vieira, que tinha um bar há décadas na região. 

O MPF e a Braskem enviaram notas ao TNH1. Leia, abaixo, na íntegra:

Nota do MPF

A Força-Tarefa (FT) do Ministério Público Federal (MPF) em Alagoas que acompanha o Caso Pinheiro/Braskem reconhece o direito de manifestações públicas, como meio de expressão das liberdades coletiva e individual. O que inclui o ato público que ocorreu hoje, 15, nas imediações da Procuradoria da República em Alagoas (PR/AL) - organizado pela Associação dos Empreendedores no Pinheiro e Região Afetada junto ao Movimento Unificado de Vítimas da Braskem (MUVB) para reivindicar a marcação de reunião e revisão de alguns pontos do acordo firmado entre a Braskem e os Ministérios Públicos e Defensorias Públicas. Entretanto, há de se destacar que o exercício de tais direitos não deve inviabilizar os direitos fundamentais das pessoas, inclusive o direito de ir e vir.

Informa, ademais, que o Ministério Público Federal tem se reunido com a comunidade, através dos diversos movimentos e associações, sempre que há solicitação. Não consta nenhum pedido de reunião feito pela sociedade civil organizada pendente de agendamento, nem mesmo do movimento que organizou a manifestação de hoje. Inclusive, em abril de 2021, ocorreu reunião com representantes do Movimento Unificado, dentre os quais  o representante da Associação dos Empreendedores do Pinheiro. Na ocasião,  instituições signatárias  do acordo ouviram os pleitos e estão em tratativas para encaminhamentos cabíveis. Já mais recentemente, na última sexta-feira (11), aconteceu reunião com representantes da FAMECAL e da Vila Saem, em que os anseios desta comunidade foram ouvidos. 

Destaque-se - em razão da edição do Decreto Estadual Nº 74.744, de 9 de junho de 2021 e anteriores, que  considerou os indicadores ainda altos da pandemia do coronavírus e estabeleceu, entre outras medidas, a classificação do Estado de Alagoas na Fase Vermelha (risco mais elevado) - o procurador-chefe da PR/AL, Marcial Coêlho, prorrogou o regime de teletrabalho até 11 de julho nas unidades em Maceió e Arapiraca, o que restringe a participação física das procuradoras da FT em atividades presenciais, assim como no referido ato público.

O MPF, junto às outras instituições signatárias do Termo do Acordo, segue os trabalhos sem descanso e interrupção, buscando sempre os ajustes necessários que melhor atendam ao cidadão vítima da mineração. Prazo para reanálise das propostas de indenizações está sendo discutido, dentre outras providências, e será em breve divulgado.

É importante frisar, inclusive, que toda e qualquer modificação no Termo de Acordo deve ser formalizada por todas as instituições signatárias, não tendo quaisquer dos órgãos, isoladamente, legitimidade para promover qualquer alteração.

O Ministério Público Federal reafirma seu compromisso na defesa da ordem jurídica e, sobretudo, dos atingidos pelos danos causados pela atividade de mineração da Braskem.  

Durante a pandemia, o atendimento ao público permanece sendo realizado, preferencialmente, pelos canais eletrônicos disponíveis. Os cidadãos que precisarem protocolar documentos, consultar andamentos processuais ou apresentar representações deverão realizá-los por meio do MPF Serviços. Já os atendimentos urgentes serão realizados pelos telefones (82) 2121-1468 ou (82) 98876-8054 (somente whatsapp), em Maceió; ou (82) 3529-9513, em Arapiraca.

Nota da Braskem

A Braskem tem mantido diálogo permanente com a comunidade e as autoridades públicas, na busca das melhores soluções para os moradores e comerciantes atendidos pelo Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação (PCF). A empresa vem cumprindo rigorosamente o acordo assinado em janeiro de 2020 e todos os dados vêm sendo apresentados às autoridades. 

O PCF foi construído com base na escuta ativa da comunidade por parte da Braskem e das autoridades signatárias. A Braskem contratou ainda especialistas em diversas áreas e pauta o programa nas normas vigentes, sempre buscando eficiência e celeridade, muitas vezes com requisitos documentais mais brandos do que seria exigido no âmbito judicial.

O PCF já apresentou mais de 7 mil propostas de indenização, com mais de 99% de aceitação, e vem trabalhando com foco na aceleração do programa em relação às empresas. Neste contexto, o programa busca se adaptar à realidade das novas áreas e dos comércios, considerando, inclusive, pleitos apresentados por associações. 

Em janeiro deste ano, com a assinatura do último aditivo ao acordo, novas regras para comércios foram aprovadas, viabilizando disponibilizar recursos suficientes para que as empresas façam as suas mudanças, bem como cumpram com obrigações legais, como no caso de despesas para desligamento de funcionários. Além disso, a Braskem trabalha de forma contínua para aprimorar e acelerar o PCF, com uma equipe dedicada e especializada para o atendimento das empresas, tendo mais de 1.200 propostas apresentadas a comerciantes e empresários.

É importante esclarecer, porém, que há requisitos jurídicos que precisam ser observados. Mesmo adotando premissas flexíveis e proatividade na resolução das pendências, existem documentos que são fundamentais para viabilizar a validação dos pleitos, como declarações tributárias ou mesmo documentos que demonstrem a receita do negócio. Ocorre que esses documentos não são apresentados em mais de 60% dos casos – e, quando o são, em apenas 11% subsidiam os valores pleiteados. Atualmente, 82

% dos que pleiteiam atividade comercial passam por dificuldades na apresentação de documentos. E, inclusive nesses casos, a equipe da Braskem presta apoio para solução das pendências documentais.

A empresa respeita o direito de manifestação pacífica e reitera seu compromisso com a segurança dos moradores dos bairros afetados pelo fenômeno geológico, propondo e executando as ações necessárias para isso.