Maceió

Moradores do Mutange e Bom Parto fecham via em protesto

TNH1 | 23/10/20 - 09h18 - Atualizado em 23/10/20 - 10h48
Bruno Protasio/TV Pajuçara

Moradores dos bairros Mutange e Bom Parto bloquearam o trecho que liga a Avenida Major Cícero de Góes Monteiro a Rua General Hermes na manhã desta sexta-feira, 23. O protesto tem o objetivo de buscar uma definição para as famílias que ainda moram na região afetada pelas rachaduras e cobrar mais segurança, já que segundo o grupo, os bairros ficaram esvaziados e houve aumento de violência.

Os manifestantes usaram pneus, entulhos e até móveis para atear fogo e impedir a passagem de veículos pela pista. A Polícia Militar está no local e acompanha a situação. Os moradores afirmam que vão liberar o trecho por completo após resposta da Braskem e da Defesa Civil.

Segundo eles, muitas casas já foram evacuadas e vias interditadas. Os manifestantes disseram que não sabem se vão precisar deixar os imóveis e cobram uma posição quanto a inserção das famílias no programa de assistência destinado para a população dos bairros.

Além de buscar esta solução, o grupo pediu mais segurança, já que as interdições teriam provocado mais assaltos e invasão em residências, com o número menor de pessoas que habitam a região. 

O TNH1 entrou em contato com a Braskem e foi informado que ações desenvolvidas pela empresa nos bairros incluem vigilância patrimonial, instalação de câmeras, alarmes e uma Central de Monitoramento, entre outras medidas. A Braskem afirmou também que respeita o direito de manifestação pacífica e reitera que a prioridade é oferecer segurança e bem-estar à população. Leia abaixo:

"Desde o último mês de dezembro, proprietários, inquilinos e comerciantes com imóveis localizados na área de desocupação definida pela Defesa Civil de Maceió são atendidos pelo Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação (PCF), incluído no acordo firmado entre ministérios públicos Federal e Estadual, defensorias públicas da União e de Alagoas, e a Braskem. Na semana passada, o PCF alcançou a marca de 2 mil propostas apresentadas aos moradores, com mais de 1.800 delas já aceitas e as demais, em análise pelas famílias. Apenas 3 propostas foram recusadas. A cada mês, o PCF está conseguindo somar mais 450 propostas apresentadas aos moradores. Até o momento, o Programa já pagou mais de R$ 200 milhões entre auxílios financeiros e compensações financeiras aos moradores dos bairros do Pinheiro, Bebedouro, Mutange e Bom Parto. A evolução desses números é acompanhada de perto pelas autoridades. A empresa também está em contato direto e permanente com as lideranças comunitárias dos quatro bairros afetados pelo fenômeno geológico, com quem todas as informações são compartilhadas.
Além disso, a Braskem vem desenvolvendo ações nos bairros que incluem vigilância patrimonial, instalação de câmeras, alarmes e uma Central de Monitoramento, instalação de muros de proteção nas áreas já desocupadas, tamponamento dos imóveis vazios, controle de pragas, limpeza e remoção de entulho, e acolhimento dos animais. A Braskem respeita o direito de manifestação pacífica e reitera que sua prioridade é garantir a segurança e o bem-estar dos moradores dos bairros".

A Defesa Civil também se posicionou sobre as reivindicações e afirmou que as pessoas que possuem imóveis nas áreas de monitoramento do Mapa de Setorização podem solicitar análise da Junta Técnica. Veja a nota:

"A Coordenadoria Especial Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec) informa que todas as pessoas cujo imóvel se encontra nas áreas de monitoramento do Mapa de Setorização de Danos e de Linhas de Ações Prioritárias podem solicitar a análise da Junta Técnica pelo telefone 0800 006 3027 (a ligação é gratuita, inclusive de telefone celular). O atendimento acontece de segunda a sexta-feira, no horário de 9h às 18h, e serão solicitados o endereço do imóvel a ser avaliado e os dados pessoais do morador.

O trabalho da Junta Técnica consiste em análise do problema onde é emitido parecer com a classificação de risco, levando em consideração fatores de engenharia, geologia e outros riscos associados, nos quais estão inseridos o imóvel. Este parecer aponta se há necessidade de realocação. 

A Defesa Civil esclarece ainda que a Junta Técnica é um colegiado formado por representantes da Defesa Civil Nacional, Defesa Civil Municipal e Braskem. Ela foi criada dentro do Termo de Acordo Para Apoio na Desocupação das Áreas e Risco - celebrado entre MPF, MPE, DPU, DPE e a Braskem - para atendimento dos casos de evolução do problema nos imóveis localizados em área de monitoramento do Mapa de Setorização de Danos como forma de criar fluxo de validação para que as pessoas que precisem ser realocadas sejam atendidas diretamente pelo Programa de Compensação Financeira da Braskem".